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domingo, março 01, 2026
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 1 de março de 2026

       O TERCEIRO PROBLEMA TEM ASSINATURA DE BERNIE LECEIRO

Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 3

            To Rome With Love, de Bernie Leceiro

Roma brilhava sob o sol dourado do fim da tarde, com o trânsito a mover-se preguiçosamente e os sinos distantes a marcar as horas. Ferreirinha ajeitou o vestido enquanto caminhava de mãos dadas com Alves da Selva pela Piaza Navona, o ar morno carregado de vozes, risos e o cheiro doce de gelado e café recém-tirado.

Era o seu aniversário de casamento — trinta anos. Tinham prometido que um dia voltariam à cidade onde tinham estado há dez anos, e agora ali estavam, com a Fontana dei Quattro Fiumi à frente e o coração cheio de histórias. Alves da Selva tirou o telemóvel do bolso e tentou tirar um selfie; Ferreirinha riu, empurrou-lhe a mão e encostou-se ao ombro dele.

“Faz-me parecer italiana, pelo menos,” brincou ela.

“Já pareces,” respondeu ele, antes de lhe roubar um beijo rápido.

O mundo seguiu a rodar à volta deles — as buzinas ao longe, o bulício dos turistas a acenar bandeiras, uma banda de rua a tocar Nel blu dipinto de blu de Domenico Modugno. E, por um instante, parecia que Roma existia apenas para eles os dois, quando essa tranquilidade é interrompida pelo encontrão de um grupo de dois meliantes em que ambos envergavam camisolas da AS Roma, seguido por um grito agudo de Ferreirinha – “Roubaram-me a carteira!”

Um dos indivíduos com o nº 21 nas costas segue para Norte o outro com a camisola nº 92 para Sul da praça. Alves da Selva fica indeciso qual dos dois seguir, bastante mais novos, seria tarefa impossível apanhar qualquer um deles, lançar o alerta aos seus colegas carabinieri também seria infrutífero, centenas de pessoas andam com estas camisolas em Roma. Provavelmente as camisolas corresponderiam aos seus ídolos da equipa de futebol giallorossa da capital. Resta tentar recuperar rapidamente os documentos, e esperar que apenas estivessem interessados nos poucos euros que enfeitavam a carteira de turista da sua mulher.

Ferreirinha apenas conseguiu ver o braço esquerdo do ladrão tatuado com duas listas horizontais a pegar na carteira do interior da sua bolsa de tiracolo e os dois a fugirem cada qual para seu lado da praça. No meio da azáfama de selfies junto à fonte ninguém deu importância ao roubo, tão pouco forneceu alguma pista adicional, apenas olhares de pena e solidariedade.

- “Vamos rápido” – avança Alves da Selva – “se a minha intuição estiver certa, vamos tentar encontrar a carteira junto à Fontanna del Nettuno, nesta direção” – e apontou para Norte.

Felizmente assim foi chegado junto da fonte, guardada pela imponente imagem guerreira em mármore de Neptuno, viu a carteira boiando parcialmente submersa. A carteira estava molhada, mas os documentos (cartão de cidadão) intactos, faltavam 60 euros em notas. – “Vão-se os anéis, mas ficam os dedos!” – lamentaram-se perante a estátua que representa a alegoria do triunfo do bem sobre o mal.

No final do dia, Alves da Selva estava de rastos após tantas emoções e quilómetros caminhados. As visitas aos monumentos mais famosos da cidade arrasaram-no. O Coliseu, o panteão, o fórum Romano, as catacumbas, os museus do Vaticano… mal caiu na cama logo entrou num profundo e curioso sonho. Encarnou uma bela mulher, encontrava-se num templo de arquitetura clássica e grandiosa, com arcos majestosos e colunas a lembrar a basílica de S. Pedro, com duas estátuas à entrada de deuses da mitologia grega. Apolo, representando a luz da verdade, à esquerda, e Atena, deusa da sabedoria, da civilização e da matemática, à direita. No templo cerca de sessenta pessoas discutem as suas teorias, entre as quais identificou algumas das mentes mais brilhantes da Grécia Antiga. Fez uma vénia perante Platão e Aristóteles - Reconheceu-os pelas obras que seguravam, Timeu, e Ética a Nicômaco, respetivamente. Cruzou-se com vários filósofos e pensadores. Heráclito, Diógenes, Euclides, Ptolomeu, mas os seus parcos conhecimentos em filosofia não eram suficientes para uma breve troca de palavras que fosse com esses génios. Ainda tentou falar com Epicuro sobre a tranquilidade que o futebol de Farioli transmitia ao seu Futebol Clube do Porto e o prazer que lhe dava discutir futebol à segunda-feira com os amigos à mesa do café. Coroado com folhas de videira, um símbolo associado à alegria e à felicidade, Epicuro estava a escrever um livro, rodeado de seguidores. Ignorou-o, certamente ainda não conhecia a magia do futebol de Farioli…

A um canto um célebre filósofo e matemático escrevia num caderno, enquanto um grupo de alunos o observa atentamente, tirando notas das suas explicações. Baixando o olhar depara-se com o que o seu olho clínico de inspetor sénior interpreta como sendo um roubo à descarada, tal e qual o da tarde na piaza Navona. Alves da Selva abriu os olhos e viu os magníficos estuques do seu quarto de hotel, lá fora o dia clareava e as primeiras buzinadelas do transito infernal de Roma acordaram o inspetor.

No dia seguinte, resolveram poupar as pernas e aproveitar os encantos de Roma e das suas fontes, almoçaram numa tratoria de rua. O jantar de aniversário de casamento foi num simpático restaurante, Sapori D’Ishia, perto de Villa Borghese, com a particularidade do chef ser também pianista e terem acompanhado um Cognilio all’ Ischitana ao som do Arriverdeci Roma de Renato Rascel tocado pelo multifacetado chef num faustoso piano de cauda que ocupava quase meia sala.

Esta não seria propriamente a melhor noite para retomar o sonho da noite anterior. Poderá o leitor ajudar Alves da Selva a interpretar e concluir o seu sonho?

Onde decorre o sonho de Alves da Selva? Quem é o personagem roubado? O que foi roubado? Já agora porque optou Alves da Selva por procurar a carteira na zona norte da plaza Navona?

E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a este segundo problema, que devem ser enviadas até 31 de março de 2026, através dos seguintes meios:

a)     por email, através do endereço eletrónico salvadorsantos949@gmail.com;

b)     por correio, através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca de Caparica;

c)     entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.

Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 2º problema do torneio, cuja solução de autor será publicada na próxima edição d’ O Desafio dos Enigmas.

  

 
segunda-feira, fevereiro 23, 2026
  TORNEIO "SOLUÇÃO À VISTA!" - FALTAM POUCOS DIAS

NÃO SE ATRASE! 

PARTICIPE!

O PRAZO DE ENVIO RESPOSTAS TERMINA NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 28 DE FEVEREIRO

Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 2

            Amor à Primeira Vista, de O Gráfico

A Detective Cupido, Elisabete Maria Cardoso Cupido de seu nome completo, formara-se há pouco tempo e no primeiro dia de abertura do seu Escritório… recebeu logo uma chamada, de uma sua amiga, Florista, a participar um roubo e a requisitar os seus préstimos. Elisabete Cupido, ao contrário daquilo que se possa imaginar e que o seu próprio apelido pareça indicar…, mais vale ser que parecer, ambicionai a honra e não as honras, nunca se apaixonara e só vivera desde a sua infância com o objectivo de se tornar Detective e tentar desvendar casos de mistério… e outras complexidades!

Um azar nunca vem só e a Dona Rosa Pimenta Saudade dos Cravos, mulher sempre viva, alegre, trabalhadora e divertida, depois de um Sábado muito fantástico… aconteceu-lhe de tudo… no dia seguinte quando se preparava para um Domingo de arromba na sua Loja de Flores, de aromas divinais e espirituosos, onde os clientes abundam devido aos seus módicos preços e constantes promoções reconhecendo que da festa, o melhor é a véspera. Esta Florista de Profissão é uma mulher de armas que também subiu na vida à custa dos seus próprios meios pois quem dorme em pé não cai da cama, mas aquele seria um Domingo fatídico para ela… primeiro, quando saía de casa, torceu um pé! Dorida chegou ao seu veículo próprio e tinha dois pneus furados! Quando chegou, de Táxi, à sua Loja… tinha tudo destruído… todavia, ainda deu para vislumbrar o assaltante… a fugir, numa Carrinha sem matrícula, onde levou o cofre das suas economias e a máquina registadora… logo num dia em que, devido à festa da véspera, extraordinária em vendas, não tinha recolhido nenhum dinheiro e tão arrependida estava de ter renovado o stock de flores até altas horas da noite!

A Dona Rosa dos Cravos, apesar de ser uma mulher muito perspicaz e observadora, não hesitou em contactar a Detective Cupido em vez de participar o roubo à Polícia pois quem tinha obtido o curso de Detective era a sua amiga Elisabete Cupido e como mais vale um amigo próximo que um parente afastado telefonou de imediato à jovem sabendo que esta Detective um dia seria protagonista de um filme da Indústria de Hollywood!

A Detective Elisabete Cupido exultou com a requisição do seu primeiro caso e com a sua ajudante Lilian, Lily para os amigos, e famosa por usar um só brinco de princesa, respondeu com prontidão à chamada da desesperada e aflitíssima Dona Rosa.

No entanto, alguém tinha chamado a Polícia Judiciária ao local do roubo porque o famoso Inspector Rodriguinho, com o seu inteligentíssimo e habilíssimo Ajudante Lumafero, nada “menino copo de leite”, também apareceu para tentar solucionar o caso e descobrir os malfeitores. Quem telefonou, provavelmente, algum dos vizinhos do Estabelecimento da Florista, não se cansou de dizer à P. J. que o assaltante tinha um rosto bonito, simplesmente belo! E esta foi uma dica que ficou bastante memorizada pelo audacioso Inspector que teve a amabilidade de transmitir os pormenores à jovem Detective Elisabete Cupido.

Horas mais tarde foram detidos para averiguações e consequentes depoimentos… três suspeitos do roubo… habituais “nestas andanças” e com cadastro, a saber:

… um deles, era feio, mesmo feio, muito feio, feiíssimo! Outro era bonito e o terceiro era lindíssimo, mesmo giro, ainda mais bonito do que o outro, um giraço puro, atraente, lindo!

…Todos os interrogados tinham um álibi excelente com justificações e pretextos irrefutáveis… para a hora do roubo! As suas declarações, falsas ou verdadeiras, não sofriam qualquer contestação e por isso mesmo, não podiam ser detidos! Contudo, o insólito aconteceu! A Detective Cupido, vamos lá saber-se qual a razão (!?) apaixonou-se, de modo surpreendente e de sobremaneira, à primeira vista, pelo suspeito mais feio… propriamente o feiíssimo e com os seus próprios argumentos, mesmo assim, acabou por considerá-lo o culpado do roubo e entregou-o às Autoridades competentes, para seu enorme desgosto!

No entanto, o Inspector Rodriguinho, homem mais sabido da vida e já costumeiro em muitos casos semelhantes, antes quebrar que torcer, alheio a paixões e amor à primeira vista (!) não esteve de acordo com a opinião e sentimento da Detective Cupido e deteve para futuras averiguações e outras conclusões o suspeito “bonito”, não o “ainda mais bonito do que este”… e tinha razão (!) o “bonito” acabou por confessar ter sido ele… o autor do roubo!

A Detective Elisabete Maria Cardoso Cupido, mais tarde, acabou por casar-se com o suspeito feiíssimo, a união resultou num amor perfeito, e são, por enquanto, muito felizes!

PERGUNTA-SE:

1 - Qual a razão que levou a Detective Elisa Cupido a incriminar o suspeito feiíssimo como provável autor do roubo? Justifique a sua resposta. 

2 - Qual a razão pela qual o Inspector Rodriguinho culpou como sendo o autor do roubo o suspeito “bonito”? Justifique.

3 - Quantos Provérbios Populares estão mencionados no Texto, Problema Policiário? Indique quais. 

4 - Quantas Flores aparecem na narração? Indique os nomes.

E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a este segundo problema, que devem ser enviadas até 28 de fevereiro de 2026, através dos seguintes meios:

a)     por email, através do endereço eletrónico salvadorsantos949@gmail.com;

b)     por correio, através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca de Caparica;

c)     entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.

Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 1º problema do torneio.


 
quinta-feira, fevereiro 19, 2026
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de fevereiro de 2026

              “O GRÁFICO” ASSUME O COMANDO APÓS O 1º PROBLEMA

            Subscrevendo uma proposta de solução de grande qualidade, criatividade e imaginação, que se destacou entre cerca de três dezenas de outras soluções igualmente originais e criativas, o nosso confrade O Gráfico (10 pontos + 3) assume a liderança do torneio de decifração “Solução à Vista!”, ocupando o pódio com Detetive Jeremias (10 pontos + 2) e Detetivesca (10 pontos + 1).

Na quarta posição, com 10 pontos, surgem, por ordem alfabética, Bernie Leceiro, Búfalos Associados, Chica Fininha, Clóvis, Detetive Verdinha, Diógenes de Sinope, Dona Sopas, EGO, Faria, Haka Crime, Inspetor 27797, Inspetor Moscardo, Inspetor Mucaba, Inspetor Rickyi, Inspetor Pevides, Mali, Mandrake Mágico, Ma(r)ta Hari, O Pegadas, Os Super Heróis do Policiário, Paulo, Pena Cova, Pintinha, Veni Vidi Vici, Xerife de Valadares e Zé de Mafamude

Ocupando o trigésimo lugar, surgem, também por ordem alfabética, Chico da Afurada e Dragão Vermelho, com 8 pontos. Na trigésima segunda posição, com 7 pontos, surgem Mancha Negra e Mosca Morta. No trigésimo quarto lugar, surgem os concorrentes Columbo e Santinho da Ladeira, com 6 pontos, seguidos de EDOMAR, Fantasma de Laborim, Mula Velha, Virmancaroli e Visconde das Devesas, no trigésimo sexto posto, todos com cinco pontos. E na cauda da classificação surgem os confrades Inspetor Mokada e Príncipe de Arcozelo, ambos com 4 pontos.

ENVIO DE SOLUÇÕES DO 2º PROBLEMA

Recorde-se que o prazo de envio de propostas de solução referentes ao segundo problema do torneio expira a 28 de fevereiro, o que deve ser feito até à última badalada desse dia, através do email salvadorsantos949@gmail.com; por via postal para a morada rua Quinta do Modelo, 40 – 2820-261 Charneca de Caparica; ou por entrega em mão ao orientador da secção onde quer que o encontrem. Por último, sublinhe-se que, juntamente com a proposta de solução a este problema de O Gráfico, os concorrentes devem enviar a pontuação (entre 5 a 10 pontos) atribuída à produção do 1º problema, “A Vingança”, da autoria de Paulo, relativo ao concurso “Mãos à Escrita! – 2026.

NA PRÓXIMA EDIÇÃO É CONHECIDO O 3º PROBLEMA

O terceiro problema do Torneio “Solução à Vista!” e do Concurso “Mãos à Escrita!”, que se publica no dia 1 de março, vem de Matosinhos e tem assinatura de Bernie Leceiro, policiarista que venceu brilhantemente o nosso concurso de produção em 2022, obtendo votação positiva da esmagadora maioria dos decifradores desse ano. Ao bater toda a concorrência, conquistou também o respeito do universo policiário português, que passou a dedicar a maior atenção aos mais ínfimos pormenores dos desafios de sua autoria, procedendo a leituras (e releituras) atentas e cuidadas.

A comprovar a grande qualidade das suas produções, Bernie Leceiro conquistou agora o primeiro lugar de produtor no Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário” do Mundo de Aventuras (1975-2015), com o problema “A Taberna dos 3 Efes“. No segundo posto posicionou-se Paulo, com o problema “A Morte do Traficante”, e no último lugar do pódio surge Detetive Jeremias, com o problema “Almoços Grátis”.  Nos lugares seguintes da classificação das produções, cuja votação foi da responsabilidade dos veteranos Big Ben (ou Figaleira) e LP (Inspetor Fidalgo), surgem Fotocópia (no quarto lugar, com “O Gorro Vermelho”), Rigor Mortis (no quinto lugar, com “O Assassinato do Velho Milionário”), Inspector Pevides (no sexto lugar, com “O Roubo dos Diamantes”), Virmancaroli (no sétimo lugar, com “Naquela Noite de Maio”), Vic Key (no oitavo lugar, com “Na Tasca do Zeferino”), Faria (no nono lugar, com “A Estreia do Inspector Faria”), Inspetor Boavida (no décimo lugar, com “Smaluco e a Morte do Inspetor Mesquita”), Repórter SOU EU (no décimo primeiro lugar, com “Um Crime Piscatório em Sesimbra”) e Arjacasa (no décimo segundo lugar, com “Um Cachimbo no Lugar do Crime”).

CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!”

Termina no próximo dia 31 de março o prazo para o envio de originais participantes no concurso “Mãos à Escrita!”, através do endereço eletrónico salvadorsantos949@gmail.com. Recordamos que o concurso é aberto a todos, sem quaisquer condicionalismos de idade ou sexo, e que cada concorrente pode apresentar mais do que um original. Os trabalhos, na modalidade de enigma policiário, em língua portuguesa, deverão conter enunciado e respetiva solução, tendo o enunciado de cada enigma o máximo de 2 páginas e a solução o máximo de uma página e meia.

O POLICIÁRIO NO ESPAÇO VIRTUAL

Já é conhecido o segundo problema do torneio de Fórmula 1 Policiária e torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70, que decorrem em simultâneo e com os mesmos problemas no blogue A Página dos Enigmas (apaginadosenigmas.blogspot.com), orientado por Paulo, que contam com a colaboração do confrade Luís Pessoa, também conhecido entre nós por Inspetor Fidalgo, através da construção de pequenos textos-memória de episódios ocorridos na década de 1970 no seio da família policiária, devendo os seus potenciais participantes apresentar as respetivas propostas de solução até à última badalada do corrente mês (28 de fevereiro de 2026).

Os resultados do primeiro problema foram já divulgados, destacando-se no torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70 a prestação de O Gráfico, Detetive Jeremias e Búfalos Associados, nas “Melhores”, enquanto nas “Mais Originais”, o destaque foi para O Gráfico, Bernie Leceiro e Inspector 27797. No que concerne ao torneio de Fórmula 1 Policiária, salienta-se o desempenho dos confrades O Gráfico (33 pontos), Detetive Jeremias (18 pontos), Búfalos Associados (15 pontos), Bernie Leceiro (13 pontos), Detective Verdinha (12 pontos), Inspetor Aranha (10 pontos), O Pegadas (7 pontos), Mandrake Mágico (6 pontos), Fotocópia (6 pontos), Veni Vidi Vici (4 pontos) e Mali (4 pontos), que seguem na frente da classificação geral da prova.

 
terça-feira, fevereiro 10, 2026
  NOTÍCIAS DO BLOGUE "A PÁGINA DOS ENIGMAS"

 

Já é conhecido o segundo problema do Torneio de Fórmula 1 Policiária e do Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70, correspondente ao Grande Prémio do Porto. Ei-lo:

Torneio de Fórmula 1 Policiária 

Grande Prémio do Porto

Torneio Paralelo de Homenagem à Geração de 70

Problema nº 2

O traficante de diamantes

de Paulo

A minha missão estava bem definida. Seguia o carro que me haviam indicado e, como de costume, eu sabia que não o poderia perder.

A noite já caíra há algum tempo e como o carro seguia numa estrada com poucos veículos, achei melhor não me aproximar demasiado. Ele poderia suspeitar daquelas luzes que iam sempre atrás dele mesmo quando mudava de direção.

Não era um suspeito muito perigoso. Nunca matara ninguém, daquilo que se sabia. Estava a ser seguido por ser um elemento importante na quadrilha de tráfico de diamantes que estávamos a investigar.

Ele fazia uma condução normal, quase descontraída. Connosco, naquela estrada, cruzavam-se alguns carros, atirando-me as luzes para os olhos, e para os dele, muito provavelmente, quando se esqueciam de alterar os faróis para a posição de cruzamento com outros veículos. Nunca lhe vira a cara. Tinham-me indicado o modelo e a cor do carro, o local onde estava parado e eu aguardei. Vi-o entrar no carro, sozinho, e assim conduzia, porque mais ninguém entrara posteriormente.

A viagem estava monótona, não fossem os veículos que vinham da frente. Foi num desses cruzamentos, enquanto um carro se cruzava com ele, que atirou pela janela, ainda lhe vi a extremidade dos dedos, a ponta de um cigarro, que vi em movimento parabólico até bater no chão. Não fosse eu estar a fazer a perseguição e teria parado, para ter a certeza que a “beata” estava apagada na berma onde caíra. Era inverno, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Não há épocas de incêndios, há incêndios. Ainda olhei para o lado direito, para ver se via alguma chama a tentar começar, mas a ponta do cigarro não se via.

Aproximávamo-nos da autoestrada e seria por aí que seguiríamos. Nestas estradas de portagem eletrónica não se para, e foi por isso que seguimos sempre sem interrupção da viagem.

Pouco depois, havia uma estação de serviço, para onde ele entrou.

Eu também saí da autoestrada. Ele estava parado a colocar combustível no carro. Eu não podia parar ali, pois ele podia ver-me, o que não era aconselhável, ou desconfiar que era seguido. Segui em frente e parei junto do restaurante da estação, pronto a arrancar quando ele passasse, pois era a única via de saída. Parei. Vi que ele desviara o carro para a lateral do restaurante e, como não surgira do outro lado do edifício, parara aí. Será que iria comer. Também saí e fui até à lateral do edifício.

Miséria! Desgraça! Eu não tinha reparado na matrícula do carro e agora havia lá quatro carros estacionados do mesmo modelo e da mesma cor. Um modelo atual. Como era possível?! Como fora eu tão ingénuo? Quem é que agora eu deveria seguir? Havia um veículo com matrícula portuguesa, outro com matrícula espanhola, um com a placa da Grã-Bretanha e outro, pasme-se, da Finlândia. A terra do frio e do Pai Natal. Claro que o interior do veículo coincidia com a nacionalidade da matrícula, como eu pude constatar numa vista rápida através do para-brisas.

Quem é que eu deveria seguir? Qual dos quatro veículos seria usado pelo traficante de diamantes?

 É neste momento que os leitores vão ajudar o detetive automobilista. Qual dos carros ele se deveria preparar para seguir e porquê?

As soluções devem ser entregues pelos seguintes meio, até às 24 horas do dia 28 de fevereiro:

a-Enviando por email, para o endereço postal apaginadosenigmas@gmail.com;

b-Entregando em mão ao orientador do Blogue A Página dos Enigmas, onde quer que o encontrem.

c-Por correio, através do endereço postal Paulo Pereira Viegas / Rua Ferreira de Castro, lote 21 / 3505-570 Viseu.

 
sábado, fevereiro 07, 2026
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de fevereiro de 2026

o desafio dos enigmas

    EIS A SOLUÇÃO DE AUTOR DO 1º PROBLEMA DAS NOSSAS PROVAS

Ansiosamente aguardada pelos cerca de meia centena dos nossos leitores e seguidores que apresentaram propostas de solução ao problema 1 do torneio de decifração “Solução à Vista!” e do concurso de produção “Mãos à Escrita!”, da autoria do confrade viseense Paulo, publicamos hoje a sua solução oficial e os critérios de presidiram à avaliação e pontuação das propostas apresentadas, cuja classificação geral será divulgada na edição na nossa secção de 20 de fevereiro.

Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 1

A Vingança, de Paulo

Solução de Autor

Eis a informação quanto ao nome da vítima, local onde foi morta, e com quantos tiros.

Número de tiros – quatro, sete, oito, dez e doze tiros; Nomes dos mortos – Ana Luísa, Martinho Neto, José Ramos, João Ramadas, Ivo Silva; Localidade onde se encontram os corpos – Beja, Gondomar, Sagres; Maia; Fundão

Identificação das distintas informações presentes no texto.

A – Quem levou número ímpar de tiros não foi morto em Beja nem em Gondomar; B – O corpo de Sagres não era o da Ana Luísa nem levou 7 tiros. Levou mais tiros do que o número de letras do nome. (Foi morto com número par de balas); C – Houve quem levasse um tiro por cada letra do nome. D – O corpo que ficou em Gondomar apanhou metade dos tiros do João Ramadas. E – A vítima morta na Maia levou número par de tiros, mas não levou com o maior número de disparos, e não foi a Ana Luísa nem o José Ramos. F – O Ivo Silva foi o que levou menos tiros

Análise dos elementos recolhidos.

1 – O que levou 7 tiros foi morto no Fundão porque

a) O que levou único número ímpar de tiros não foi morto em Beja nem Gondomar (A)

b) O corpo de Sagres não levou sete tiros (B)

c) O corpo deixado na Maia levou número par de tiros (E)

Excluídas as localidades de Beja, Gondomar, Sagres e Maia, resta o Fundão

2João Ramadas levou 8 tiros, porque

O que foi morto em Gondomar levou metade dos tiros do João Ramadas (D).

Olhando para o número tiros disparados o único valor metade de outro é 4.

Os 8 tiros foram no João Ramadas. O corpo de Gondomar levou com 4 projeteis.

3 – O Martinho Neto levou 12 tiros porque houve um que apanhou um tiro por cada

letra do nome (C)

Temos: Ana Luísa – 8 letras; Martinho Neto – 12; José Ramos – 9: João Ramadas- 11; Ivo Silva – 8. Como as coincidências de número entre letras e tiros são o 8 e o 12 e quem levou (demonstrado em 2-) 8 tiros foi o João Ramadas, a Ana Luísa já não poderia apanhar com 8 tiros e apenas o Martinho Neto poderia levar 12 tiros.

4 – O corpo encontrado em Sagres levou 10 tiros porque

a) Levou mais tiros do que o número de letras do nome do assassino (B)

b) João Ramadas e Martinho Neto já se sabe quantos tiros levaram, e todos têm ou menor número de tiros do que número de letras do nome (8 tiros, 11 letras- em, 2-) ou igual número (Martinho Neto 12, 12, em 3-).

c) Sobram os que levaram 4,7 e 10 tiros e os nomes de Ana Luísa (8 letras), Ivo Silva (8 letras) e José Ramos (9 letras). Os 10 tiros são sempre número superior ao de letras.

5 – O corpo encontrado na Maia só pode ser o que levou 8 tiros, porque, (E), não levou o maior número de tiros, e os corpos encontrados no Fundão, em Gondomar e em Sagres (1; 2; 4), também apanharam com número diferentes de disparos. Pode-se então concluir: João Ramadas; 8 tiros; Maia.

6 – Com base nestas atribuições apenas falta indicar onde foi encontrado o corpo que levou 12 tiros, e apenas pode ser em Beja. Então, Martinho Neto, 12 tiros, Beja.

7 – Em Gondomar apareceu o Ivo, porque quem apareceu em Gondomar levou 4 tiros (2), e o Ivo Silva foi o que levou menos tiros, (F). Fica então, Ivo Silva; 4 tiros; Gondomar.

8 – Por exclusão de partes, como o corpo da Ana Luísa não apareceu em Sagres (B), então em Sagres surgiu o José Ramos e a Ana Luísa foi morta no Fundão.

9 – Concluindo: os nomes das vítimas, quantos tiros levaram e onde surgiram os corpos. Ivo Silva; 4 tiros; Gondomar. Ana Luísa; 7 tiros; Fundão. João Ramadas; 8 tiros; Maia. José Ramos; 10 tiros; Sagres. Martinho Neto; 12 tiros; Beja.

 CRITÉRIOS DE PONTUAÇÃO/CLASSIFICAÇÃO

Indicação certa de todas as combinações de “nome, número de tiros, cidade”: 10 pontos.

Indicação certa de 3 combinações de “nome, número de tiros, cidade” + 1 incompleta: 8 pontos.

Indicação certa de 3 combinações de “nome, número de tiros, cidade”: 7 pontos.

Indicação certa de 2 combinações de “nome, número de tiros, cidade” + 1 incompleta: 6 pontos.

Indicação certa de 2 combinações de “nome, número de tiros, cidade”: 5 pontos.

Indicação de 2 combinações incompletas de “nome, número de tiros, cidade”: 4 pontos.

Presença: 3 pontos.

Fatores de valorização para atribuição dos pontos especiais: qualidade e clareza da narrativa, originalidade na abordagem ao tema, criatividade nos meios e modos utilizados, imaginação na forma de apresentação da solução, referência a pormenores que não sejam fundamentais para a resolução do problema e enriqueçam a narrativa do ponto de vista literário ou artístico.


 
domingo, fevereiro 01, 2026
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 1 de fevereiro de 2026

           EIS O SEGUNDO PROBLEMA DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”

Sem mais delongas, porque o espaço disponível no jornal AUDIÊNCIA assim o determina, passamos a publicar o segundo problema do torneio que nos acompanhará ao longo de todo o ano:

Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 2

            Amor à Primeira Vista, de O Gráfico

A Detective Cupido, Elisabete Maria Cardoso Cupido de seu nome completo, formara-se há pouco tempo e no primeiro dia de abertura do seu Escritório… recebeu logo uma chamada, de uma sua amiga, Florista, a participar um roubo e a requisitar os seus préstimos. Elisabete Cupido, ao contrário daquilo que se possa imaginar e que o seu próprio apelido pareça indicar…, mais vale ser que parecer, ambicionai a honra e não as honras, nunca se apaixonara e só vivera desde a sua infância com o objectivo de se tornar Detective e tentar desvendar casos de mistério… e outras complexidades!

Um azar nunca vem só e a Dona Rosa Pimenta Saudade dos Cravos, mulher sempre viva, alegre, trabalhadora e divertida, depois de um Sábado muito fantástico… aconteceu-lhe de tudo… no dia seguinte quando se preparava para um Domingo de arromba na sua Loja de Flores, de aromas divinais e espirituosos, onde os clientes abundam devido aos seus módicos preços e constantes promoções reconhecendo que da festa, o melhor é a véspera. Esta Florista de Profissão é uma mulher de armas que também subiu na vida à custa dos seus próprios meios pois quem dorme em pé não cai da cama, mas aquele seria um Domingo fatídico para ela… primeiro, quando saía de casa, torceu um pé! Dorida chegou ao seu veículo próprio e tinha dois pneus furados! Quando chegou, de Táxi, à sua Loja… tinha tudo destruído… todavia, ainda deu para vislumbrar o assaltante… a fugir, numa Carrinha sem matrícula, onde levou o cofre das suas economias e a máquina registadora… logo num dia em que, devido à festa da véspera, extraordinária em vendas, não tinha recolhido nenhum dinheiro e tão arrependida estava de ter renovado o stock de flores até altas horas da noite!

A Dona Rosa dos Cravos, apesar de ser uma mulher muito perspicaz e observadora, não hesitou em contactar a Detective Cupido em vez de participar o roubo à Polícia pois quem tinha obtido o curso de Detective era a sua amiga Elisabete Cupido e como mais vale um amigo próximo que um parente afastado telefonou de imediato à jovem sabendo que esta Detective um dia seria protagonista de um filme da Indústria de Hollywood!

A Detective Elisabete Cupido exultou com a requisição do seu primeiro caso e com a sua ajudante Lilian, Lily para os amigos, e famosa por usar um só brinco de princesa, respondeu com prontidão à chamada da desesperada e aflitíssima Dona Rosa.

No entanto, alguém tinha chamado a Polícia Judiciária ao local do roubo porque o famoso Inspector Rodriguinho, com o seu inteligentíssimo e habilíssimo Ajudante Lumafero, nada “menino copo de leite”, também apareceu para tentar solucionar o caso e descobrir os malfeitores. Quem telefonou, provavelmente, algum dos vizinhos do Estabelecimento da Florista, não se cansou de dizer à P. J. que o assaltante tinha um rosto bonito, simplesmente belo! E esta foi uma dica que ficou bastante memorizada pelo audacioso Inspector que teve a amabilidade de transmitir os pormenores à jovem Detective Elisabete Cupido.

Horas mais tarde foram detidos para averiguações e consequentes depoimentos… três suspeitos do roubo… habituais “nestas andanças” e com cadastro, a saber:

… um deles, era feio, mesmo feio, muito feio, feiíssimo! Outro era bonito e o terceiro era lindíssimo, mesmo giro, ainda mais bonito do que o outro, um giraço puro, atraente, lindo!

…Todos os interrogados tinham um álibi excelente com justificações e pretextos irrefutáveis… para a hora do roubo! As suas declarações, falsas ou verdadeiras, não sofriam qualquer contestação e por isso mesmo, não podiam ser detidos! Contudo, o insólito aconteceu! A Detective Cupido, vamos lá saber-se qual a razão (!?) apaixonou-se, de modo surpreendente e de sobremaneira, à primeira vista, pelo suspeito mais feio… propriamente o feiíssimo e com os seus próprios argumentos, mesmo assim, acabou por considerá-lo o culpado do roubo e entregou-o às Autoridades competentes, para seu enorme desgosto!

No entanto, o Inspector Rodriguinho, homem mais sabido da vida e já costumeiro em muitos casos semelhantes, antes quebrar que torcer, alheio a paixões e amor à primeira vista (!) não esteve de acordo com a opinião e sentimento da Detective Cupido e deteve para futuras averiguações e outras conclusões o suspeito “bonito”, não o “ainda mais bonito do que este”… e tinha razão (!) o “bonito” acabou por confessar ter sido ele… o autor do roubo!

A Detective Elisabete Maria Cardoso Cupido, mais tarde, acabou por casar-se com o suspeito feiíssimo, a união resultou num amor perfeito, e são, por enquanto, muito felizes!

PERGUNTA-SE:

1 - Qual a razão que levou a Detective Elisa Cupido a incriminar o suspeito feiíssimo como provável autor do roubo? Justifique a sua resposta. 

2 - Qual a razão pela qual o Inspector Rodriguinho culpou como sendo o autor do roubo o suspeito “bonito”? Justifique.

3 - Quantos Provérbios Populares estão mencionados no Texto, Problema Policiário? Indique quais. 

4 - Quantas Flores aparecem na narração? Indique os nomes.

E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a este segundo problema, que devem ser enviadas até 28 de fevereiro de 2026, através dos seguintes meios:

a)     por email, através do endereço eletrónico salvadorsantos949@gmail.com;

b)     por correio, através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca de Caparica;

c)     entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.

Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 1º problema do torneio, cuja solução de autor será publicada na próxima edição d’ O Desafio dos Enigmas.

 
segunda-feira, janeiro 26, 2026
  SÓ FALTAM 6 DIAS - ATÉ 31 DE JANEIRO!!!

NÃO DEIXE DE PARTICIPAR

SÓ FALTAM 6 DIAS - RESPOSTAS ATÉ ÀS 24H00 DE 31 DE JANEIRO

Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026

Problema nº 1

A Vingança, de Paulo

“Eram todos assassinos contratados, responsáveis por terem morto os meus pais e os meus irmãos. Ou, separando-os por géneros: quatro assassinos e uma assassina. Era o crime organizado a exercer o seu poder sobre quem não pagava. Eu escapei e planeei a vingança que pretendia executar. Escondido, vivendo nas sombras, eliminei-os a todos, com requintes de vingança. Muitos tiros em cada cadáver. Primeiro, para fazer doer, aterrorizar; só o último tiro era para matar. Num dos corpos dei quatro tiros, sete noutro, oito num terceiro, e nos outros dois cadáveres ficaram dez e doze projéteis respetivamente. Contei-os um a um em voz alta, olhando os criminosos nos olhos. Vi a dor e o sofrimento, mas soube-me bem. O meu ódio subia acima do terror deles.

Agora, que cumpri a minha missão, posso partir. Nada me prende a ninguém nem a nenhum local, depois de ter realizado todo o percurso que planeei ao pormenor. Todos os detalhes se encontram gravados na minha mente, tanto foi o tempo e as vezes que pensei neles.

Os cinco corpos ficaram espalhados por Portugal. Fecho os olhos e vejo-me a contar um número ímpar de tiros naquele corpo que se contorceu naquele local que eu lhe tinha destinado, que não foi em Beja nem em Gondomar.

Foram anos na procura. Eu sabia os seus nomes. Aqueles pelos quais eram conhecidos. Nomes profissionais. Profissionais da morte.

Recordo o corpo que desmembrei em Sagres, depois de lhe incrustar um número par de projeteis, e que também não foi o da Ana Luísa, a assassina sorridente. Foi o único que levou mais tiros do que o número de letras do nome.

Naquele sofrimento que eu lhes produzia, houve um que avisei antes de começar:

– Vais levar um tiro por cada letra do teu nome. – E assim foi. Certinhos. Eu disparava e depois dizia a letra. Só não ouviu a última.

Em Gondomar deixei um corpo com metade dos projéteis com que enfeitei o João Ramadas. Soube-me bem!

Na vingança que exerci na Maia, deixei no cadáver um número par de balas, apesar de não ter sido o corpo para onde mais disparei. Antes de aí fazer cumprir o destino, já a Ana Luísa e o José Ramos tinham sido eliminados.

Lembro-me com nitidez do Martinho Neto a implorar, de lagrimas nos olhos, enquanto eu ia carregando no gatilho vagarosamente. Foram vários tiros. Quando o matei, os seus apelos faziam-me lembrar palavras semelhantes, de outros assassinos que eu já tinha eliminado antes.

Era apenas mais uma morte. O cumprimento de uma missão. Para cada um dos corpos sobre quem eu disparava, já tinha definido anteriormente a receita que lhe estava destinada.

Que hei de fazer agora? Cumpri o meu destino. Corpos espalhados pelo país, de Sagres a Gondomar, passando pelo Fundão. Nem um escapou, mesmo aquele que mais foi difícil de encontrar, o Ivo Silva. Se calhar, por isso levou menos tiros que todos os outros.

Agora, que já cumpri o caminho que tracei para mim, só me resta morrer.”

Esta foi a carta encontrada junto de um corpo, aparentemente vítima de suicídio, que apareceu numa rua do Bairro do Restelo, em Lisboa, com um tiro na fronte e a arma junto do corpo.

As autoridades abriram a boca de espanto. Havia algum tempo que tinham notado o desaparecimento de alguns profissionais do crime, mais propriamente de alguns elementos que se sabia que tinham por função cometer assassínios, mas nunca tinham percebido o que lhes acontecera. Simplesmente, tinham desaparecido de todas as informações que eram recebidas pela polícia. Parecia que agora tudo estava esclarecido. Tudo fizera parte de uma longa e pormenorizada vingança.

Após o surgimento daquela carta, a Polícia Judiciária ainda tinha um trabalho longo pela frente: tentar encontrar os corpos, e a carta era uma primeira pista.

A partir das informações na carta podem também os leitores dar a sua contribuição para ajudar as autoridades policiais, indicando em que localidade cada vítima foi encontrada e com quantos tiros foi morta.

E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a este primeiro problema, que devem ser enviadas até dia 31 de janeiro de 2026, através dos seguintes meios:

a)     por email, através do endereço eletrónico salvadorsantos949@gmail.com;

b)     por correio, através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 / 2820-261 Charneca de Caparica;

c)     entregando em mão própria ao orientador da secção, onde quer que o encontrem.

E, já sabem, não se esqueçam de identificar a proposta de solução enviada com o vosso nome (ou com o pseudónimo adotado).

NÃO DEIXE DE PARTICIPAR!!!

 
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