EIS O QUARTO PROBLEMA DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”
No momento em que se publica o quarto problema, da autoria do confrade Virmancaroli, torna-se público que o Torneio “Solução à Vista!” será constituído por doze provas, uma vez que expirou ontem, dia 31 de março, o prazo para o envio de originais de enigmas policiários para o concurso “Mãos à Escrita!”. Assim sendo, tudo termina à meia-noite de 31 de dezembro de 2026.
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026
Problema nº 4
A Dívida, de Virmancaroli
Rui
andava desnorteado há já alguns dias, por causa de uma dívida por saldar. Tinha
de obter o dinheiro sob pena de ter de ficar sem a própria casa, já hipotecada
e o carro, ainda não totalmente pago.
Os
negócios de venda e compra do ouro, embora com subida de preços, não lhe
corriam nada bem, pelo que o levaram a uma situação desesperada. Tinha ainda
consigo algum ouro, mas insuficiente para satisfazer a dívida, e que era na
verdade um dos bens mais valiosos que possuía, mas que pensou ele, talvez lhe
viessem a servir ainda para o salvar da grave situação em que se encontrava.
Tinha que pensar num plano, mas primeiro havia que garantir que esse plano
daria certo, pois não lhe seriam permitidos erros, face à pressão dos credores.
Com o
tempo a escoar-se, ao fim de 2 dias de profunda reflexão, chegou a uma
conclusão não muito honesta: tinha de obter algum ouro mais, emprestado por um
amigo de longa data e também no mesmo ramo. A ele lhe iria expor a situação que
serviria para os seus propósitos sem expor este. O plano era que o seu amigo
lhe emprestasse algumas peças de ouro, que juntaria ao seu, para posteriormente
fazer um seguro de todo o ouro, pesando-o. Feito o seguro o ouro emprestado
seria de imediato restituído, ficando o Rui apenas com aquele que lhe
pertencia. Esta seria a primeira parte do plano. A segunda parte viria depois
e, quase que num imediato porque o tempo era pouco. A fase seguinte passava por
encontrar uma rua pouco movimentada, de trânsito de sentido único, perto do
Fórum Quarto Crescente, onde poucas pessoas passassem e, onde fosse permitido
estacionar.
Combinou
então com o Alfredo um encontro no Fórum Quarto Crescente, bem conhecido na
vila, para discutirem aí o assunto que Rui tinha em mente. Alfredo aceitou o
encontro nesse local e combinou encontrarem-se então por volta das dez horas,
hora essa a que as lojas abriam e, por conseguinte, também aproveitaria Alfredo
para fazer umas compras por lá. O encontro realizou-se e o plano teve plena
aceitação de Alfredo, mas sem não antes exigir 5% do valor total do seguro
conseguido, ao que Rui anuiu!
Logo
no dia seguinte iniciou a operação. Era Domingo de manhã bem cedo, por volta
das oito horas e quinze minutos, por sinal uma manhã bem fria e com intenso
nevoeiro que assolava toda a vila, estacionou o seu automóvel. Viu se havia
alguém nas redondezas, mesmo com fraca visibilidade, e partiu o vidro do carro
do banco traseiro, do lado do condutor.
Deixou
ali o carro e dirigiu-se até ao Fórum Quarto Crescente que afinal era perto
dali, aproximadamente a cerca de um quarto de hora de caminho. Uma hora mais
tarde, já o Rui entrava numa esquadra das redondezas onde foi recebido pelo
polícia de piquete, e começou a contar a sua história.
— O
caso é o seguinte, senhor Guarda: esta manhã, bem cedo, deixei o meu carro na
Rua do Laboratório e fui ao Fórum Quarto Crescente, por sinal à H&M,
comprar umas roupas.
Quando
regressava ao carro, uma hora depois, e ainda bem longe, vi um carro a arrancar
quando um indivíduo entre esse carro e o meu entrava apressadamente no carro
que arrancava a grande velocidade. Pouco depois ao chegar ao meu carro
deparo-me com um vidro partido e o desaparecimento de uma mala que continha
algum ouro. Sabe, eu sou negociante de ouro. Ainda tirei a matrícula do carro,
para um papel, que tenho algures por aqui, mas nem sei já o que fiz dele com os
nervos. Possivelmente acabei por o perder. O polícia acenou a cabeça e
pensativo, observou:
—Tem
alguma testemunha que estivesse por ali perto? Pode ser que tenha visto algo
mais.
—
Infelizmente, não.
— E
tem mais pormenores sobre quem viu a entrar no carro que estava junto ao seu ou
do outro carro mesmo?
Sim, o
indivíduo em questão tinha um gorro na cabeça e óculos de sol bem escuros. Era
de estatura baixa. Tinha luvas e um fato de treino vestido segundo deduzi. Já o
carro era de cor branca me pareceu, mas não identifiquei mais nada, a não ser a
matrícula do carro, que infelizmente não sei dela, como já lhe disse.
Isso
já é bom. Podemos começar a investigar por aí.
Mas
após alguns momentos de reflexão o polícia dispara:
Ah,
percebo... pretende arranjar um responsável para o suposto roubo por qualquer
motivo certamente!?
O Rui
sentiu as pernas fraquejarem-lhe e, pálido, deixou-se cair numa cadeira,
enquanto o polícia procurava avaliar a sua reação!
Pede-se agora que desenvolva, pormenorizando, toda a trama e os fatores
que incriminaram o Rui.
E pronto, por agora, ficamos à espera das vossas propostas de solução a
este quarto problema, que devem ser enviadas até 30 de abril de 2026, através
dos seguintes meios:
a)
por email, através do endereço eletrónico
salvadorsantos949@gmail.com;
b)
por correio,
através do endereço postal Salvador Santos / rua Quinta do Modelo, 40 /
2820-261 Charneca de Caparica;
c)
entregando em mão própria ao
orientador da secção, onde quer que o encontrem.
Por último, recorda-se que, conjuntamente com a proposta de solução
deste problema, os nossos concorrentes devem enviar a pontuação atribuída ao 3º
problema do torneio, cuja solução de autor será publicada na próxima edição d’
O Desafio dos Enigmas.