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Thursday, December 21, 2017
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de dezembro de 2017 “SOL DE INVERNO” APROXIMA-SE DO FIM Na pista de uma perigosa quadrilha, onde pontificam dois cruéis meliantes que haviam escapado à polícia num complicado caso muito recente que enchera as primeiras páginas dos jornais e abrira os principais noticiários televisivos, o inspetor Carreira não só descobrira o covil dos criminosos, como se preparava agora para lhes deitar a mão. Apesar de estar completamente só e sem qualquer hipótese de pedir auxílio, não hesitou em fazer frente aos inimigos… Mas será que consegue dominá-los? É o que vamos saber com a continuação da publicação do conto que venceu o concurso “Um Caso Policial em Gaia”, que se aproxima a passos largos do seu final. Sol de Inverno, de Luís Pessoa V - Parte Numa derradeira tentativa, em desespero, descarregou o tambor da arma, sem selecionar a direção nem os alvos. Apenas descarregou… Ouviu na resposta, dezenas de tiros! Fez-se, então, um estranho silêncio, interrompido por um sonoro grito: - RENDAM-SE! Carreira ainda conseguiu esboçar um sorriso. Tinha-os enganado, pensavam que estavam cercados por vários polícias! Antes de desmaiar, ainda ouviu: - Está aqui! Acordou lentamente. O quarto excessivamente branco, fazia Carreira imaginar que poderia estar já no “outro lado”, pelo menos era a ideia que tinha do que encontraria quando a vida se esgotasse. Não tardou, no entanto, a estar rodeado de vários colegas, inteirando-se da sua situação e do seu estado. Eram quase 17 horas quando os presentes se ergueram, para dar passagem ao chefe, invulgarmente sorridente. - Boa tarde, Carreira! - Boa tarde, senhor diretor! Lamento não poder levantar-me… - Ora, ora, Carreira, deixe-se disso! Venho dar-lhe os parabéns pela sua ação. Não foi a mais perfeita em termos técnicos, mas foi eficaz e a imprensa está a adorar. Você é um herói! Isso é sempre bom… Mas não devia ter isso sozinho, percebe? Foi um risco escusado. E sem comunicações, sem armamento capaz, sem uma lanterna… Se o rapazito não o tivesse visto entrar na capela e não sair, de certeza que não tínhamos chegado a tempo… - Rapazito, que rapazito? - Um moço cigano que andava por ali e reparou que você entrou e não o viu sair. O Sequeira disse-nos que o tinha deixado por lá e foi por lá que começámos, claro. Andávamos à sua procura com a foto, quando o rapaz nos disse que o tinha visto a entrar na capela ao anoitecer, mas não tinha dado conta de o ver sair… Foi assim que vasculhámos o interior da capela até encontrarmos o mecanismo e tudo o resto, até chegarmos a si… - Apanharam o monstro? - Era um truque para afastar visitas inoportunas. Quando alguém passava em certos sensores, começava uma espécie de sessão de cinema com som altíssimo… Era arrepiante. - Os carris paravam repentinamente… - Era de propósito. Quem conhecia, acionava um mecanismo que trazia uma carruagem e essa ia direta para a caverna. Quem não sabia, era despistado pelo caminho que você e nós percorremos, com as armadilhas, para forçar a desistência. Muito bem engendrado! - Apanharam-nos todos? - Todos! Estão a ser interrogados e certamente vamos ter novidades em breve… - Apanharam também o Ptolomeu e o Pancrácio? - Essa agora, porque pergunta? - Porque eu vi-os lá! Estavam no envidraçado a falar com os outros, eles estão envolvidos em tudo isto… - Tenha calma, Carreira, temos tempo para falar de trabalho. Agora trate de recuperar para regressar em condições. Carreira nem queria acreditar que os PPs se haviam escapado de novo, eles que estavam por trás de tudo, quer ali, quer em Lisboa. O telefone tocou e do outro lado estava o seu amigo Farinha: - Parabéns, pá! Já todos soubemos do teu feito! Parabéns! - Farinha, os gajos escaparam! - Quem? - Os PPs! Os gajos estavam lá, eu vi-os! Vi-os lá a dar ordens, são eles, mas escaparam… - Esquece, havemos de lhes dar caça e apanhamo-los mais cedo ou mais tarde, tem calma, agora já sabemos! Olha, já falaste à Vera e aos miúdos? - Hem? Sim, sim. – mentiu – Está tudo bem… - Vê lá se precisas de alguma coisa, apita! - Claro, obrigado Farinha, és um bom amigo… - Já há muito caíra a noite quando Carreira se ergueu da cama, foi à casa de banho, regressando pronto para abandonar o hospital. Não disse nada a ninguém, vestiu a mesma roupa com que dera entrada. Sentia-se andrajoso, mas só tinha que chegar à sua atual casa, para tomar um bom banho, vestir roupa lavada e regressar à vida… Não foi intercetado por ninguém, saiu calmamente pelo próprio pé e tomou um táxi, que o deixou à porta do prédio do seu apartamento. Olhou em redor e já não viu o movimento habitual nem a presença do agente que por ali fazia vigilância permanente durante o tempo que durou a investigação. - Parece que acabou tudo! Desistiram de ir mais além? Acham que a prisão de uma dúzia de bandoleiros resolve a situação? Desalentado, cabisbaixo, entrou no apartamento que nunca lhe dissera grande coisa, mas que agora não lhe dizia mesmo nada. Às sete da manhã, era grande o alvoroço na Judiciária. O piquete fora alertado para ocorrências quase simultâneas em dois pontos distintos no Canidelo, um num apartamento de luxo e outro numa vivenda, onde foram ouvidos tiros. Ao chegar, a Polícia verificou que havia um cadáver em cada uma das habitações, tendo alertado a PJ para proceder à recolha de indícios e tomar conta da investigação. Por volta do meio-dia já muitos agentes procuravam o colega Carreira, misteriosamente desaparecido, porque os dados laboratoriais não deixavam margem para qualquer dúvida: fora a sua arma que disparara os tiros mortais encontrados nos dois corpos e Carreira recuperara a sua arma, depois das atribulações por que passara. Mais importante, ainda, os cadáveres eram do Ptolomeu e do Pancrácio! Iniciou-se uma autêntica caça ao homem. Era necessário que a PJ chegasse ao Carreira antes de qualquer outra força policial ou de um possível bando dos dois criminosos, eventualmente ainda em liberdade. O Chefe deu a ordem para se intensificarem as buscas, sem emissão de qualquer alerta para as restantes forças. Todos os agentes puseram os seus informadores em campo, mas não havia vestígios do inspetor. (Continua na próxima edição)  
Thursday, December 07, 2017
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 30 de novembro de 2017 INSPETOR CARREIRA DESCOBRE CAIS CLANDESTINO Na pista de um grupo de criminosos responsável por um lucrativo negócio de contrafação de vinho, que tardava a ser desmantelado, o inspetor Carreira foi confrontado com uma passagem secreta na Capela do Senhor da Pedra, que levá-lo-ia a um fétido regato infestado de ratazanas onde existe uma plataforma que comunica com uma ponte aparentemente suspensa, de onde surgiu um corpo de grande dimensão. Instintivamente, levou a mão à coronha da sua arma, pronto para qualquer eventualidade… E, pronto, é aqui que continua a nossa leitura do conto vencedor do concurso “Um Caso Policial em Gaia”, de que publicamos agora a quarta parte: Sol de Inverno, de Luís Pessoa IV - Parte Do fundo do leito começou a vislumbrar um brilho estranho, uma luz difusa, de cor indefinida, que se tornava cada vez mais clara, mostrando um corpo ondulante a erguer-se das profundezas, na sua direção. Sem ação, Carreira estava apavorado, nunca vira coisa assim, tão horrenda e improvável, mas conseguiu reagir, atirando-se ao solo e puxando da arma, que pôs em posição de fogo. Um cheiro intenso a enxofre envolveu-o e sentiu-se desfalecer, não sem antes disparar dois ou três tiros contra a amálgama disforme que o atacava… ooooo /// ooooo A sensação de quem regressa de uma viagem ao infinito, com um despertar doloroso e assustador era o que Carreira sentia naquele momento. Não sabia o que fazia ali, fosse esse ali o que fosse. Não fazia a mínima ideia onde estava, nem que dia ou horas eram. A escuridão era total e constatou que estava amarrado. Ouvia vozes longínquas, indistintas… Apetecia-lhe gritar, dizer que estava vivo, mas a mordaça não lho permitia. As vozes aproximaram-se. Cada vez mais perto, ouviu distintamente o ruido do arrastar da pesada porta, que lhe permitiu entrever uma luz, ainda ao longe, onde apareceram recortados dois vultos, em contraluz, caminhando na sua direção. - Vai espreitar o “chui”… - Ora, o “gajo” levou no “bule”, vai tardar a acordar… Carreira estava sozinho, amarrado e amordaçado, mais que isso, fatigado e exausto e tinha pela frente dois homens, aparentemente, experientes. Não tinha nada de boa a sua situação. Só de surpresa poderia obter algo, pelo que simulou continuar desmaiado. Sentiu a aproximação de um deles, que começou a desatá-lo, certamente para melhor o transportar. Carreira via aí a sua oportunidade, mas um turbilhão de dúvidas assaltavam-lhe o cérebro: Teria a pistola no bolso? As pernas iriam obedecer-lhe? Teria forças para se erguer? Iriam matá-lo? Quantos tipos seriam? Saltou para a frente, cabeça baixa, com a rapidez possível, atingindo com violência o que se encontrava na sua frente que, apanhado de surpresa, rugiu de dor, vacilou e caiu de costas, imóvel. Virou-se e encarou o segundo adversário, ainda confuso e sem reação, a quem vibrou um forte pontapé, que o fez dobrar-se e, lentamente, escorregar para o soalho… Ofegante, Carreira dobrou-se pelos joelhos, tentando recuperar o fôlego. Apelando às derradeiras forças, prendeu os dois meliantes com as cordas que antes o atavam. Não fugiriam. Resumiu mentalmente a situação. Estava sozinho, num local que desconhecia; tinham-no despojado da sua arma; não sabia quantos opositores tinha pela frente nem as suas intenções… Como único fator positivo, a surpresa! Os outros não sabiam que ele estava liberto e pronto para a ação… Revistou os dois prisioneiros e num deles encontrou um Lawman MKIII, carregado! Dispunha de seis tiros… - Melhor que nada, pensou. Abriu a porta, lentamente, evitando barulho e saiu para o corredor húmido. Estava novamente livre e armado. Com esforço, percorreu a distância que o separava da fonte de luz que vislumbrava para além de uma porta com aparência de espessa e forte, mas que estava apenas no trinco, permitindo-lhe que a afastasse ligeiramente e espreitasse… Cerrou os olhos perante tamanha luminosidade e aguardou breves momentos antes de ajustar a visão. O que viu causou-lhe espanto: uma espécie de gruta enorme, com vários setores, como que em socalcos, onde repousavam centenas, talvez milhares de barris e cubas… Ao fundo, uma plataforma entrava pelo rio, numa cúpula de vidro que se ajustava completamente ao casco de um barco… - Raios, estes tipos têm coisas que só visto! – espantou-se ao perceber o método usado: O barco acostava e abria uma porta abaixo do nível da água onde ajustava a cúpula de vidro. Visto de cima o barco era normalíssimo e insuspeito, transportando a carga normal destes barcos, mas mais abaixo, em outro nível, vinha a carga clandestina que era descarregada por baixo de água, diretamente para a plataforma escondida. – Porra! Por isso o gajo estava a orientar a manobra lá de cima! O barco era mais pesado que o normal e tinha de ajustar a parte submersa! Bem podíamos andar lá em cima à procura… Olhou em volta e contou pelo menos oito indivíduos a trabalhar por ali. Não sabia se eram todos criminosos, podiam ser apenas trabalhadores que nem soubessem bem em que trabalhavam ou o que faziam, mas para si tinham de ser considerados como ameaças, até prova em contrário. Notou, então, num plano um pouco superior, um envidraçado onde estavam mais três indivíduos, em quem logo reconheceu o Plotomeu e o Pancrácio, a quem chamavam os PPs e que não eram mais do que os dois mafiosos que ele perseguia há tanto tempo e quase lhe fizeram a folha no caso de Lisboa. Carreira sempre tivera a certeza que estavam por detrás deste negócio, mas não tinha qualquer prova, só suspeitas. Agora o caso mudava de figura e ganhava novos contornos, a que teria de retirar o desejo de vingança, que começava a tomá-lo! - Acalma-te, Carreira, a vingança é má conselheira… – esforçou-se para se convencer, embora sem grande sucesso. Sentia-se enjaulado, mas não era a primeira vez que tal acontecia. Estava armado, é certo, mas os inimigos eram muitos, provavelmente muito mais bem armados do que ele, não tinha possibilidade de pedir auxilio nem de retirar porque desconhecia como chegara ali, quem o transportara e por onde. - Resumindo, pá, estás tramado! – acabou por concluir em surdina. Conferiu o revólver: Carregado. Destravado. Pronto. Encostado à parede, para não ser surpreendido pela retaguarda, numa zona de penumbra, ergueu a arma com as duas mãos e gritou a plenos pulmões: - POLÍCIA! QUE NINGUÉM SE MEXA! ESTÃO CERCADOS! RENDAM-SE! O eco ribombou na imensa caverna, com alguns dos homens a atirarem-se para o chão, mas todos completamente desorientados sem saberem a origem daqueles gritos. Carreira disparou logo de seguida, para reforçar o aviso, atingindo um dos homens, o que estava mais desprotegido. Logo se deslocou alguns metros, antes do segundo disparo, este sem atingir o alvo. Tinha de dar a impressão de que eram vários os polícias a disparar… Depois da surpresa inicial, uma chuva de projeteis varreu a parede que lhe servia de apoio, obrigando-o a atirar-se para o chão. As pernas também já cediam ao cansaço. - Estou perdido, pensou. (Continua na próxima edição)  
enigmas e contos policiais

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