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sábado, novembro 16, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de novembro de 2019
DETETIVE JEREMIAS ISOLA-SE NA LIDERANÇA A MEIO DO TORNEIO
Cumpridas que estão metade das provas, Detetive Jeremias volta a isolar-se na frente da classificação do Torneio “Solução à Vista!”, ao obter a pontuação máxima na decifração do enigma de Búfalos Associados, que têm sido os seus principais opositores na disputa pela liderança.

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”         
Solução da Prova nº. 5                     
“… E Também não é uma Cebola”, de Búfalos Associados
No dia seguinte houve nova reunião em casa do inspetor Garrett para apresentação das soluções dos desafios lógicos da véspera. Os resultados foram brilhantes. 
Começando pelo problema dos 31 fósforos, o inspetor apresentou a seguinte dedução:
-“É evidente que o jogador que inicia o jogo pode garantidamente ganhar se deixar sempre para o adversário quatro ou um múltiplo de quatro fósforos. Assim na sua primeira jogada retira 3 fósforos deixando 28 para o adversário jogar, portanto um múltiplo de 4. E vai repetir sempre o processo, de modo a deixar sempre um múltiplo de 4 na mesa. Se o adversário tirar 1 fósforo ele retira 3, se tirar 2 ele retira 2, se tirar 3 ele retira 1. Assim, o número de fósforos em cima da mesa vai sendo sucessivamente de 28, 24, 20, 16, 12, 8 e 4. Quando ficam apenas 4, o segundo jogador não pode evitar perder o jogo, qualquer que seja a jogada que faça. 
A seguir, ao ceder a primeira jogada ao inspetor, o Eugénio, na ânsia de não perder, teve a esperteza saloia de mudar o número inicial de fósforos para 32, começando logo aí o processo dos múltiplos de 4. Só que isso acabou por revelar o truque dos múltiplos de 4 que assim foi descoberto. 
Quanto ao desafio da ilha do Pacífico, dos verdadeiros, dos mentirosos e dos assim assim, a resposta é surpreendentemente fácil. Desde logo o primeiro a responder, que diz ser FALK, não pode ser VERK porque se o fosse teria de falar verdade e então não seria FALK. Mas também não pode ser FALK, porque se o fosse estaria a ser verdadeiro o que não lhe seria permitido como FALK. Então é de certeza ALTERN, e está a mentir. 
O segundo, que diz ser ALTERN, está certamente a mentir porque o ALTERN daquele grupo é o anterior. Logo é FALK e mente, claro. Por exclusão de partes o terceiro só pode ser VERK. Nem precisou de falar. 
Vejamos agora o segundo grupo de três. Quem poderá ser o VERK deste grupo? O quarto e o quinto não podem ser, porque se o fossem estariam a mentir, o que não é próprio dos VERK. Então só o sexto é que pode ser o VERK. E sendo ele o que fala sempre verdade, é porque, como ele diz, o quarto é mesmo o ALTERN do grupo, o qual, dessa vez, teria falado verdade mas como ALTERN. Portanto o quinto que falou é que é o FALK, e mentiu, claro, quando disse ser ALTERN. 
Estes temas foram inspirados nas páginas DESAFIOS que, tal como as do POLICIÁRIO, desapareceram inexplicavelmente das edições do jornal PÚBLICO dos domingos. 
E mais uma vez se prova que a lógica não é nem uma batata, nem uma cebola... É lógica. E pode ser para todos.” 
Foi a vez dos manos Cesário e Eugénio apresentarem a sua lista de falsidades contidas na notícia do jornal. E foram seis: 
01.- A viagem de circum-navegação, iniciada sob o comando de Fernão de Magalhães, foi ao serviço e com o patrocínio do Rei de Espanha, Carlos I (mais tarde Carlos V) e não ao serviço de Portugal e do Rei D. Manuel I, sendo portanto abusivo dizer-se que honrou mais Portugal do que a Espanha. 
02.- Tanto a partida como a chegada não tiveram nada a ver com Lisboa, mas sim com Sevilha, ou melhor, com o porto de Sanlúcar de Barrameda, na foz do rio Guadalquivir. 
03.- Na partida saiu de facto uma armada de cinco navios e centenas de mareantes, mas após as tremendas dificuldades ocorridas durante vários anos na viagem, chegou a Espanha apenas um, de seu nome Victória, com dezoito tripulantes num estado deplorável de doença e mal-nutrição. 
04.- Fernão de Magalhães não concluiu a viagem não voltando pois à Europa. Foi morto a meio da empresa, em combate, perto das atuais Filipinas e substituído por um tripulante chamado Juan Sebastián Elcano que comandou a partir daí. 
05.- A chegada à Europa foi no dia 6 de Setembro de 1522 e não a 6 de Outubro de 1582. 
06.- O principal objetivo da viagem não terá sido provar que a terra era redonda, coisa que já era conhecida na Europa e foi mesmo a razão da viagem. Copérnico já o confirmara no princípio do século ao trabalhar na tese heliocêntrica, a qual só viria a ser tornada pública em 1543 aquando da sua morte. A viagem de circum-navegação iniciada por Magalhães veio no entanto confirmar na prática o que já era sabido antes. Mas o principal objectivo era assaltar as riquezas das Índias orientais, especiarias e outras, mas atingidas navegando para ocidente para evitar encontros com os barcos portugueses. Um dos feitos de Magalhães terá sido procurar e encontrar, navegando para Sul, o estreito que hoje tem o seu nome e que permite passar do Atlântico Sul para o Pacífico sem chegar aos mares gelados da Antártida.”
Aí o inspetor Garrett interrompeu para dizer aos jovens que afinal não tinham investigado todos os pontos naquela frase. Havia mais uma falsidade e muito importante, o que passava o número delas de seis para SETE. E concluiu: 
“07.- A data indicada, a de 6 de Outubro de 1582, também nunca seria possível pela simples razão de que essa data nunca existiu. Este é um truque que já foi usado para apanhar os incautos em problemas policiais. Quando o Papa Gregório XIII decretou a abolição do calendário Juliano, para acerto de datas, o mundo passou do dia 5 de Outubro de 1582 do calendário Juliano para o dia 15 de Outubro do Gregoriano, tendo sido omitidos da História qualquer coisa como os dez dias intermédios. Felizmente, a viagem de Magalhães tinha já ocorrido cerca de sessenta anos antes. E aconteceu mesmo, apesar dos muitos problemas.”
Pontuações/Classificação (após a 5ª. Prova)
A esmagadora maioria dos concorrentes não teve dificuldades em resolver os jogos dos fósforos ou os desafios da ilha do Pacífico. Porém, algumas das falsidades contidas na notícia da viagem de circum-navegação escaparam à perspicácia de mais de metade dos nossos detetives. E poucos referiram que a data 6 de Outubro de 1582 nunca existiu... E assim vai a classificação:
1º. Detetive Jeremias (49+13): 62 pontos;
2º. Búfalos Associados (49+12): 61 pontos;
3º. Inspetor Moscardo (42+11): 53 pontos; 
4ºs. Ego (41+10) e Tempicos & Tempicas (41+10): 51 pontos;
6º. Rigor Mortis (40+10): 50 pontos;
7º. Zé de Mafamude (39+10): 49 pontos;
8ºs. Donanfer II (38+10), Inspetor Mucaba (38+10) e Ma(r)ta Hari (38+10): 48 pontos;
11ºs. Bernie Leceiro (36+10) e Carlota Joaquina (36+10): 46 pontos;
13ºs. Holmes (35+9) e Mancha Negra (35+9): 44 pontos;
15ºs. Bota Abaixo (33+10), Charadista (33+10), Martelo (34+9), Mascarilha (33+10), Mosca (33+10) e Pena Cova (34+9): 43 pontos; 
21ºs. Chico da Afurada (34+8), Detetive Bruno (33+9), Detetive Vasoff (33+9), Faina do Mar (34+8), Haka Crimes (33+9), Inspetor Madeira (32+10), Príncipe da Madalena (34+8), Necas (33+9) e Talismã (34+8): 42 pontos;
30ºs. Dragão de Santo Ovídio (32+9), Inspetor Guimarães (33+8), Inspetor Mostarda (32+9) e Tó Fadista (32+9): 41 pontos;
34ºs. Abrótea (35+5), Amiga Rola (32+8), Arc. Anjo (33+7), Beira Rio (32+8) e Broa de Avintes (33+7): 40 pontos; 
39ºs. Agata Cristas (30+9), Pequeno Simão (31+8), Solidário (31+8) e Vitinho (30+9): 39 pontos;
43º. Santinho da Ladeira (31+7): 38 pontos;
44º. O Madeirense (20+10): 30 pontos;
45ºs. Moura Encantada (18+10) e Oluap Snitram (18+10): 28 pontos;
47º. Airam Semog (26+0): 26 pontos.

CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!”       
As avaliações feitas pelos solucionistas em prova e pelo orientador da secção ao enigma “O Caso do Capitão Venâncio” do confrade A. Raposo, resultaram na seguinte pontuação média final: 8,20 pontos. Desta forma, quando ainda são apenas conhecidas as pontuações atribuídas a quatro dos nove enigmas a concurso, a tabela classificativa está assim ordenada:
1º. “Whisky Fatal”, de Rigor Mortis: 8,40 pontos;
2º. “O Caso do Capitão Venâncio”, de A. Raposo: 8,20.
3. “O Estranho Caso da Falsa Mobilidade”, de Bigode: 7,60 pontos;
4º. “Abílio Vai à Bola”, de Daniel Gomes: 6,20 pontos.




 
sábado, novembro 02, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de novembro de 2019
UM NOVO CONCURSO DE CONTOS POLICIAIS EM MARCHA
Com os nossos torneios de decifração e de produção de enigmas policiais em velocidade de cruzeiro, preparamo-nos agora para dar inicio a um novo concurso de contos. “Um Caso Policial em Gaia” continuará a ser o mote da segunda edição deste concurso, que terá como única obrigação temática o local da ação dos trabalhos, que deverão ocorrer neste concelho do norte do país situado a sul da cidade do Porto. E para que os potenciais concorrentes possam começar desde já a produzir os seus originais, podemos também adiantar que o concurso está aberto a todos, sem quaisquer condicionalismos de idade ou nacionalidade, que se queiram aventurar na escrita de ficção policial, podendo apresentar mais do que um original desde que o façam com pseudónimos diferentes. 
Acrescentamos ainda que os trabalhos deverão ser escritos em língua portuguesa e ter obrigatoriamente o mínimo de duas páginas de formato A4 e o máximo de quatro, escritas a 1,5 espaços, na fonte Times New Roman e com o corpo de letra 12. Por último, duas informações fundamentais: 1) os originais a concurso podem ser enviados a partir de 1 de janeiro do próximo ano, através do email do orientador da secção (salvadorpereirasantos@hotmail.com); 2) a avaliação será feita pelos próprios leitores do AUDIÊNCIA GP, que pontuarão cada conto logo após a sua publicação, numa escala de 5 a 10 pontos, em função da qualidade e originalidade. Em próximas edições explicaremos melhor este processo. Para já, o que importa é ir deitando mãos à escrita...
Entretanto, prosseguem os nossos torneios em curso, com a publicação do enigma que constitui a prova nº. 6 de “Solução à Vista!”, de um dos mais destacados policiaristas nacionais:

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”         
Prova nº. 6            
“Crime Leaks”, de Daniel Falcão
Gustavo Santos está sentado, numa solarenga manhã de domingo, na esplanada do Café-Restaurante Sítio do Costume. Continua a rodar a colher dentro da chávena defronte de si, enquanto observa com alguma curiosidade a primeira página do jornal Matutino, pousado sobre a mesa. 
Nos últimos dias, as notícias daquele teor têm surgido a conta-gotas. Dia após dia iam sendo libertados fragmentos de relatórios criminais. “Crime Leaks”, assim era apelidada pelos meios noticiosos estas fugas de informação. Mais um “leak” a juntar-se a vários outros, o que levava muitos a perguntarem sobre qual seria o próximo, numa época em que tudo vinha a público, mesmo as informações mais privadas. 
Gustavo Santos abre o jornal e lê atentamente a mais recente fuga de informação que aparece reproduzida na terceira página. O texto em causa divulga informações, que deviam ser confidenciais, sobre o homicídio de Manuel José Carvalho, ocorrido em finais de dezembro de 2018. 
Pela leitura do texto publicado, ficava-se a saber que a vítima fora encontrada no seu escritório pelo companheiro. Este afirmara que, assim que deparou com o corpo, imediatamente ligara às autoridades. Os agentes destacados para o local não tiveram dificuldade em concluir, pelas peças partidas, pelos móveis deslocados e pelos papéis espalhados pelo chão, que ali ocorrera uma violenta disputa. Disputa que teria terminado com a vítima a ser fortemente golpeada na cabeça com o pisa-papéis, encontrado mesmo ao lado do corpo. 
Alexandre Miguel Duarte, assim se chamava o companheiro da vítima, declarara que naquela noite saíra com uns amigos comuns, mas que o Manuel ficara em casa, pois tinha agendado receber uns clientes, situação que ocorria com alguma frequência. Acrescentara ainda que, ao chegar a casa, pouco depois da meia-noite, se apercebera que o companheiro ainda estaria no escritório, pois a luz estava acesa. Decidira não interromper e subira para o quarto, situado no primeiro andar, adormecendo mal se deitara na cama. Seriam umas cinco horas da manhã quando acordou e reparou que o Manuel ainda não se deitara. O que achou estranho. Desceu as escadas, bateu à porta do escritório e, como a luz continuava acesa e não teve qualquer resposta, abriu a porta e entrou. Foi nessa altura que deparou com o escritório todo desarrumado e com o corpo do companheiro. 
Segundo o relatório policial, a vítima tinha próximo da sua mão esquerda uma magnífica espátula para abrir cartas, com cabo em madrepérola e lâmina em tartaruga natural. Desta vez, a espátula teria servido para marcar o soalho com o que parecia ser um número: 942. Qual seria o seu significado? Era algo que ainda estava por esclarecer. Se é que significava alguma coisa. 
O agente responsável chegou a questionar o companheiro da vítima, ainda no local, sobre quem seria a pessoa ou pessoas com quem Manuel José Carvalho tinha agendado reunir. Num primeiro instante, o inquirido manifestou desconhecimento. Logo depois acrescentou que, nos últimos dias, havia alguns assuntos que ocupavam muito do tempo do companheiro, envolvendo dois clientes: Francisco João Sá e Isidro Diogo Baganha. Suspeitava que a reunião teria sido marcada com algum deles, mas não sabia qual. 
As últimas informações disponíveis sobre este caso referiam que o companheiro da vítima, segundo as suas próprias declarações, saíra de casa pouco depois das oito horas, tendo chegado ao local do encontro, a cerca de uma dezena de quilómetros, cerca de meia hora depois, pois era muito cuidadoso na condução. 
Gustavo Santos leu e releu os elementos agora divulgados e começava a ter uma ideia do que sucedera na noite do crime. 

DESAFIO AO LEITOR
E o leitor também tem alguma teoria? Em caso afirmativo, desenvolva essa teoria, sustentando-a com os factos disponíveis. E envie depois o respetivo relatório para o organizador da secção, até ao próximo dia 30 de novembro, através dos seguintes meios:
- por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
- por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.
E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou pseudónimo adotado), nem de remeter juntamente a pontuação atribuida ao enigma “… E Também não é uma Cebola“, de Búfalos Associados, para efeitos de classificação no concurso “Mãos à Escrita!”.


 
enigmas e contos policiais

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