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Wednesday, May 30, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 30 de maio de 2018 DOIS ANOS DE ENIGMAS POLICIÁRIOS NO JORNAL AUDIÊNCIA Estamos de parabéns! Faz agora dois anos que o jornal AUDIÊNCIA iniciou a publicação desta secção, que vem exercitando as “células cinzentas” dos nossos leitores com crimes, detetives e criminosos… Desde o passado dia 1 de junho de 2016 que marcamos encontro com o “detetive” que há em cada um de nós, estimulando a participação dos leitores nos nossos passatempos, através da escrita de contos policiais, da produção e decifração de enigmas, da solução de problemas sobre literatura policial ou na descoberta de escritores e detetives famosos, “escondidos” em breves textos biográficos. Edição após edição, e já lá 52!, temos dado espaço à imaginação e à criatividade dos nossos leitores, que não têm regateado esforços numa participação regular nos mais diversos desafios e passatempos propostos. O esforço, o engenho e a arte postos em cada desafio têm sido compensados com premiação das melhores performances. E assim continuará a ser nas iniciativas em curso, que se estenderão até janeiro do próximo ano. O XV CONVÍVIO DA TERTÚLIA DA LIBERDADE No passado dia 20 de maio, aconteceu mais um convívio de âmbito nacional da Tertúlia Policiária da Liberdade (TPL), que reuniu perto de duas dezenas de policiaristas no restaurante Sabores de Sintra, em São Pedro de Sintra. O orientador da secção marcou presença em mais esta jornada de confraternização dos amantes dos desportos mentais, que decorreu de forma calorosa e muito animada. Depois de um agradável repasto, onde as conversas se centraram invariavelmente sobre o mundo policiário e alguns dos maiores vultos (autores e personagens) da literatura policial universal, quinze dos quais figuravam em desenhos-caricatura no “Certificado de Participação” do evento, a TPL apresentou um livrinho de edição própria com uma novela policial de escrita coletiva – “O Caso (sério) da Rua das Trinas” – assinada por A. Raposo, Arnes, Búfalos Associados, Detetive Jeremias, Inspetor Boavida, Rigor Mortis, Verbatim e Zé. A terminar, houve lugar a uma surpresa preparada em segredo por A. Raposo e Detetive Jeremias, que escreveram e editaram um “Borda d’ Água do Conto Curto para 2018”, composto por uma micronarrativa por cada mês do ano, iniciativa que foi muito apreciada pelos convivas. VIAGEM DE TELEFÉRICO Conto de Daniel Gomes Segunda Parte (conclusão) Ainda faltava uma hora para o içar da bandeira nacional no quartel da Serra do Pilar quando um grupo de cerca de cem jovens – mais raparigas que rapazes – passou a porta de armas para participar no Dia da Defesa Nacional. Entre eles, estava um trio de rapazes que se apresentaram como habitantes de Vila D’Este, um bairro social problemático de Gaia. Os três amigos, Pedro, Rui e Mário, não passaram despercebidos a Joca, que escolheu um lugar estratégico de onde os não perdesse de vista, quando começou a palestra sobre a defesa nacional e o papel das forças armadas. O sorriso aberto do primeiro, o ar maroto do segundo e o aspeto descomplexado do terceiro interessavam-no muito mais do que aquilo que o oficial de dia tinha para lhes dizer, apesar de ele não ser nada de se deitar fora, como ouviu exclamar a uma das meninas. Na visita as instalações do quartel, que antecedeu o momento do repasto por volta do meio-dia no refeitório, Joca não se coibiu de se aproximar dos três rapazes de Vila D’Este, como se juntos formassem agora um quarteto de amigos, não sentindo qualquer desconforto por parte deles. Pedro, o sorridente, acolheu-o com gestos de alguma familiaridade, brindando-o com algumas graçolas sobre as miúdas que faziam parte da comitiva. Rui, o maroteiro, contava-lhe segredos ordinários ao ouvido, que o deixavam corado até às orelhas. E Mário, o descomplexado da silva, deu-lhe o braço por diversas vezes, enquanto procurava explicar-lhe para que servia cada apetrecho militar com que se confrontavam, chegando a dizer-lhe que as camaratas davam-lhe alguma tesão, por as camas estarem por cima uma das outras, como se estivem num bacanal. Quando o oficial de dia encaminhou os recrutas ocasionais de um dia para o próximo módulo de debate, que culminou com o preenchimento de um inquérito que visa conhecer melhor a juventude portuguesa, Joca dava graças ao seu pai por o ter forçado a participar naquela jornada inteiramente dedicada ao serviço militar. Ele estava completamente rendido, não ao quartel e aos tropas, mas às amizades que angariou, imaginando já uma forma de perpetuar estes momentos para além daquele dia de celebração da vida militar. E ainda antes do arriar da bandeira, convidou os seus três amigos para uma viagem de teleférico, quando saíssem dali, assumindo ele próprio as despesas inerentes. Pedro e Mário ainda esboçaram uma negativa, mas Rui demonstrou-se muito animado com a ideia, cochichando-lhes as razões da aceitação do convite. Pouco passava das cinco da tarde quando os quatro desceram a rua Rodrigues de Freitas em direção ao Jardim do Morro. À chegada ao teleférico, aguardaram que uma família de turistas ocupasse uma cabine do teleférico e só depois da partida desta é que Joca comprou as quatro passagens. Dentro da cabine, com Mário e Pedro lado-a-lado e os outros dois sentados de frente para eles, Rui sacou de uma faca que tinha enfiada na meia da sua perna esquerda e apontou-a ao pescoço de Joca. Ato contínuo, Mário gritou-lhe: “Passa para cá toda a guita, minha maricona!” Pedro, sempre sorrindo, complementou: “E o cartão multibanco!” Aterrado, Joca deu tudo o que tinha. Mas a coisa não ficou por ali. O último pedido saiu da boca de Rui: “E o código do cartão, chavala, qual é?” Mas, com os nervos, Joca não foi capaz de se lembrar do código. Insatisfeitos com aquele ataque de amnésia, os rapazes começaram a abanar a cabine do teleférico, deixando Joca aterrado de medo. Agarrado com toda a sua força à parte inferior do assento, deslizando sobre a esquerda e a direita à medida que a cabine era abanada, foi suplicando que parassem. Lá em baixo, os barcos deslizavam sobre o leito calmo do rio e a populaça passeava-se tranquilamente no empedrado da marginal, curiosamente apinhada de polícias. Ele gritava, gritava, mas de nada lhe valia, porque ninguém o ouvia. Subitamente, a porta da cabine abriu-se para um voo picado de Joca sobre as águas geladas do Douro, onde aterrou de cabeça. E foi aí que ele acordou, quase sem respiração, com a água fria que o pai despejou sobre a sua cabeça, ao mesmo tempo que gritava que era hora de se levantar e rumar até ao quartel da Serra do Pilar…  
Sunday, May 20, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de maio de 218 UM CONTO DO AUTOR DO PRIMEIRO ENIGMA DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” No momento em que o orientador da secção marca presença no XV Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade, que decorre no restaurante Sabores de Sintra, em São Pedro de Sintra, reunindo policiaristas de todo o país, do qual publicaremos um apontamento de reportagem na próxima edição, deixamos à apreciação dos nossos leitores um conto da autoria do produtor do enigma de abertura do torneio de decifração “Solução à Vista!”, candidato a um dos três prémios em disputa no concurso de produção policiária “Mãos à Escrita!”. Recordamos que o conto de Daniel Gomes, de que publicamos hoje a primeira parte, conquistou uma menção honrosa no concurso “Um Caso Policial em Gaia”, que teve como grande vencedor o contista Luís Pessoa. A publicação da primeira incursão do policiarista de Santa Marinha pela escrita policial tem como objetivo descomprimir os nossos “detetives” que têm como tarefa a decifração do seu enigma. VIAGEM DE TELEFÉRICO Conto de Daniel Gomes (Primeira Parte) O Joca foi sempre um menino da mamã. E com ela foi ganhando gostos, hábitos e hobbies pouco próprios de um macho em desenvolvimento. Nunca jogou à bola com os outros rapazes na rua e jamais travou qualquer discussão com estes que acabasse por degenerar em pancadaria. As bonecas eram a sua perdição, passando horas sem fim fechado em casa a brincar às casinhas, às mamãs e aos bebés. O pai foi tolerando tudo isto a muito custo, sempre na esperança de que o rapaz mudasse com a idade. Mas isso nunca aconteceu, apesar de várias insistências em levá-lo ao futebol e ao cinema ou a ver corridas de fórmula 1 ou de motocrosse. Nada. O que o Jocas queria mesmo era ficar em casa, agarrado às bonecas ou a ajudar a mãe nas lides domésticas. Enquanto isso, o tempo ia passando e o rapaz nunca deu a conhecer namorada ou amiga especial. A única pessoa fora do seu círculo familiar, mais ou menos da sua idade, com quem Joca se deu durante algum tempo foi um colega de escola, o Tó Zé, sua visita frequente de casa, com quem passava tardes inteiras no quarto, após as aulas. Os livros de matemática e de ciências naturais eram o pretexto para longas jornadas a dois, mas as notas naquelas duas disciplinas eram sempre pouco mais do que miseráveis, como em todas as outras, aliás, exceto educação visual. Sem grandes notas, começou a ser muito difícil encontrar um curso que lhe fosse acessível. Até que, aos dezoito anos, Jocas decidiu que queria ser chef de cozinha, irritando solenemente seu pai, que sempre sonhou uma profissão para o filho ligada ao direito, advogado como ele, ou jurista, juiz ou até mesmo polícia de investigação criminal. Tudo menos uma procissão de fêmea! Aquela decisão do Joca provocou uma enorme discussão lá por casa, com o pai a ameaçar o filho de acabar de vez com as mesadas e com a autorização de saídas noturnas, que passaram a ser mais constantes, levando o rapaz por empréstimo algumas das toilletes da mamã para alegadas cedências a meninas filhas de famílias menos abonadas. No calor da discussão, o pai do Jocas disse que o filho já foi visto algumas vezes pelos lados da Lavandeira, junto ao Estádio Municipal, local onde não se conhece a existência de casas de animação, pedindo, por isso, explicação para tal facto. A explicação do rapaz, longe de acalmar os ânimos do progenitor, atiçou ainda mais a sua fúria, desvendando, por fim, que um colega seu o terá visto por lá, de calças justas, saltos altos e muito bamboleante, na companhia de gente indefinível quanto ao género. Escusado será dizer que a mãe do Joca tomou a defesa do seu adorado filho, defendendo que tudo não passava de má-língua de gente intriguista que apenas queria causar mal-estar no seio da família. Muito sensível e dedicado à mamã, o rapaz desatou num choro compulsivo que acabou por comover o próprio pai, que chegou a admitir haver alguma confusão quanto à pessoa que foi vista a fazer trottoir na Lavandeira, por ser uma zona mal iluminada e seu filho ter uma configuração física muito comum à rapaziada da sua idade. Só que tinha gestos e reações muito pouco comuns à esmagadora maioria dos filhos dos seus amigos, o que o irritava por não saber as origens dessa particularidade. De uma coisa ele estava seguro: o seu rapaz precisava de passar pela tropa para se fazer homem, como aconteceu na sua juventude com muitos. O pai do Joca está convencido da absoluta necessidade do regresso do serviço militar obrigatório, por considerar evidente a sua importância na cadeia de valores que se foram perdendo no nosso país. O seu retorno – diz ele – seria o ponto de partida para a reposição de um conjunto de fatores fundamentais ao nosso código de conduta, que estão afastados do dia-a-dia da nossa sociedade e que a juventude podia readquirir na instituição militar, nomeadamente no que concerne às suas obrigações para com a pátria e a família. E, embrenhado nestes pensamentos, lembrou-se que o seu Joca está na idade de ser convocado para o Dia da Defesa Nacional, que se comemora no dia seguinte, o que confirmou logo de seguida num Edital afixado na Junta de Freguesia da sua residência. E depressa correu para casa, a fim de dar a boa nova à mulher e ao filho. Joca reclamou contra a ideia do pai, invocando objeção de consciência, no que foi acompanhado pela mãe, mas de nada lhe valeu. A comparência no Dia da Defesa Nacional é um dever obrigatório para todos os cidadãos que cumpram dezoito anos de idade, a que ninguém se pode abster, a não ser por razões de saúde ou outras questões de força maior devidamente justificadas – gritou-lhe o pai. E logo fez saber que um filho seu nunca se eximirá ao cumprimento daquele dever, enquanto ele for vivo. A discussão prolongou-se durante o resto do dia, mesmo à mesa do jantar, com o pai a insistir no seu ponto de vista e Jocas e a mãe a defenderem opinião contrária. E o conflito só parou quando o pai foi para a cama, não sem antes ameaçar o filho que o acordaria com um balde de água pela cabeça abaixo se não estivesse acordado à hora devida. (continua na próxima edição)  
Thursday, May 10, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de maio de 2018 DANIEL GOMES É O PRIMEIRO AUTOR DO TORNEIO DE DECIFRAÇÃO Arranca hoje o Torneio de Decifração “Solução à Vista!”, que nos acompanhará durante os próximos meses, com a publicação no dia 10 de cada mês, de maio a janeiro, dos problemas a decifrar, e das respetivas soluções no dia 20 dos meses subsequentes. O primeiro enigma é da autoria de um leitor que nos acompanha desde a primeira hora, participando em todas as provas de decifração até hoje realizadas e no concurso de contos levado a cabo o ano passado, onde conquistou uma menção honrosa com o original “Viagem de Teleférico”. Nascido e criado em Gaia, na freguesia de Santa Marinha, Daniel Gomes despertou para a problemística policiária através da leitura desta nossa secção, na sequência lógica da sua paixão pela literatura policial. Devorador compulsivo dos grandes clássicos de Agatha Christe a Arthur Conan Doley, de Patricia Hamilton a Georges Simenon, de Raymond Chandler a Lisa Gardner, de Edgar Allan Poe a Ruth Rendell, apesar de ligado profissionalmente ao mundo informático, onde é comum a defesa da desmaterialização da literatura, o autor do enigma em apreço não dispensa o prazer da leitura de um bom romance policial em suporte físico, trazendo sempre como companhia um desses exemplares. Nesta edição, é ele, porém, quem nos desafia a desfrutar do prazer da leitura. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 1 “O Enforcamento do Vigilante”, de Daniel Gomes Ventura Marques era vigilante numa importante empresa de produtos congelados. Numa tarde de domingo do verão passado, Jorge Cunha, o colega que o foi substituir, encontrou a porta da empresa fechada, com a chave no interior, impedindo a sua entrada. Depois de tocar à campainha da porta por diversas vezes e de ter ligado vezes sem conta para o telefone da empresa e para o telemóvel de Ventura, alertou o superior hierárquico da sua entidade patronal para o sucedido, tendo este ligado de imediato para a polícia. Meia hora depois, por volta das 17h00, chegou um piquete da PSP, que, depois do uso de algumas chaves de serviço sem qualquer sucesso, decidiu pelo arrombamento da porta. Lá dentro, os agentes deslocados para o local depararam com o pobre homem preso pelo pescoço a uma corda amarrada na tubagem da água que passa junto ao teto e com os pés a cerca de meio metro do chão, já sem sinais de vida. No chão alagado de água, não havia à vista nenhum objeto, um banco, uma cadeira, um caixote, nada em que o infeliz do Ventura Marques se tivesse empoleirado para cometer aquele seu desesperado ato. Foram de imediato chamados os serviços de emergência médica, que se limitaram a declarar o óbito e a comprovar que a morte fora devida a enforcamento. Entretanto, com a chegada da Polícia Judiciária, o caso passou para a esfera do consagrado inspetor Macunaíma, um homem de poucos músculos, muito franzino e pequeno, lento de movimentos nos afazeres do dia-a-dia mas rápido a usar a arma e… o seu privilegiado cérebro. Passados pouco mais de quinze minutos, fizera-se luz sobre a forma como ocorrera a morte do vigilante, o que deixou toda a gente espantada face à rapidez de raciocínio de Macunaíma. Estamos certos, porém, que o leitor, com a sua vocação para detetive, também já sabe como tudo aconteceu. Mas antes que faça julgamentos precipitados, convém que o leitor fique a saber que o espaço onde o corpo foi encontrado é composto por outras três portas, que comunicam com os demais espaços de trabalho da empresa. Estas estavam igualmente fechadas pelo interior do local onde se deu o enforcamento, com as respetivas chaves na fechadura, não havendo qualquer outra hipótese de alguém entrar naquele compartimento sem ser através daquelas portas, conforme constatou o inspetor Macunaíma. Nesses outros três espaços, através das bandeiras das portas, feitas de vidro transparente retangular colocado à altura dos olhos de pessoas de média estatura, era possível verificar a ausência de quaisquer pessoas e constatar a impossibilidade de existir algo que pudesse estar de qualquer maneira associado à morte do infeliz Ventura Marques. Não faltaram, porém, as insinuações que são frequentemente habituais em situações desta natureza. Um ex-colega de Ventura Marques fez questão de dizer que as relações deste com Jorge Cunha não eram as melhores. Um funcionário da empresa de congelados revelou haver entre uma colega sua e a vítima um caso amoroso secreto, que era muito comentado internamente em surdina. O sócio gerente da empresa confirmou conhecer este caso de adultério, que há muito o preocupava sobremaneira por o marido da funcionária ser um sujeito muito ciumento e bastante agressivo. A mulher da vítima confirmou as dificuldades de relacionamento existentes entre o seu marido e o colega Jorge Cunha e admitiu também desconfiar de que a forma como Ventura Marques se referia a uma tal Leninha da empresa de congelados podia esconder um qualquer sentimento muito mais forte do que admiração profissional ou amizade pessoal. Mas a verdade é que o inspetor Macunaíma parecia ter desvalorizado completamente estes depoimentos quando se sentou no seu gabinete para redigir o relatório da ocorrência… DESAFIO AO LEITOR E o leitor, também desvaloriza as insinuações proferidas nos depoimentos, ou não? E porquê? O que se terá passado? Justifique o seu raciocínio, pormenorizadamente, através de relatório a enviar para o orientador da secção, até dia 10 de junho, por um dos seguintes meios: - por correio, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores; - por email, para salvadorpereirasantos@hotmail.com. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome ou pseudónimo, nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Daniel Gomes. Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador da secção.  
Thursday, May 03, 2018
  TORNEIO "SOLUÇÃO À VISTA!" ARRANCA NO DIA 10 DE MAIO Expirado o prazo de receção de originais, o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita!”, organizado pela secção “O Desafio dos Enigmas”, registou a participação de nove autores. Desta forma, são também nove as provas que constituem o torneio de decifração “Solução à Vista!”, que arranca no dia 10 de maio, durante o qual serão decididos os problemas vencedores dos três prémios em disputa (troféu M. Constantino, taça Zé da Vila e taça Mário Campino). Essa decisão será tomada em função da média pontual atribuída pelos participantes do torneio de decifração e pelo orientador daquela secção, que dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir a cada enigma concorrente, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade. Os enigmas em avaliação (e objeto de decifração) são da autoria de Daniel Gomes, A. Raposo, Rigor Mortis, Verbatim, Búfalos Associados, Abrótea, Bernie Leceiro, Bigodes e Detetive Jeremias, com publicação ao dia 10 de cada mês, até janeiro de 2019, no jornal AUDIÊNCIA Grande Porto, no sítio Clube de Detetives (clubededetectives.pt) e neste espaço gerido pelo Inspetor Boavida.  
Wednesday, May 02, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 30 de abril de 2018 ÚLTIMO ENIGMA DE “AQUECIMENTO” ANTES DA COMPETIÇÃO Sem mais delongas, devido à sua extensão, passamos a publicar o último enigma de aquecimento das “células cinzentas” dos nossos detetives que se posicionam desde já no ponto de partida para o torneio de decifração “Solução à Vista!”, que arranca na próxima edição: ENIGMA POLICIÁRIO O Inspetor Fidalgo Hesita, de Insp. Fidalgo Decorria o mês de fevereiro e no céu carregado de nuvens os relâmpagos sucediam-se e, ritmo demolidor, entremeados pelo ribombar dos respetivos trovões. O inspetor Fidalgo estava sentado numa cadeira desconfortável, junto à janela, desafiando os conselhos que os colegas lhe davam para se afastar dos vidros. Era deprimente ver a vida passar sem ter capacidade de lhe pôr um travão e dizer: – Alto aí! Quero viver! Foi então que o Firmino, seu “velho” amigo e colega lhe telefonou, dando conta de um caso insólito, reclamando a sua presença, caso pudesse. Firmino era um polícia bastante curioso, principalmente porque parecia tudo menos um polícia. Desde sempre estivera ligado ao mar e nunca quisera mudar, mesmo quando lhe ofereceram um melhor cargo… – O mar sou eu… E tudo para mim e nunca me separaria dele! Firmino foi contando a história e o caso que tinha em mãos foi ganhando contornos… – O Tadeu era um tipo espetacular. Ele saltava da prancha mais alta, ele mergulhava mais fundo, ele aguentava dentro de água o que mais ninguém conseguia… Olha, Fidalgo, o tipo era excecional!... Só que, como tudo na vida, há momentos em que tudo nos corre mal e o dia do Tadeu foi hoje… – Que aconteceu? – Ora, o que quase sempre acontece a quem se arrisca de mais para se manter na crista da onda, desafiou o mar neste estado e acabou por ser vítima dele… – Se assim foi, quero dizer, se tens a certeza absoluta, não entendo porque me chamaste… – Porque há um pormenor que me escapa e não consigo fazer encaixar em toda esta história… Mas, deixa-me pôr-te ao corrente do que se passou… – O Tadeu namorava uma tipa que todos chamavam Nina, que não era propriamente uma santinha, até eu a apanhei algumas vezes com outros moços a fazer coisas que… Compreendes… Pois bem, o Tadeu não parecia saber de nada e continuava todos os dias a vestir o seu calção de banho, dava duas ou três corridas pelo areal, ora mais depressa, ora mais devagar, procurando sempre pôr os pés em sítio seguro, portanto com passos pouco regulares… Sabes, a praia está um tanto suja e o Tadeu não queria ferir-se nas pedras ou em qualquer objeto abandonado… – Está bem, mas… – Espera, não sejas precipitado, se te estou a contar toda a história é porque acho que te deve interessar, ou não será? Olha, o que sei é que hoje de manhã, como todos os dias, vim para a praia às oito horas, mais minuto menos minuto e estranhei ver a Nina com o Sérgio lá em cima, nas “portas”, tanto mais que eu sabia bem que o Tadeu, a essa hora e apesar do inverno, já devia estar dentro de água e de lá, com toda a facilidade se vê o local onde a Nina estava na “marmelada”… Não sei se estás a ver… mas, quando aqui cheguei, olhei para o mar, voltei a olhar e tu sabes que a minha vista nunca se engana, mas não vi o Tadeu… Compreendi que, por qualquer motivo, não viera, o que seria a primeira vez, mas há sempre uma primeira vez, não é verdade? – Só que?... – Só que, olhando com mais cuidado pude ver um vulto estranho na praia, em pleno areal e quando me dirigi a ele, verifiquei que não era mais que o corpo sem vida do Tadeu… Com os seus calções inconfundíveis, corpo molhado, sem marcas aparentes de qualquer violência… – Continuo a não perceber porque é que… – Calma, calma… Junto dele nada mais havia que pegadas, em que se viam os saltos dos sapatos claramente definidos, vindas do paredão até ao local, de um indivíduo que calçava para aí o número 43, com marcas ao lado, por vezes coincidentes, de um outro tipo, a calçar mais ou menos o mesmo, mas muito mais leve… O curioso é que ambas as pegadas desaparecem no local do crime, a curtos metros do mar, parecendo que ambos entram pelo água dentro… Eu quase que jurava que os sapatos eram os mesmos, mas nesta época de uniformização, em que toda a gente anda de igual, nem sei se o afirme… É verdade, corri a praia de lés a lés, do rochedo nascente ao rochedo poente e não vi qualquer marca da saída dos tipos que estiveram junto ao corpo… Cheira mal, tudo isto… – A Nina e o parceiro? – Sei lá, o tipo é pesado, mas ela não calça um número tão grande… Não encaixa muito bem e menos ainda o ficarem por ali. Seria mais lógico desaparecerem… Claro que dizem não saber de nada… E podem ter mudado de sapatos… Não sei… – O inspetor Fidalgo hesitou… A – Foi a Nina e o parceiro que acompanharam o Tadeu até ao local do crime, o mataram e fugiram por dentro do mar até às rochas por onde subiram. B – Foi apenas a Nina que o acompanhou ao local do crime, em ambiente descontraído. Depois, matou-o e fugiu pela água, subindo por um dos rochedos, indo ter com o seu parceiro. C – Alguém, calçando 43, o matou, conduzindo-o pelo areal, às costas ou ao colo, largando-o naquele local, junto ao mar, regressando ao local de partida, confiando em que vento e mar apagariam as marcas. D – Alguém que calçava 43 o matou, transportou pelo areal e largou no local onde foi encontrado, tendo o cuidado de o transportar de modo a que fosse deixando marcas na areia, formando os dois pares de pegadas que foram observadas, fugindo o assassino pelo mar e trepando os rochedos, desaparecendo de seguida. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta. E conheça depois a solução do autor, que se publica de imediato, a fechar esta edição. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Inspetor Fidalgo Hesita, de Inspetor Fidalgo Hipótese C. Na realidade, tinha de haver alguém com número 43 e não há marcas da Nina, motivo pelo qual se excluem as hipóteses A e B. Por outro lado, se o Tadeu andava sempre a correr pela praia, com cuidado para não se ferir, naturalmente que andava descalço, tal como foi encontrado e não podia deixar as tais “outras marcas”. A hipótese D teria de pressupor que ele estaria calçado, o que não se verifica. Resta a hipótese C. Um tipo qualquer leva-o às costas até àquele local, já morto, deixando as marcas mais carregadas e depois, mais leve, recua pela praia, deixando as tais marcas que o polícia quase jurava que eram produzidas pelo mesmo calçado.  
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