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Monday, November 05, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de novembro de 2018 UM PROBLEMA DE SANTARÉM E UM CONTO DE SETÚBAL A sétima prova do torneio de decifração “Solução à Vista”, da autoria do confrade escalabitano Bigode, vem acompanhada da primeira parte de um conto do confrade Abrótea, autor do problema anterior e cujo prazo de envio de soluções expira no dia 15 de novembro. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 7 “Ida ao Teatro”, de Bigode Beltrão apanhara o comboio precisamente à tabela. Sentado na carruagem, rumo a Lisboa – para ver a revista “Passa por mim no Rossio” – lia avidamente, um livro policial, no frenesi de descobrir o criminoso. Trazia debaixo de olho uma bonita e distinta senhora, e não sabia agora onde estaria sentada. Fez uma pausa na leitura e mirou discretamente em volta à sua procura. – Ah! Ei-la ali, de perna traçada – pensou para si próprio. Encontrava-se outra vez embrenhado no enredo do livro, quando anunciaram a chegada à estação de Santa Apolónia. Desceu da carruagem e foi até ao bar, tomar um café retemperador. Saiu, e porque se estava a aproximar a hora, chamou um táxi que o levou até ao Politeama. No fim do espetáculo encontrou à saída a dama – esteticista – que tinha visto no comboio. Companheiros de viagem, trocaram impressões sobre a revista. – Foi esplêndido – disse Beltrão. – Sim – concordou a senhora. E cantarolou, com voz melódica: – Quando o pano sobe… Respondeu Beltrão num tom desafinado: –… e o espetáculo começa… Cada um se fazendo de “surdo” à sua maneira prosseguiram. O cavalheiro achou conveniente mudar de assunto, e perguntou se a senhora gostava de futebol. – Detestava futebol senhor… – como é o seu nome? – Beltrão. – Respondeu. – Maria – retorquiu a senhora. E continuou: – Mas desde que este ano assisti à final do Mundial de Futebol de Juniores, entre os rapazes de Portugal e os do Brasil, em que fomos campeões pela segunda vez, que me rendi à magia desse desporto. – Que alegria os putos nos deram – retorquiu Beltrão. Neste momento dobravam uma esquina, quando, saídos de um vão de escada, dois delinquentes aparecem a barrarem-lhes o caminho, e a ameaçarem-nos. Maria assustada deu um berro estridente, e Beltrão aproveitou o momento para aplicar uns golpes de karatê e neutralizar os assaltantes. Uma patrulha da polícia estava perto, ao ouvir o grito da senhora e o barulho da escaramuça, acudiu também. Foram todos para a esquadra. Apresentada a queixa, Beltrão e Maria seguiram em paz. Novamente de Táxi viajaram até ao hotel. Fora de horas para jantar, mas com apetite para a ceia. Degustando um portuguesíssimo bacalhau à Zé do Pipo, acompanhado com um não menos português tinto do Cartaxo, chegou-lhes ao ouvido uma conversa na mesa ao lado. – Amigo, lhe estou dizendo, seu Ayrton, dobrou, bicampeão de Fórmula 1. – É isso aí, cara, no sábado. Acabada a refeição, chegou a hora de Beltrão acender o seu charuto e saboreá-lo, beberricando o whisky enquanto Maria bebia também o seu. Disfarçava a perturbação que a mulher loira lhe causava, e que Maria intuiu naturalmente. Sem assunto uma vez mais, Beltrão indagou à colega sobre literatura. – Gosta de ler? Quais os autores preferidos? – Sou fã como você, de literatura policial, Agatha Christie. Gosto também de Eça, Tolstoi, Saramago, Érico Veríssimo, John Dos Passos…. “As Palavras” é agora o meu livro de cabeceira. – Ainda não ouvi falar – confessou Beltrão. – É do Nobel deste ano. Perceberam ao mesmo tempo que bocejavam. Foram-se deitar. O vale dos lençóis recebeu-os para o merecido descanso. DESAFIO AO LEITOR Caros Sherlocks, o problema contém quatro erros de palmatória. E que tal encontrar quais? Ficamos a aguardar a resposta, através de relatório circunstanciado, a enviar até ao próximo dia 15 de dezembro pelos meios habituais. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Bigode (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção. “O Aluguer”, conto de Abrótea I – Parte Sabia que isto mais tarde ou mais cedo tinha de acontecer, a casa nem sequer era minha, o sogro é que a pagava, e nesse assunto nem eu podia abrir a boca e se piasse, (as vezes com um bom vinho de Pias ainda chegava lá) passava a noite no barraco de praia. Duas semanas para retirar a tralha, duas apenas. Como não era “biolento”, talvez lento mas não chegava a lentinho, decidi começar a procurar de imediato o meu palacete. Começar ou recomeçar do princípio até que não é difícil, o pior é apanhar com cada uma que até parece anedota… e foi, aconteceu, acontece a muito boa gente. Com a trouxa às costas lá saí de casa, uma trouxa “bem piquena”, ainda não podia levar muita coisa, o resto ficava para mais tarde, e se quisessem mandar fora, menos trabalho eu tinha, e assim ainda podia dormir nos braços da Luísa Tody, para nos dias seguintes recomeçar a procura, o que só acontecia depois do horário laboral. Entrei num café, uma imperial, enquanto fingia procurar moedas ou o porta-moedas, (na altura bolso roto), pedi desculpas e bebi a fresquinha na mesma, depois polidamente pedi o jornal da terra. Percorri a página dos anúncios só para verificar se havia algo de novo. Peguei no ”telelé”, (como sempre teso de saldo como eu) e a senhora, dona da loja, ao reparar, muito atenciosa emprestou-me o dela. Disse-lhe apenas por descargo de consciência que andava a procurar um quartinho, nem que fosse um vão de escadas. Ficou marcada uma entrevista para o dia seguinte, disse que apenas podia chegar depois das 19 horas, e na hora aprazada lá fui eu. (quase a caminho de Viseu, mas era em Setúbal ou arredores, ou ainda um pouco mais longe) A morada, essa, um escritório! E eu a pensar que já tinha quarto, ora bolas. (conclusão na próxima edição)  
enigmas e contos policiais

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