TODOS OS CAMINHOS POLICIÁRIOS VÃO DAR A
SINTRA
Faltam
poucos dias para que todos os caminhos do policiário tenham como destino a vila
de Sintra, mais concretamente o lugar de São Pedro de Sintra, onde se situa o
restaurante Taverna dos Trovadores (praça D. Fernando II, nº 18), para mais um
Convívio Nacional do Policiário, organizado pela Tertúlia Policiária da
Liberdade (TPL). A ementa do repasto é já conhecida, destacando-se as excelentes
entradas (onde sobressaem queijos regionais e enchidos variados), os apetitosos
pratos de carne (arroz de pato à portuguesa e salada) ou peixe (bacalhau do campo
– com legumes – gratinado no forno) e as deliciosas sobremesas (pudim flan, farófias,
mousse chocolate, cheesecake de frutos vermelhos e fruta variada), sem esquecer
o acompanhamento das respetivas bebidas (águas, refrigerantes, cerveja,
sangria, vinho e café). Tudo por 27,50 euros.
Quanto
ao programa do evento, o destaque vai naturalmente para a entrega dos prémios
conquistados no Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário” da revista
Mundo de Aventuras (1975-2025), nas vertentes da decifração e produção, estando
ainda prevista a entrega dos prémios relativos ao “Torneio de Verão-Nove” e ao
Problema Desenhado a Prémio do Convívio de 2025, para além da já tradicional
homenagem da TPL a um policiarista recentemente desaparecido. E não se ficam
por aqui as surpresas! Mas… como são surpresas, mais não podemos dizer. O que
podemos dizer, isso sim, é que quem marcar presença não se vai arrepender. E, a
propósito, lembramos que os membros da “tribo policiária” que queiram marcar
presença devem fazer a respetiva inscrição através do email do orientador d’ O
Desafio dos Enigmas (salvadorsatos949…gmail.com) ou do telemóvel 917340400, onde
se prestará também todas os esclarecimentos julgados necessários. Vamos fazer
deste Convívio uma Festa?! Vamos a isso!
TORNEIO
DE DECIFRAÇÃO “SOLUÇÃO À VISTA!”
PONTUAÇÕES
DO 4º PROBLEMA
Em
resultado do cumprimento dos critérios de pontuação e dos fatores de valorização para atribuição dos
pontos especiais abaixo mencionados, o
nosso confrade O Gráfico conquistou mais uma vez a pontuação máxima (10 pontos+3)
nesta quarta etapa do torneio, seguido de Detetive Jeremias (10 pontos-2) e de Búfalos
Associados (10 pontos+1). Com 10 pontos, foram classificados 27 detetives: Bernie
Leceiro, Clóvis, Columbo, Detetive Verdinha, Detetivesca, Diógenes de Sinope, Dona
Sopas, Edomar, Faria, Fotocópia, Haka Crimes, Inspetor 27797, Inspetor
Moscardo, Inspetor Mucaba, Inspetor Ryckyi, Mali, Mancha Negra, Mandrake
Mágico, Ma(r)ta Hari, Mosca Morta, Mula Velha, Os Super Heróis do Policiário, Paulo,
Pena Cova, Pintinha, Veni Vidi Vici e Virmancaroli. Com 7 pontos surgem depois 8
concorrentes: Chica Fininha, Chico da Afurada, Dragão Vermelho, Fantasma de
Lanborim, Inspetor Mokada, Príncipe de Arcozelo, Santinho da Ladeira e Visconde
das Devesas, E, a finalizar, surgem, com apenas 6 pontos, os nossos seguintes
confrades: Inspetor Pevides, Xerife de Valadares e Zé de Mafamude.
CRITÉRIOS DE
PONTUAÇÃO/CLASSIFICAÇÃO DO ORIENTADOR
- Referência às
seguintes incongruências do discurso de Rui:
1. Como é que
cerca de 1 hora depois de estacionar o carro, ele já estava na polícia (+ou- 9h15),
alegadamente após fazer compras numa loja que só abre às 10h00? – 4 pontos.
2. Como é que,
com um intenso nevoeiro, conseguiu ele ver ao longe, de forma tão pormenorizada,
os vários elementos identificadores do suposto assaltante e da sua indumentária?
– 3 pontos.
3. Como é que,
nestas circunstâncias (intenso nevoeiro), conseguiu ele ver de muito longe a matrícula
do carro (branco!...) do alegado assaltante em movimento rápido? – 3 pontos.
Fatores de
valorização para atribuição dos pontos especiais: qualidade e clareza da narrativa,
originalidade na abordagem ao tema, criatividade nos meios e modos utilizados,
imaginação na forma de apresentação da solução, referência a pormenores que não
sejam fundamentais para a resolução do problema e enriqueçam a narrativa do
ponto de vista literário ou artístico.
CLASSIFICAÇÃO
GERAL (APÓS A 4ª PROVA)
Face
aos resultados acima referidos, a classificação geral atual do torneio “Solução
à Vista!” apresenta agora a seguinte configuração: o primeiro lugar continua a
ser ocupado por O Gráfico (40 pontos + 9), acompanhado no pódio por Detetive
Jeremias (40 + 7 pontos) e Dona Sopas (40 pontos + 2). No quarto lugar da
tabela surgem Diógenes de Sinope e Inspetor Mucaba (ambos com 40 pontos). Na sexta
posição, surge isolado Inspetor Moscardo (39 pontos + 1). No sétimo lugar da
tabela surgem Bernie Leceiro e Faria (ambos com 39 pontos), seguidos, no nono
lugar, por Mandrake Mágico (38 pontos) e por Inspetor 27797, Paulo e Veni Vidi
Vici, no décimo lugar (com 37 pontos). Na décima terceira posição (com 36
pontos), surgem depois Ma(r)ta Hari, Haka Crimes e Pena Cova, seguidos, na décima
sexta posição, por Mali (35 pontos + 2), e por Pintinha, na décima sétima
posição, por Pintinha (35 pontos + 1). No décimo oitavo lugar, surge isolada
Detetive Verdinha (35 pontos), seguida, no décimo nono lugar, por Búfalos
Associados (34 pontos + 1). No vigésimo lugar, surgem Inspetor Pevides e Os
Super Heróis do Policiário (34 pontos), seguidos de Mancha Negra, no vigésimo segundo
lugar (33 pontos), e por Detetivesca (32 pontos + 1), no vigésimo terceiro
lugar, e Mosca Morta (com 32 pontos), no vigésimo quarto lugar.
Na segunda metade da tabela, surgem, no
vigésimo quinto lugar, Clóvis e Zé de Mafamude (com 31 pontos), seguidos, no
vigésimo sétimo lugar, por Fotocópia, e Mula Velha (com 30 pontos). No vigésimo
nono lugar, surgem a confrade Chica Fininha e Xerife de Valadares (ambos com 29
pontos), seguidos, no trigésimo primeiro lugar, por Columbo (com 28 pontos) e
por Edomar e Virmancaroli, que ocupam o trigésimo segundo lugar (com 27
pontos). O trigésimo quarto lugar é ocupado por Chico da Afurada, Dragão
Vermelho e Inspetor Mokada (com 26 pontos), logo seguidos, no trigésimo sétimo
lugar, por Santinho da Ladeira (com 25 pontos) e por O Pegadas e Visconde das
Devesas, no trigésimo oitavo lugar (com 24 pontos). Por fim, na cauda da tabela
classificativa, surgem Fantasma de Laborim (que ocupa o quadragésimo lugar, com
23 pontos), Inspetor Ryckyi e Príncipe de Arcozelo (no quadragésimo primeiro lugar,
com 20 pontos). E, por último, no quadragésimo terceiro lugar, surge EGO, o
lanterna vermelha (com 14 pontos).
PONTUAÇÃO
ATRIBUIDA AO PROBLEMA Nº 3
O
enigma “To Rome With Love”, de Bernie Leceiro, que constituiu o problema nº 3
do torneio “Solução à Vista!”, obteve os seguintes pontos da esmagadora maioria
(36) dos confrades que participam nesta prova de decifração e do orientador da
secção: 6 + 8 + 5 + 5 + 8 + 8 + 7 + 7
+ 7 + 6 + 7 + 5 + 5 + 7 + 7 + 8 + 6 + 8 + 7 + 6 + 10 + 5 + 6 + 6 + 6 + 5 + 8 + 6
+ 7 + 8 + 5 + 6 + 7 + 9 + 5 + 6 + 6, de que resulta uma pontuação média de 6,59
no concurso de produção “Mãos à Escrita!”, que neste momento (decorridas apenas
três provas) apresenta a seguinte classificação:
1º lugar: “Amor à Primeira Vista”, de O Gráfico: 7,60 pontos;
2º lugar: “A Vingança”, de Paulo: 7,20 pontos;
3º lugar: “To Rome With Love”, de Bernie Leceiro: 6.59 pontos.
Leceir
SOLUÇÃO
OFICIAL DO PROBLEMA 4 DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026
Problema nº 4
A Dívida, de Virmancaroli
Solução de Autor
Seguindo a sequência do enunciado do problema constata-se claramente qual
o trama a levar a efeito e os seus pressupostos. Rui estava claramente com uma
tremenda dificuldade em satisfazer uma dívida, estando mesmo em risco a perda
da casa e do carro. Pensou num plano com duas partes e logo tratou de o poder
levar a terreno.
Teria de começar por obter um seguro fraudulento e para isso pensou
contar com a ajuda de um amigo. O Plano era simples. A fraude passaria por
obter um bom seguro do ouro que ele possuía, juntando algum do amigo, para o
segurar. Mais tarde a devolução seria feita ao amigo e havia depois que ser
ressarcido pela seguradora do valor calculado na altura, pelo seguro do ouro,
quando a segunda parte do plano tivesse sido levada a efeito e assim certamente
teria dinheiro suficiente para satisfazer a dívida. Como era um “empresário”
que se dedicava à compra e venda de ouro, conhecido seria e não havia problemas
em fazer o dito seguro. Após então um encontro combinado com o amigo e anuindo
este ao proposto, apenas quis a garantia de 5% do valor total do seguro que o
Rui iria conseguir, mas isso nem constituiu problema e avançou-se mesmo…!
Aqui agora foi posto em marcha a segunda parte do plano que consistiria
no roubo do ouro como obviamente era necessário para fazer posteriormente a
participação na seguradora, havendo para isso que ter a nota de ocorrência das
autoridades, para confirmação do roubo e consequente participação do mesmo,
após a denúncia feita.
Agora e segundo o planeado ele teria de arranjar uma rua de trânsito de
sentido único onde pudesse estacionar e que não fosse muito longe do Fórum. Rua
encontrada a contento vamos em frente. Os factos estão narrados no texto, vidro
partido e afastamento do local para voltar “triunfante” mais tarde. Mas vamos
ás incongruências que o afastam claramente da verdade e o incriminam:
Rui disse que havia estacionado o seu carro por volta das 08h15 e voltado
uma hora depois (09h15), tendo-se deslocado seguidamente ao Fórum Quarto
Crescente onde comprou umas roupas na H & M. No entanto seria ainda
conveniente ele explicar porque deixaria o carro numa rua, mesmo sendo perto do
Fórum, aproximadamente a cerca de 15 minutos a pé e não utilizou o parque de
estacionamento da superfície comercial, pois todas o têm?
Mas adiante. Rui disse que depois estacionar ás 08h15, foi até ao Fórum.
Ora aqui tem de fazer um percurso em que gasta 15 minutos até ao Fórum, logo
mais 15 minutos para regressar do Fórum, somam cerca de 30 minutos o que coloca
entre as 08h30 e as 09h00 no Fórum, já que ele chegou ao carro uma hora depois,
saindo obviamente do Fórum ás 09h00. Perante estes tempos, fazer compra na Loja
da H & M, que só abria ás 10h00 é falso. O próprio amigo de Rui quando da
marcação do encontro no Fórum Quarto Crescente faz menção a este horário
(10h00) como abertura das Lojas. No entanto e como a permanência no fórum foi
de apenas 30 minutos (08h30 ás 09h00) e mesmo com lojas abertas seria de todo
pouco provável, fazer compras, o que aqui até nem é o caso. Com toda a
envolvência necessária em tempo real para o fazer. Uma grande mentira sem
dúvida alguma, já que as lojas só abriam ás 10h00. Disse ainda que quando
regressava do Fórum, e mesmo ainda bem longe, viu um indivíduo junto ao seu
carro, tendo mesmo feito uma descrição do mesmo, como de estatura baixa e usando
gorro, óculos de sol, luvas e fato de treino. Chegou mesmo a tirar a matrícula do
carro, que disse parecer ser de cor branca. Ora isto tudo estando ele ainda
longe do carro e numa manhã de intenso nevoeiro, será difícil de acreditar
mesmo. Claro que a perda do papel com a matrícula do carro é fictícia
naturalmente, por razões óbvias.
FATORES DE
PONTUAÇÃO/AVALIAÇÃO, sugeridos pelo autor:
1.O plano era que o
seu amigo lhe emprestasse algumas peças de ouro, que juntaria ao seu, para
posteriormente fazer um seguro de todo o ouro. Feito o seguro o
ouro emprestado seria de imediato restituído.
Aqui vamos reter
que esta ação seria para obter uma mais valia, pelo ouro, conseguindo-se um
seguro de valor elevado…!
2.
Combinou
encontrarem-se então por volta das dez horas, hora essa a que as lojas
abriam e. por conseguinte, também aproveitaria Alfredo para fazer umas
compras por lá.
Aqui vamos reter a
informação do horário da abertura das lojas no Fórum …!
3.
Domingo
de manhã bem cedo, por volta das oito horas e quinze minutos, por
sinal uma manhã bem fria e com intenso nevoeiro que assolava toda
a Vila, estacionou o seu automóvel.
Aqui vamos reter a
informação das horas em que o carro foi estacionado e o estado do tempo…!
4.
Dirigiu-se
até ao Fórum Quarto Crescente, afinal era perto dali, aproximadamente a cerca
de um quarto de hora de caminho.
Aqui vamos ter em
conta que o trajeto entre o local de estacionamento e o Fórum era cerca de 15
minutos para cada lado…! Portanto cerca de 30 minutos só em trajetos.
5.
Foi
ao Fórum, por sinal à H & M, comprar umas roupas.
Aqui vamos reter o
que foi feito em uma das lojas do Fórum…!
6.
Uma hora mais tarde, já o Rui entrava numa esquadra das redondezas
onde foi recebido por o polícia de piquete.
Aqui vamos reter a
informação das horas (09h15 aprox.) em que era feita a participação do
incidente…! O que, descontando os 30 minutos gastos em trajetos, o coloca no
Fórum cerca de 30 minutos.
7.
Quando
regressava ao carro, uma hora depois, e ainda
bem longe, vi um carro a arrancar quando um indivíduo entre esse carro e o meu
entrava apressadamente no carro que arrancava a grande velocidade.
Aqui vamos reter a
hora da chegada ao carro (09h15 aprox.) e o momento de constatar o que estaria
a acontecer e a distância na visualização do ocorrido…!
8.
Ainda
tirei a matrícula do carro, para um papel, que tenho algures por aqui.
mas nem sei já o que fiz dele com os nervos. Possivelmente acabei
por o perder.
Aqui vamos reter o
que aconteceu sobre a identificação da matrícula e o seu destino, pois seria
uma identificação inoportuna… e difícil de ver atendendo ao estado do tempo,
narrado!
9.
E
tem mais pormenores sobre quem viu a entrar no carro que estava junto ao seu ou
do outro carro mesmo? Sim, o indivíduo em questão tinha um gorro
na cabeça e óculos de sol bem escuros. Era de estatura
baixa. Tinha luvas e um fato de treino vestido segundo deduzi.
Já o carro era de cor branca me pareceu.
Aqui vamos reter
os pormenores que foram identificados sobre o individuo que fora visto a fugir
no carro e do próprio carro…!
EIS O QUINTO PROBLEMA DO TORNEIO “SOLUÇÃO
À VISTA!”
Com mais um grande Convívio Policiário no horizonte, agendado para o dia 31 deste mês, a partir das 12h30, no restaurante Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra, onde serão entregues os prémios conquistados pelos policiaristas que mais se distinguiram no Torneio do Cinquentenário de “Momento… Policiário” (Mundo de Aventuras – 1975-2025), bem como os prémios conquistados pelos participantes do “Torneio de Verão–Nove” e por Detetive Verdinha, vencedora do Problema Desenhado a Prémio (do Convívio de 2025), publicamos hoje o Problema nº 5 do Torneio “Solução à Vista!”, que decorre em paralelo com o Concurso “Mãos à Escrita!”.
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026
Problema nº 5
A Visita Noturna, de Vic
Key
Era a
primeira semana da reforma do professor Martins e ele não poderia estar mais
feliz. A bicicleta deslizava alegremente na luz dourada do entardecer. Uma
frescura consoladora exalava dos campos verdejantes e um aroma delicioso enchia
o ar. Percorria Portugal de bicicleta, com a escassa bagagem nos alforges, sem
pressas nem preocupações.
Seguia
pelas redondezas do Rio Minho, que lhe tinha proporcionado uma excelente tarde
de pesca às trutas. Numa curva do caminho, deparou com um edifício antigo e
pitoresco, que exibia o letreiro “Estalagem do Rio” e promessas da melhor sopa
de pedra da região. Apressou-se a descarregar a bicicleta e a acondicioná-la
sob o telheiro.
Depois
de jantar, foi convidado para uma animada partida de dominó. Ficou sentado
entre dois pitorescos hóspedes: à sua esquerda, o espirituoso Pinto, relojoeiro
de profissão e cómico de vocação. Não usava óculos, coisa rara no ofício. À sua
direita, o excêntrico Coelho, reformado e canoísta, sempre a censurar-se de “já
ser tão tarde e ainda estar acordado”, mas jogando com entusiasmo, rodopiando
cada peça com ar dramático antes de a bater ruidosamente na mesa – e no
processo enfiando o cotovelo na cara do nosso pescador de trutas. Do outro lado
da mesa, o compenetrado Raposo, ourives em viagem de negócios, contrastava com
a animação geral, sempre silencioso, considerando cada jogada com um ar grave e
sério. Talvez por deformação profissional, observava atentamente e comentava os
anéis e outras peças de ouro usadas pelos presentes.
A
empregada Rosa, uma jovem corada e de ar simpático, com um acentuado
estrabismo, abastecia os convivas de café e brandy. O Coelho parecia mais
apostado em fazê-la rir quando a bandeja vinha mais carregada. Tudo sob o olhar
divertido do dono da casa, Gonçalves de seu nome, anafado e jovial, como convém
a um estalajadeiro. Ao contrário do que é comum no ofício, não tinha pressa
nenhuma de mandar os fregueses para a cama e servia-se copiosamente de
conhaque.
Quando
se foi deitar, o professor Martins estava tão agradavelmente cansado que mal
conseguiu anotar alguns pensamentos no seu diário. Por volta das três da manhã,
foi acordado do seu sono tranquilo por um ruído invulgar. Havia mais alguém no
quarto! Um raio de luar caía precisamente sobre a sua bolsa de tabaco, pousada
numa cadeira ao pé da cama. Focou o olhar na obscuridade do quarto e
pareceu-lhe desenhar-se uma sombra humana! Da escuridão emergiram umas mãos
cautelosas que, para seu espanto e certo temor, desataram a vasculhar os seus
pertences. Ainda agarrou o intruso pelos pulsos, mas este libertou-se
violentamente, ferindo-lhe a mão com o relógio de pulso, e fugiu pelo corredor,
com passos ligeiros. Incrédulo e abalado, apressou-se a fechar a porta à chave.
Pela
manhã, desceu para o pequeno-almoço. Mal tinha começado a relatar o sucedido ao
dono da estalagem, uma jovem de longos cabelos castanhos transpôs a porta. De
estatura mediana, blusão de camurça com franjinhas, ar de cow-girl e botas a
condizer. “É a inspectora Zélia, que vem todos os dias aqui tomar café...”,
segredou o dono da casa. “Uma estrela em ascensão na Judiciária, ao que dizem!
Já lha apresento…”. Retorcendo as pontas do bigode, o professor Martins
apreciou o aperto de mão firme da notável polícia, e ficou espantado com
tamanha perspicácia, quando, em acto contínuo, ela lhe olhou para a mão
esquerda e perguntou, com um sorriso: “Andou à bulha com os gatos, senhor
professor?...”. A Inspectora ouviu o seu relato, observou atentamente todos os
presentes e ficou pensativa durante alguns momentos, e disse, com convicção:
“Creio que o seu visitante nocturno está aqui connosco, caro professor!”.
Chamou a pessoa de quem suspeitava e perguntou-lhe, sem rodeios: “Passeou muito
esta noite?...”. Entre desculpas atabalhoadas sobre “insónias” e “uma ligeira
cleptomania”, a sombra nocturna acabou por confessar as suas culpas, prometendo
solenemente que não repetiria a façanha. O professor Martins e o anfitrião
Gonçalves ficaram deveras impressionados com o raciocínio da inspectora, que
não deixou de aconselhar: “Para as insónias, experimente chá de camomila... ou
ainda acabam por lhe receitar chá de marmeleiro!...”.
Ficaram em silêncio a vê-la afastar-se, com as suas magníficas botas. O dono da casa estava exultante: “Eu não lhe disse que ela é sensacional? Desvenda mistérios enquanto bebe um café!”.
E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução
a este quinto problema, que devem ser enviadas até 31 de maio de 2026, através
dos seguintes meios:
a)
por email, através do endereço eletrónico
salvadorsantos949@gmail.com;
b)
por correio,
através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 /
2820-261 Charneca de Caparica;
c)
entregando em mão própria ao
orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução
deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 4º
problema do torneio, cuja solução de autor será publicada na próxima edição d’
O Desafio dos Enigmas.
A
pedido de vários policiaristas (amantes de futebol!), o Convívio
Policiário agendado para 24 de maio (data do jogo Sporting-Torreense,
da final da Taça de Portugal) será realizado no DIA 31 DE MAIO, às 12h30, na Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra (Praça D. Fernando II nº 18), durante o qual serão
entregues os prémios do Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário”
(revista Mundo de Aventuras – 1975-2025).
TERMINA NO PRÓXIMO DIA 30 DE ABRIL O PRAZO DE ENVIO DE PROPOSTAS DE SOLUÇÃO DO PROBLEMA 4 DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” – PARTICIPEM!!!
EI-LO:
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026
Problema nº 4
A Dívida, de Virmancaroli
Rui
andava desnorteado há já alguns dias, por causa de uma dívida por saldar. Tinha
de obter o dinheiro sob pena de ter de ficar sem a própria casa, já hipotecada
e o carro, ainda não totalmente pago.
Os
negócios de venda e compra do ouro, embora com subida de preços, não lhe
corriam nada bem, pelo que o levaram a uma situação desesperada. Tinha ainda
consigo algum ouro, mas insuficiente para satisfazer a dívida, e que era na
verdade um dos bens mais valiosos que possuía, mas que pensou ele, talvez lhe
viessem a servir ainda para o salvar da grave situação em que se encontrava.
Tinha que pensar num plano, mas primeiro havia que garantir que esse plano
daria certo, pois não lhe seriam permitidos erros, face à pressão dos credores.
Com o
tempo a escoar-se, ao fim de 2 dias de profunda reflexão, chegou a uma
conclusão não muito honesta: tinha de obter algum ouro mais, emprestado por um
amigo de longa data e também no mesmo ramo. A ele lhe iria expor a situação que
serviria para os seus propósitos sem expor este. O plano era que o seu amigo
lhe emprestasse algumas peças de ouro, que juntaria ao seu, para posteriormente
fazer um seguro de todo o ouro, pesando-o. Feito o seguro o ouro emprestado
seria de imediato restituído, ficando o Rui apenas com aquele que lhe
pertencia. Esta seria a primeira parte do plano. A segunda parte viria depois
e, quase que num imediato porque o tempo era pouco. A fase seguinte passava por
encontrar uma rua pouco movimentada, de trânsito de sentido único, perto do
Fórum Quarto Crescente, onde poucas pessoas passassem e, onde fosse permitido
estacionar.
Combinou
então com o Alfredo um encontro no Fórum Quarto Crescente, bem conhecido na
vila, para discutirem aí o assunto que Rui tinha em mente. Alfredo aceitou o
encontro nesse local e combinou encontrarem-se então por volta das dez horas,
hora essa a que as lojas abriam e, por conseguinte, também aproveitaria Alfredo
para fazer umas compras por lá. O encontro realizou-se e o plano teve plena
aceitação de Alfredo, mas sem não antes exigir 5% do valor total do seguro
conseguido, ao que Rui anuiu!
Logo
no dia seguinte iniciou a operação. Era Domingo de manhã bem cedo, por volta
das oito horas e quinze minutos, por sinal uma manhã bem fria e com intenso
nevoeiro que assolava toda a vila, estacionou o seu automóvel. Viu se havia
alguém nas redondezas, mesmo com fraca visibilidade, e partiu o vidro do carro
do banco traseiro, do lado do condutor.
Deixou
ali o carro e dirigiu-se até ao Fórum Quarto Crescente que afinal era perto
dali, aproximadamente a cerca de um quarto de hora de caminho. Uma hora mais
tarde, já o Rui entrava numa esquadra das redondezas onde foi recebido pelo
polícia de piquete, e começou a contar a sua história.
— O
caso é o seguinte, senhor Guarda: esta manhã, bem cedo, deixei o meu carro na
Rua do Laboratório e fui ao Fórum Quarto Crescente, por sinal à H&M,
comprar umas roupas.
Quando
regressava ao carro, uma hora depois, e ainda bem longe, vi um carro a arrancar
quando um indivíduo entre esse carro e o meu entrava apressadamente no carro
que arrancava a grande velocidade. Pouco depois ao chegar ao meu carro
deparo-me com um vidro partido e o desaparecimento de uma mala que continha
algum ouro. Sabe, eu sou negociante de ouro. Ainda tirei a matrícula do carro,
para um papel, que tenho algures por aqui, mas nem sei já o que fiz dele com os
nervos. Possivelmente acabei por o perder. O polícia acenou a cabeça e
pensativo, observou:
—Tem
alguma testemunha que estivesse por ali perto? Pode ser que tenha visto algo
mais.
—
Infelizmente, não.
— E
tem mais pormenores sobre quem viu a entrar no carro que estava junto ao seu ou
do outro carro mesmo?
Sim, o
indivíduo em questão tinha um gorro na cabeça e óculos de sol bem escuros. Era
de estatura baixa. Tinha luvas e um fato de treino vestido segundo deduzi. Já o
carro era de cor branca me pareceu, mas não identifiquei mais nada, a não ser a
matrícula do carro, que infelizmente não sei dela, como já lhe disse.
Isso
já é bom. Podemos começar a investigar por aí.
Mas
após alguns momentos de reflexão o polícia dispara:
Ah,
percebo... pretende arranjar um responsável para o suposto roubo por qualquer
motivo certamente!?
O Rui
sentiu as pernas fraquejarem-lhe e, pálido, deixou-se cair numa cadeira,
enquanto o polícia procurava avaliar a sua reação!
Pede-se agora que desenvolva, pormenorizando, toda a trama e os fatores
que incriminaram o Rui.
E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a
este quarto problema, que devem ser enviadas até 30 de abril de 2026, através
dos seguintes meios:
a)
por email, através do endereço eletrónico
salvadorsantos949@gmail.com;
b)
por correio,
através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 /
2820-261 Charneca de Caparica;
c)
entregando em mão própria ao
orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 3º problema do torneio.
PONTUAÇÕES
DO PROBLEMA 3 E CLASSIFICAÇÃO ATUAL
A
nossa confreira Detetive Jeremias, da cidade de Santarém, cola-se â liderança
da classificação geral do Torneio “Solução à Vista!”, quando são cumpridas três
etapas, ao apresentar a melhor solução de uma jornada que registou perda de
pontos pela maioria dos concorrentes em competição, com apenas 10 detetives a alcançarem
a pontuação máxima no problema da autoria do matosinhense Bernie Leceiro: Detetive
Jeremias (10 pontos + 3), Dona Sopas (10 pontos + 2), Inspetor Moscardo (10
pontos + 1), Diógenes de Sinope, Faria, Fotocópia, Inspetor Mucaba, Inspetor Pevides,
O Gráfico e, claro, o próprio autor do enigma em apreço, todos com 10 pontos.
Com 8
pontos, surgem 16 concorrentes (por ordem alfabética): Detetivesca, Edomar,
Haka Crimes, Inspector 27797, Inspetor Mokada, Mancha Negra, Mandrake
Mágico, Ma(r)ta Hari, Mosca Morta, Mula Velha, Os Super Heróis do
Policiário, Paulo, Pena Cova, Veni Vidi Vici, Virmancaroli e Zé de
Mafamude. Com 5 pontos, surgem 14 concorrentes (por ordem alfabética): Búfalos
Associados, Chica Fininha, Clóvis, Columbo, Detetive Verdinha, Dragão Vermelho,
Fantasma de Laborim, Mali, O Pegadas, Pintinha, Príncipe de Arcozelo, Santinho
da Ladeira, Visconde das Devesas e Xerife de Valadares. E fecha a tabela Chico
da Afurada, com 3 pontos.
CLASSIFICAÇÃO
GERAL (APÓS A 3ª PROVA)
Face
aos resultados acima referidos, a classificação geral atual do torneio “Solução
à Vista!” apresenta agora a seguinte configuração: o primeiro lugar continua a ser
ocupado por O Gráfico (30 pontos + 6), acompanhado no pódio por Detetive
Jeremias (30 + 5 pontos) e Dona Sopas (30 pontos + 2). No quarto lugar da
tabela surgem Diógenes de Sinope e Inspetor Mucaba (ambos com 30 pontos). Na sexta
posição, surge isolado Inspetor Moscardo (29 pontos + 1). No sétimo lugar da
tabela estão agora Bernie Leceiro e Faria (com 29 pontos), seguidos, no décimo
lugar, por Inspetor Pevides e Mandrake Mágico (com 28 pontos) e, no décimo
primeiro lugar, por Inspector 27797, Paulo e Veni Vidi Vici (todos
com 27 pontos), enquanto que, no décimo quarto lugar, posicionam-se de momento Haka
Crimes, Ma(r)ta Hari e Pena Cova (com 26 pontos).
No décimo sétimo lugar da tabela classificativa, surge agora Mali (com 25
pontos + 2), logo seguida, no posto imediato, por Pintinha (25 pontos + 1),
surgindo depois, na décima nona posição, Detetive Verdinha e Zé de Mafamude (ambos
com 25 pontos), enquanto que, na vigésima primeira posição, surgem Búfalos
Associados, O Pegadas e Os Super Heróis do Policiário (todos com 24 pontos). No
vigésimo quarto lugar, encontram-se Mancha Negra e Xerife de Valadares (ambos
com 23 pontos), enquanto que, na vigésima sexta posição, surge isolada Detetivesca
(com 22 pontos + 1). No vigésimo sétimo lugar, estão Chica Fininha e Mosca
Morta (ambos com 22 pontos), seguidos, na vigésima nona posição, por Clóvis (isolado
com 21 pontos).
Na parte final da tabela classificativa atual, encontram-se, na trigésima
posição, Fotocópia e Mula Velha (ambos com 20 pontos), seguidos, na trigésima segunda
posição, por Chico da Afurada, Dragão Vermelho e Inspetor Mokada (todos com 19
pontos), enquanto que, na trigésima quinta posição, encontramos Columbo e Santinho
da Ladeira (ambos com 18 pontos). Com 17 pontos, surgem, na trigésima sétima
posição, Edomar, Virmancaroli e Visconde das Devesas (todos com 16 pontos), enquanto
que, na quadragésima posição, surge Fantasma de Laborim (com 16 pontos), logo
seguido, por Ego (com 14 pontos). No quadragésimo segundo lugar, surge Príncipe
de Arcozelo (13 pontos), e, no quadragésimo terceiro, está Inspetor Rickyi (10
pontos).
PONTUAÇÃO
ATRIBUIDA AO PROBLEMA Nº 2
O
enigma “Amor à Primeira Vista”, de O Gráfico, que constituiu o problema nº 2 do
torneio “Solução à Vista!”, obteve os seguintes pontos da esmagadora maioria (37)
dos confrades que participam nesta prova de decifração e do orientador da
secção: 7 + 7 + 8 + 7 + 8 + 8 + 10 + 7 + 6 + 10 + 10 + 7 + 8 + 7 + 10 + 8
+ 7 + 7 + 10 + 10 + 6 + 6 + 6 + 7 + 5 + 6 + 7 + 8 + 8 + 7
+ 7 + 6 + 7 + 6 + 10 + 9 + 10 + 6, de que resulta uma pontuação média de
7,60 no concurso de produção “Mãos à Escrita!”, que neste momento (decorridas
duas provas) apresenta a seguinte classificação:
1º lugar: “Amor à Primeira Vista”, de O Gráfico: 7,60 pontos;
2º lugar: “A Vingança”, de Paulo: 7,20 pontos.
CONVÍVIO
POLICIÁRIO EM SINTRA NO DIA 24 DE MAIO
Está
confirmado! Realiza-se no próximo dia 24 de maio, às 12h30, no Restaurante
Sabores de Sintra, em São Pedro de Sintra, mais um Convívio da Tertúlia
Policiária da Liberdade, que tem este ano como “prato forte” a entrega dos
prémios conquistados no Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário”
(Mundo de Aventuras) 1975-2025, que decorreu alternadamente nos blogues Local
do Crime, Repórter de Ocasião, A Página dos Enigmas e Momento do Policiário,
com a colaboração do Site Clube de Detectives e dos confrades Big-Ben e
Inspetor Fidalgo (LP).
Lista Oficial de Prémios
Decifração – Geral: 1º Lugar – Troféu Sete: Detetive Jeremias; 2º Lugar – Medalha Ouro: Fotocópia; 3º Lugar – Medalha Prata: Inspetor Aranha; 4º Lugar – Medalha Bronze: Inspetor Pevides; 5º Lugar – Livro de Inspector Fidalgo: Detetive Verdinha.
Melhores Soluções: 1º Lugar – Troféu Sete: Detetive Jeremias; 2º Lugar – Medalha Ouro: Fotocópia; 3º Lugar – Medalha Prata: Inspetor Aranha; 4º Lugar – MEDALHA BRONZE: Detetive Verdinha; 5º Lugar – Livro de Inspetor Boavida: Búfalos Associados.
Soluções mais Originais: 1º Lugar – Troféu Sete: Mali; 2º Lugar – Medalha Ouro: Dona Sopas; 3º Lugar – Medalha Prata: Detetive Jeremias; 4º Lugar – Medalha Bronze: Fotocópia; 5º Lugar – Livro de Luís Pessoa: Arjacasa, Detetive Verdinha e Vic Key.
Produção: 1º Lugar – Troféu Lupa (Detective Misterioso) – Oferta de Jartur: Bernie Leceiro; 2º Lugar – Troféu Sete: Paulo; 3º Lugar – Medalha Ouro: Detetive Jeremias; 4º Lugar – Medalha Prata: Fotocópia; 5º Lugar – Medalha Bronze: Rigor Mortis; 6º Lugar – Livro de Salvador Santos: Inspetor Pevides.
Nota: Serão atribuídos Diplomas de “Presença” a
todos os participantes, tanto na modalidade de Decifração como em Produção e Medalhas aos 9 patrocinadores/organizadores do TCMP:
Big Ben (Barata Dinis), Inspector Fidalgo (Luís Pessoa), Inspetor Boavida
(Salvador Santos), Paulo (Paulo Viegas), Virmancaroli (Virgílio Oliveira),
Daniel Falcão (José Machado), Inspector Aranha (Domingos Cabral), Jartur (João
Artur Mamede) e O Gráfico (Luís Rodrigues)
Já é conhecido o
quarto problema do Torneio de Fórmula 1 Policiária e do Torneio Paralelo de
Homenagem à Geração de 70, correspondente ao Grande Prémio do Montijo.
Ei-lo:
Torneio de
Fórmula 1 Policiária
Grande Prémio do
Montijo
Torneio
Paralelo de Homenagem à Geração de 70
Problema nº 4
A esposa
estrangulada
Autor: Paulo
Estava eu
sossegado em casa, após mais um dia de trabalho, quando o meu vizinho me bateu
à porta, porque sabia que eu era da Judiciária, como ele me disse.
Com ar muito
aflito, referiu-me que a sua esposa estava morta no quarto, que pretendia que
eu lá fosse o mais rápido possível, e que depois eu chamasse a polícia.
Aqui para nós,
ele já tinha feito isso, porque eu era polícia, mas eu percebia o que ele
queria dizer.
Chovia bastante,
e lá fomos aqueles poucos metros entre as duas casas, a correr para fugir
daquela chuva persistente que se mantinha desde o início da tarde. Considerando
que começava a anoitecer, eram já muitas horas de chuva ininterrupta.
Era uma vivenda
geminada. Entrámos pela porta principal, que deixou ver uma sala e cozinha
perfeitamente arrumadas, e levou-me ao andar de cima, ao local onde estava o
corpo da esposa, ou seja, o quarto onde dormiam.
O quarto estava
em total desordem. Era perfeitamente visível que tinha ali existido uma luta
que atirara ao chão vários objetos, arrepanhara as roupas da cama e terminara
com a morte da esposa do meu vizinho. Antes que me esqueça, o meu vizinho, que
ficou viúvo, chama-se Alfredo, e a esposa, ou ex-esposa, dava pelo nome de
Ermelinda.
Eram visíveis as
marcas que os dedos tinham deixado em redor do pescoço da vítima. Era óbvio que
alguém apertara fortemente aquele pescoço, e isso provocara a morte. O médico
esclareceria se fora por asfixia, ou se o aperto das carótidas roubara o sangue
do cérebro. Era muito cedo para tirar conclusões.
Não se viam
ferimentos no corpo.
— Encontrei-a
assim, quando cheguei, há poucos minutos. Parece-me que foi um assalto. Ela
chegou a casa mais cedo do que seria normal e encontrou alguém a roubar. Foi
essa pessoa que a matou. — Dizia o meu vizinho, repetindo
várias vezes:
— Foi um
ladrão!
Achei que era
altura de chamar os técnicos e telefonei para a sede, informando que já me
encontrava no local. Não era preciso vir muita gente. Bastavam os elementos que
tinham de fazer o levantamento dos dados periciais.
No primeiro
andar, havia mais dois quartos. Eram dois filhos, que se encontravam no
estrangeiro em Erasmus. Um na Letónia e outro na Eslováquia.
No quarto de
banho do casal, uma vistoria rápida não revelou qualquer elemento anormal. As
toalhas devidas estavam nos sítios corretos, tudo muito bem arrumado. O mesmo
se passava com o outro quarto de banho que, provavelmente, seria usado pelos
filhos, que como eles não estavam em casa, mantinha um ar muito organizado.
Olhei para o
relógio e reparei que desde que chegara à casa teriam passado pouco mais de 10
minutos.
Faltava-me ver a
garagem. Era necessário descer mais um piso, em relação à porta por onde
entrara, pois, para entrar nela, vindo da rua, era necessário descer uma
pequena rampa.
Na garagem, que
tinha uma porta, que dava para a rampa de acesso com as viaturas, e outra, por
onde eu viera, a uma escada pela qual se tinha acesso aos pisos superiores,
nada mais havia além de dois automóveis. O de Ermelinda estava à frente. O de
Alfredo estava atrás, junto à porta que dava para a rua, que funcionava por
ação de um motor elétrico.
Dei a volta por
detrás do carro de Alfredo, olhando o chão da garagem que tal como toda a casa,
com exceção do quarto de casal, tinha um aspeto exageradamente limpo, sem
nenhuma marca. Pousei a mão no capô do carro do meu vizinho e no da esposa,
verificando que os dois estavam frios, a temperaturas sensivelmente iguais.
Voltei a dar a
volta e sai da garagem, por umas escadas que já descera antes e que agora me
conduziriam ao piso de entrada.
Os meus colegas
chegaram, mas eu já tinha algumas ideias sobre o que acontecera.
Pergunta-se:
Que terá
acontecido? Fundamente a resposta.
As
soluções devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia
30 de abril:
a- por correio
eletrónico de A Página dos Enigmas: apaginadosenigmas@gmail.com, enviando
por email;
b- entregando em
mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o
encontrem;
c- por correio,
através do endereço postal Paulo Pereira Viegas / Rua Ferreira de Castro, lote
21 / 3505-570 Viseu.