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quinta-feira, julho 18, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de julho de 2019
SOLUÇÃO DO AUTOR DA 1ª. PROVA É HOJE DESVENDADA
São hoje conhecidas as primeiras pontuações obtidas pelos “detetives” participantes na edição de 2019 do torneio de decifração “Solução à Vista!”. Foram 44 (quarenta e quatro!) as propostas de solução recebidas, relativas ao enigma “Abílio Vai à Bola” da autoria de Daniel Gomes, o que significa um acréscimo de cerca de 30% de concorrentes face ao número de participantes na edição anterior. Mais trabalho, portanto, para o orientador da secção, que se obrigou a ler por diversas vezes boa parte das soluções classificadas com a pontuação máxima até conseguir determinar, sem problemas de consciência, aquelas que seriam merecedoras dos pontos suplementares destinados “às melhores”. Não foi nada fácil a tarefa, atendendo à excelente qualidade da maioria dos relatórios recebidos. Ou seja, caros leitores: a época promete!
Alguns “detetives” lamentaram, porém, a temática do enigma em apreço, por entenderem não se enquadrar no género “policiário”. Outros, todavia, saudaram a qualidade da narrativa do enigma, que, recordamos, constitui apenas a segunda incursão do autor na produção deste género de escrita. E a verdade é que, apesar da aparente fragilidade do enunciado do problema e das suas características, alguns dos solucionistas não conseguiram escapar aos primeiros tropeções da competição. Nada que não se corrija, contudo, com o decorrer da prova, uma vez que ainda há muito “torneio” pela frente. São dez os enigmas a decifrar e muitos os pontos a conquistar ou... a perder. E tudo pode acontecer. Razão por que se recomendam sempre leituras cuidadas e atentas aos mais ínfimos pormenores, bem como soluções o mais elaboradas e detalhadas possível.

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”         
Solução da Prova nº. 1                     
“Abílio Vai à Bola”, de Daniel Gomes
Resposta certa: alínea C – Validou o golo.
Este problema tem polícia mas não tem crime para investigar ou criminoso para acusar. Tem no entanto leis para fazer respeitar e cumprir. E leis são leis, quer sejam as do código civil, do código penal ou... do International Football Association Board, órgão responsável pela regulamentação das regras do futebol, que fixou na Lei 11 desta modalidade desportiva, que “um jogador encontra-se em fora de jogo se estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário”. Acontece, porém, que aquele atleta “não se encontra em posição de fora de jogo se estiver no seu próprio meio campo”. 
Assim sendo, o jogador que marcou o golo da equipa visitada não se encontra fora de jogo, uma vez que recebeu a bola no meio campo do seu clube. Recorde-se que no enunciado do problema refere-se que no início do jogo, “a equipa da casa está a ser completamente esmagada por um ataque demolidor da turma adversária, que a remete para o seu meio campo”, e que, depois, na segunda parte do desafio, passados mais quarenta minutos do jogo, “tudo se mantém inalterado”. Ou seja, quando o guarda-redes “lança” a bola “com as forças que lhe restam” para o seu colega adiantado no terreno de jogo, este está ainda no seu meio campo. Dessa forma, o golo tem de ser validado.
Ora, se o golo é válido e o árbitro decidiu acertadamente, apenas poderão estar corretas a alínea C ou a alínea D. Mas, como o guarda-redes forasteiro não cometeu nenhuma falta, já que não há nada na Lei do Jogo que o impeça de estar adiantado, longe da baliza que lhe compete defender, não se justifica de forma alguma que seja punido. Ele ter-se-á limitado a acompanhar a corrida desenfreada do atacante adversário, correndo às arrecuas, sofrendo depois o vexame de ser alvo de um belo chapéu que levou a bola a anichar-se nas redes à sua guarda. Ou seja, só a alínea C pode estar correta, uma vez que, como já se disse atrás, o árbitro tomou a decisão acertada.
Pontuação/Classificação (após a 1ª. Prova)
A esmagadora maioria dos nossos “detetives” acabaram por não ter grandes dificuldades em sair vitoriosos neste confronto com o enigma de Daniel Gomes, que trouxe até nós uma modalidade desportiva que arrasta grandes massas de adeptos, entre os quais se contam muitos dos que fazem do policiário o seu passatempo preferido. Contudo, alguns deles não escaparam aos primeiros dissabores no torneio, como se pode constatar na tabela classificativa que se segue:
1º. Detetive Jeremias: 13 pontos;
2º. Rigor Mortis: 12 pontos; 
3º. Inspetor Moscardo (ex-Bigode): 11 pontos; 
4ºs. Airam Semog, Arc. Anjo, Bernie Leceiro, Broa de Avintes, Búfalos Associados, Carlota Joaquina, Charadista, Chico da Afurada, Donanfer II, Dragão de Santo Ovídio, Ego, Holmes, Inspetor Guimarães, Inspetor Mucaba, Mancha Negra, Ma(r)ta Hari, Pena Cova, Tempicos & Tempicas e Zé de Mafamude: 10 pontos;
23ºs. Abrótea, Beira Rio, Inspetor Madeira, Necas, Príncipe da Madalena, Santinho da Ladeira e Talismã: 9 pontos;
30ºs. Agata Cristas, Amiga Rola, Bota Abaixo, Detetive Bruno, Detetive Vasoff, Faina do Mar, Haka Crimes, Inspetor Mostarda, Martelo, Mascarilha, Mosca, Pequeno Simão, Solidário, Tó Fadista e Vitinho: 8 pontos.

CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!”       
Recordamos que a pontuação a atribuir a este enigma de Daniel Gomes pelos concorrentes do Torneio “Solução à Vista!” deve ser enviada juntamente com a proposta de solução ao enigma “Whisky Mortal”, de Rigor Mortis, publicado na passada edição. De acordo com o regulamento, os solucionistas dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir ao enigma, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade, a que se junta a pontuação atribuída pelo orientador da secção, apurando-se depois a média pontual que define a sua classificação.

CONTACTOS DO ORIENTADOR
Relembramos aos nossos leitores os endereços para os quais poderão enviar as soluções das provas do torneio de decifração, bem como as pontuações atribuídas aos enigmas que disputam o concurso de produção, ou para qualquer outro assunto relacionado com a secção: 
- correio postal: AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
- correio eletrónico: salvadorpereirasantos@hotmail.com.


 
sexta-feira, julho 05, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de julho de 2019
     INSPETOR JOÃO VELHOTE DESVENDA MAIS UM CRIME
Publicamos hoje, sem mais delongas devido a sua extensão, o enigma que constitui a segunda prova do nosso torneio de decifração, da autoria do criador do inspetor João Velhote:

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        
Prova nº. 2            
“Whisky Mortal”, de Rigor Mortis
Tomás Cerqueira era um velho azedo e sorumbático, incapaz de um gesto simpático. Mas tinha tido sempre um agudo sentido para os negócios, nem sempre limpos. Tal engenho, aliado à sua crueldade intrínseca, tinham-lhe permitido ir-se apropriando de uma apreciável fortuna. De pouco lhe valia essa fortuna. Vivendo só, sem familiares conhecidos, desprezava luxos e pouco uso fazia do dinheiro. Uma moradia grande, mas velha, com muitos móveis antigos, mas estragados com o tempo e o uso, eram os seus sinais aparentes de riqueza. Raramente saía de casa. Aí vivia também o único empregado, José Machado, que em muitos anos de serviço se tinha habituado aos humores do patrão.
Visitas, apenas duas. O seu secretário, o Santos, vinha todos os dias úteis e aos sábados de manhã. Tratava da contabilidade, do correio e de alguma carta que o patrão quisesse escrever. A outra era um amigo de antigamente, o Norberto Ávila. A amizade entre os dois já não era nada que parecesse com a desses tempos, mas o Norberto continuava a visitá-lo de quando em vez.
Tomás tinha um hábito arreigado. Sábado ao fim da manhã, quando o Santos e o Machado começavam a folga de fim-de-semana, fechava-se à chave na parte da casa onde estava o seu escritório, o quarto e uma casa de banho. Duas garrafas de whisky, uma dúzia de garrafas de água Perrier e uns iogurtes guardados num pequeno frigorífico que estava no escritório, era tudo o que precisava durante o fim-de-semana. Quando o Norberto o visitava, um domingo ou outro à tarde, encontrava-o sempre bem bebido, mas nunca ébrio.
Naquele domingo, pelas cinco horas, Norberto Ávila bateu à porta, mas ninguém lha abriu. Depois de várias insistências, perante a estranheza do facto, ocorreu-lhe que o Tomás poderia ter tido algum problema de saúde. À falta de melhor, resolveu ligar ao 112.
Minutos depois chegou ao local um carro da polícia. Norberto explicou a situação. Os agentes deram uma volta à casa, espreitando pelas janelas fechadas. Ao olhar pela do escritório do Tomás, viram um homem sentado num sofá de orelhas, que o Norberto identificou como sendo o Tomás Cerqueira. Resolveram forçar a porta de entrada. Entraram em casa e encontraram a porta do escritório fechada à chave, por dentro. Arrombaram a porta.
Tomás estava sentado, cara contorcida, vestígios de espuma e saliva nos cantos da boca retorcida, mãos enclavinhadas nos braços do seu sofá preferido. Morto, seguramente envenenado. Na mesinha ao lado, um telefone, uma garrafa fechada de whisky e outra aberta, ainda com um dedo de álcool, uma colher e um copo, menos de meio com um líquido claro, aparentemente mistura de whisky e gelo derretido. Do outro lado do sofá, em cima do pequeno frigorifico, uma dúzia de garrafas de água Perrier e duas cuvetes de gelo de plástico branco, umas e outras vazias.
O inspetor João Velhote entrou na moradia e dirigiu-se ao escritório. Certificando-se da morte do Tomás Cerqueira, mandou os agentes fazer uma busca pela casa e interrogou o Norberto:
- Amigo do falecido? Qual era o nome dele? E o deu? Costumava visitá-lo com frequência?
- Chamo-me Norberto Ávila. Sim, sou amigo do Tomás Cerqueira desde há muitos anos. Costumo visitá-lo aos domingos à tarde, uma ou duas vezes por mês, não mais. Sei que ele costuma passar o fim-de-semana sozinho em casa, sempre lhe fazia um pouco de companhia.
Regressando a casa, José Machado entrou nessa altura no escritório.
- E você, quem é?
- José Machado, empregado do senhor Cerqueira. Acabo de gozar a minha folga de fim-de-semana. O que aconteceu?
- O seu patrão morreu envenenado, parece que com o whisky que esteve a beber.
- Não pode ser! – exclamou o Machado – As duas garrafas estavam seladas de fábrica quando as trouxe ontem ao fim da manhã! Como sempre, era uma exigência do senhor Cerqueira! Bem como as garrafas de Perrier!
- Perrier no whisky?... – perguntou o Velhote.
- Não exatamente. O senhor Cerqueira apenas põe gelo no whisky, mas esse gelo é feito com água Perrier, aqui mesmo, naquele frigorífico. Trago-lhe as garrafas seladas de whisky e de água e é ele mesmo que enche – enchia, desculpe – as cuvetes e as punha no frigorífico. Era também ele que lavava sempre as cuvetes e o copo…
- Ele costumava beber todos os dias?
- Bebia só no fim-de-semana, mas aí eram sempre duas garrafas de whisky…
O inspetor espreitou dentro do frigorífico: seis iogurtes intocados, no congelador quatro cuvetes de gelo, uma delas meio vazia.
- Quando é que deixou o falecido, este fim-de-semana?
- Saí por volta das onze e meia da manhã. Trouxe-lhe os iogurtes e as garrafas de whisky e de Perrier, que deixei aqui, despedi-me e saí. O senhor Cerqueira ficou ainda com o senhor Santos, que deve ter saído pouco depois, como de costume.
Mandado buscar a casa, o Santos chegou uma meia hora depois. Entretanto, os agentes terminaram a busca, sem encontrarem nada de relevante. Informado da morte do Tomás Cerqueira, o Santos foi também submetido ao interrogatório do inspetor João Velhote.
- A que horas deixou ontem o senhor Cerqueira?
- Minutos depois do Machado. O senhor Cerqueira tinha ido lavar as cuvetes à casa de banho e veio pô-las em cima do frigorífico. Informei-o de que na próxima semana tínhamos de tratar do IMI, despedi-me e saí, enquanto ele foi novamente à casa de banho lavar o copo e a colher. Quando estava a vestir o casaco, no vestíbulo, ouvi-o a fechar a porta do escritório à chave, como sempre fazia.
- Gostava do seu patrão?
- Bem… A verdade é que ninguém gostava dele…
João Velhote mordiscou o lábio superior, expondo os incisivos inferiores por baixo do bigode grisalho, como sempre fazia quando mentalmente resolvia algum caso.
- Isto foi tudo bem imaginado, sem dúvida! Mas não o suficiente… Leve este senhor detido para a esquadra!

DESAFIO AO LEITOR 
Caro leitor, até ao próximo dia 30 de julho, responda a estas três questões: Quem mandou o inspetor João Velhote deter? Como foi executado o homicídio do Tomás Cerqueira? Que provas poderá o inspetor apresentar para consolidar a acusação?
Recordamos entretanto que, juntamente com a solução desta prova, deve enviar a pontuação atribuída ao enigma que constituiu a prova inaugural do torneio, da autoria de Daniel Gomes. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado).
 
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