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segunda-feira, agosto 19, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de agosto de 2019
TOMÁS CERQUEIRA MORREU POR ENVENENAMENTO
É hoje conhecida a solução de autor do enigma que constituiu a segunda prova do nosso torneio de decifração. E com ela chega também o resultado das performances dos “detetives”. 
TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        
Solução da Prova nº. 2                     
“Whisky Mortal”, de Rigor Mortis
Manifestamente, Tomás Cerqueira tinha sido envenenado. Um veneno de ação relativamente rápida e violenta – não havia, por exemplo, quaisquer sinais de ele ter tentado usar o telefone, que estava mesmo ao pé, na mesinha ao lado do sofá. Talvez cianeto.
O envenenamento teria ocorrido muito provavelmente ainda no sábado. A autópsia comprová-lo-ia, mas o facto de ainda restar um pouco de whisky na única garrafa aberta e de só terem sido usadas duas das seis cuvetes de gelo indicava que a morte teria ocorrido ao princípio da noite de sábado.
O inspetor João Velhote pôs de lado a possibilidade de o Tomás Cerqueira se ter suicidado. O facto de as buscas efetuadas pelos agentes não terem encontrado nada relacionado com algum veneno foi determinante para tal. Além de que, se ele tivesse querido suicidar-se por envenenamento, teria provavelmente escolhido outro tipo de veneno, que provocasse menos dor, e teria tomado também alguma droga que o pusesse a dormir, ou em estado letárgico.
A inexistência de outros relacionamentos pessoais do Tomás e a circunstância de tudo se ter passado dentro de uma parte da moradia completamente fechada por dentro, apenas com a sua presença, levava a considerar que apenas três pessoas eram suspeitas, o José Machado, o Santos e o Norberto Ávila.
Velhote pôs também de lado a hipótese de ter sido o Norberto o assassino. Ele não estava na moradia quando, no sábado ao fim de manhã, o Tomás se tinha fechado nos seus aposentos. E não o poderia ter visitado ao longo desse dia, para o fazer ingerir o veneno, já que lhe teria sido impossível sair deixando as portas e janelas fechadas por dentro. Além disso, os hábitos do Tomás eram muito fortes, e as visitas do Norberto eram sempre aos domingos. No sábado provavelmente nem o Tomás lhe abriria a porta.
Não podendo ter sido nas garrafas de whisky, nem nas de Perrier, umas e outras abertas pelo próprio Tomás, o veneno foi colocado no gelo. Ou, mais exatamente, no fundo das cuvetes ainda vazias, já que era sempre o próprio Tomás a enchê-las e colocá-las no frigorífico. O facto de o envenenamento só ter tido efeito ao fim da tarde de sábado indicava que nem todas as cuvetes teriam sido envenenadas.
O Machado não teve oportunidade para isso. De acordo com o seu próprio testemunho, e com o do Santos, o Machado saiu antes de o Tomás ter lavado as cuvetes, pelo que se tivesse sido ele a lá colocar o veneno, este teria sido lavado totalmente.
Mas o Santos teve essa oportunidade. Segundo o seu testemunho, o Tomás colocou as cuvetes já lavadas em cima do frigorífico e tornou a ir à casa de banho para lavar o copo e a colher. Foi nessa altura que ele se despediu e saiu. Mas não precisaria mais do que alguns segundos para depositar o veneno numa das cuvetes – cianeto em pó seria ideal para o propósito. Uma seria bastante, mais do que suficiente se se tratasse de facto de cianeto. Plausivelmente, aquela que João Velhote encontrou no frigorífico ainda meia cheia de cubos de gelo. 
O Tomás não terá visto o pó de veneno no fundo dos alvéolos da cuvete? Estas eram de plástico branco, e o pó de cianeto é também branco…
O inspetor João Velhote estava seguro das suas deduções. E convicto de que as investigações que ia mandar fazer a seguir as confirmariam: morte por envenenamento, vestígios do veneno no copo usado pelo Tomás, existência do mesmo veneno nos cubos de gelo da cuvete meio cheia, traços do mesmo nos alvéolos vazios dessa mesma cuvete, talvez alguma impressão digital que não fosse do morto…
O motivo do assassinato? O interrogatório com que tencionava ‘apertar’ o Santos talvez o levasse a confessar o crime, mas Velhote tinha um pressentimento… Na segunda-feira iniciaria um périplo pelos advogados que tinham trabalhado com o Tomás Cerqueira, e pelos notários que este tivesse usado. E talvez encontrasse um testamento feito recentemente, em que o velho declarasse como seus herdeiros aqueles únicos três homens com quem ele de alguma forma se relacionava.
Algo que o Santos, como seu secretário particular, certamente conheceria…
Pontuação/Classificação (após a 2ª. Prova)
O envenenamento como causa da morte e a identificação do assassino não escaparam à maioria dos concorrentes, mas boa parte dos “detetives” acabaram por desperdiçar um ponto por não referirem a utilização das cuvetes de gelo no processo de assassinato de Tomás Cerqueira. E outros houve que se “atrapalharam” também na indicação do homicida e/ou do uso de veneno no crime, perdendo ainda mais pontos, como se pode constatar na tabela classificativa que se segue:
1º. Detetive Jeremias (13+12): 25 pontos;
2º. Búfalos Associados (10+13): 23 pontos;
3ºs. Inspetor Moscardo (11+11) e Rigor Mortis (12+10): 22 pontos; 
5ºs. Carlota Joaquina (10+10), Ego (10+10), Holmes (10+10), Inspetor Mucaba (10+10), Ma(r)ta Hari (10+10), Tempicos & Tempicas (10+10) e Zé de Mafamude (10+10): 20 pontos;
12ºs. Abrótea (9+10), Broa de Avintes (10+9), Charadista (10+9),  Donanfer II (10+9),  Inspetor Guimarães (10+9), Mancha Negra (10+9) e Pena Cova (10+9): 19 pontos;
19ºs. Arc. Anjo (10+8), Bernie Leceiro (10+8), Chico da Afurada (10+8), Detetive Bruno (8+10), Detetive Vasoff (8+10) e Príncipe da Madalena (9+9): 18 pontos;
25ºs. Airam Semog (10+7), Amiga Rola (8+9), Beira Rio (9+8), Dragão de Santo Ovídio (10+7), Haka Crimes (8+9), Martelo (8+9), Pequeno Simão (8+9), Santinho da Ladeira (9+8), Talismã (9+8), Tó Fadista (8+9): 17 pontos;
35ºs. Bota Abaixo (8+8), Faina do Mar (8+8), Inspetor Madeira (9+7) Inspetor Mostarda (8+8),  Mascarilha (8+8),  Necas (9+7) e Solidário (8+8): 16 pontos;
42ºs. Agata Cristas (8+7), Mosca (8+7) e Vitinho (8+7): 15 pontos.

CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!”      
As avaliações feitas pelos 44 solucionistas e pelo orientador da secção ao enigma “Abílio Vai à Bola”, de Daniel Gomes, resultaram na seguinte pontuação média final: 6,20 pontos. Falta agora saber qual a pontuação que os nossos “detetives” atribuíram ao enigma “Whisky Fatal”.




 
domingo, agosto 04, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de agosto de 2019                           
UMA CRISE CONJUGAL EM TERRAS ALENTEJANAS
Enquanto o orientador se confronta com a tarefa de atribuição da pontuação às propostas de solução apresentadas para a prova nº. 2 do torneio de decifração “Solução à Vista!”, de que daremos conta na próxima edição da secção, os nossos detetives conhecem hoje a prova que se segue, da autoria do confrade escalabitano Bigode. O enigma tem por protagonistas Gazua e Alavanka, que se confrontam com uma crise conjugal motivada por um bloqueio no Facebook. Como sempre, aconselha-se a todos os “detetives” a maior atenção na interpretação do enunciado do enigma, desconfiando das suas aparentes facilidades, evitando assim surpresas desagradáveis. 
TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”         
Prova nº. 3            
“O Estranho Caso da Falsa Mobilidade”, de Bigode
O agente Gazua regressara de mais uma missão da luta contra o crime. Esperava no jeep que o camarada, subchefe Alavanka, viesse do bar com as cervejas e o farnel para o lanche. Festejavam o sucesso da missão e o 45º. aniversário do 25 de Abril.
Revivia mentalmente algumas das peripécias e argúcia utilizada, para desmembrar a subtil rede ilegal, quando o ajudante entrou com o petisco, para o lugar do pendura.
 - Podemos seguir ─ disse para o superior hierárquico. 
Meia hora depois entravam na esquadra.  
Na receção, à espera, estava uma senhora atraente. Interpelou o agente Gazua deste modo peculiar: 
- O senhor é o agente Gazua? 
- O próprio, dona...? 
- Maria.  
Gazua apercebeu-se do ar inibido do subchefe, que presenciava a conversa, e para desanuviar o ambiente, tomou a iniciativa de proceder às apresentações estendendo o braço: 
- O subchefe Alavanka, meu ajudante. 
- Muito prazer... ─ disse Maria com um sorriso. 
Alavanka retribuiu o cumprimento e acabou de arrumar a merenda no frigorífico do bar, sentando-se depois à secretária para continuar a fazer, com afinco, um relatório interrompido.
 - Senhor Gazua, venho participar o desaparecimento do meu cônjuge. 
- Lamento muito, dona Maria. Quando foi que o caso se deu? ─ perguntou,  enquanto abria a aplicação no computador. 
- Fez um ano, no passado dia 2 de Abril. 
O subchefe e Gazua entreolharam-se surpreendidos. Fleumático como uma enumeração, perguntou: 
- E só agora comunica a sua ausência? 
- Sim. Na altura, falou-me irritado numa mudança do local de trabalho, de Beja para Cuba. No princípio não parecia uma coisa descabida, porém a situação criada pelo bloqueio… 
- Continental? ─ Interrompeu Alavanka, que escutava com atenção.  
- Não! Da amizade no facebook. 
- Dona Maria, desculpe o meu ajudante. Em tempos, foi mestre de história, e por vezes o trajeto do seu método de investigação tem alguns desencaminhamentos pelo passado.  
Teclou alguns apontamentos, e continuou. 
- Qual a profissão do seu marido? 
- Funcionário público. 
- O bloqueio da sua amizade no “face”, como referiu, foi a ponta do iceberg de algo inesperado? 
O rosto moreno de Maria lampejou. 
- Foi o emergir de uma traição bem camuflada. 
O agente sentiu alguma apreensão. 
- Possui alguns dados concretos que estejam na raiz dessa suspeita? 
Maria pensou. Acendeu um cigarro e fitando o teto com um olhar vago, a tocar ao de leve o azedume, afirmou: 
- Não, mas há uma mentira. Soube por uma amiga que ele no dia da mudança não trabalhou. 
Gazua desarticulou ligeiramente uma repentina letargia e concentrou-se solidamente no assunto.  
Entretanto o subchefe perguntou: 
- A senhora recorda-se de mais alguma coisa? 
- Disse também com despropósito que iria ver o Fialho, que não conheço e não faz parte do nosso círculo de amigos.  
Uma dúvida genérica perturbou a ambiência da esquadra. 
Dona Maria continuou a relatar o caso. 
- Porém, senhor agente, preciso que ele assine os papéis do divórcio e não sei onde o encontrar.  
Gazua, compreensivo, disse com assentimento: 
- Esteja tranquila minha senhora. Vamos agir dentro do que a nossa área de atividade permitir, a fim de recolher a assinatura do seu ─ ainda ─ consorte, para que consiga alterar o seu estado civil. 
Caros confrades: 
a) - A Maria terá razão quando diz que no dia indicado pelo seu marido ele não foi trabalhar? 
b) - Qual será a identificação do Fialho? 
c) - Assinalem as eventuais incongruências que detetem no enunciado do problema.

DESAFIO AO LEITOR 
Caro leitor, responda às três alíneas, através de um relatório justificativo das suas deduções, a enviar até ao próximo dia 30 de agosto, utilizando um dos seguintes meios: 
- por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
- por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.
E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou pseudónimo). Recordamos entretanto que, juntamente com a solução deste enigma, deve enviar a pontuação atribuída ao problema da segunda prova do torneio, da autoria de Rigor Mortis.


 
quinta-feira, julho 18, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de julho de 2019
SOLUÇÃO DO AUTOR DA 1ª. PROVA É HOJE DESVENDADA
São hoje conhecidas as primeiras pontuações obtidas pelos “detetives” participantes na edição de 2019 do torneio de decifração “Solução à Vista!”. Foram 44 (quarenta e quatro!) as propostas de solução recebidas, relativas ao enigma “Abílio Vai à Bola” da autoria de Daniel Gomes, o que significa um acréscimo de cerca de 30% de concorrentes face ao número de participantes na edição anterior. Mais trabalho, portanto, para o orientador da secção, que se obrigou a ler por diversas vezes boa parte das soluções classificadas com a pontuação máxima até conseguir determinar, sem problemas de consciência, aquelas que seriam merecedoras dos pontos suplementares destinados “às melhores”. Não foi nada fácil a tarefa, atendendo à excelente qualidade da maioria dos relatórios recebidos. Ou seja, caros leitores: a época promete!
Alguns “detetives” lamentaram, porém, a temática do enigma em apreço, por entenderem não se enquadrar no género “policiário”. Outros, todavia, saudaram a qualidade da narrativa do enigma, que, recordamos, constitui apenas a segunda incursão do autor na produção deste género de escrita. E a verdade é que, apesar da aparente fragilidade do enunciado do problema e das suas características, alguns dos solucionistas não conseguiram escapar aos primeiros tropeções da competição. Nada que não se corrija, contudo, com o decorrer da prova, uma vez que ainda há muito “torneio” pela frente. São dez os enigmas a decifrar e muitos os pontos a conquistar ou... a perder. E tudo pode acontecer. Razão por que se recomendam sempre leituras cuidadas e atentas aos mais ínfimos pormenores, bem como soluções o mais elaboradas e detalhadas possível.

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”         
Solução da Prova nº. 1                     
“Abílio Vai à Bola”, de Daniel Gomes
Resposta certa: alínea C – Validou o golo.
Este problema tem polícia mas não tem crime para investigar ou criminoso para acusar. Tem no entanto leis para fazer respeitar e cumprir. E leis são leis, quer sejam as do código civil, do código penal ou... do International Football Association Board, órgão responsável pela regulamentação das regras do futebol, que fixou na Lei 11 desta modalidade desportiva, que “um jogador encontra-se em fora de jogo se estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário”. Acontece, porém, que aquele atleta “não se encontra em posição de fora de jogo se estiver no seu próprio meio campo”. 
Assim sendo, o jogador que marcou o golo da equipa visitada não se encontra fora de jogo, uma vez que recebeu a bola no meio campo do seu clube. Recorde-se que no enunciado do problema refere-se que no início do jogo, “a equipa da casa está a ser completamente esmagada por um ataque demolidor da turma adversária, que a remete para o seu meio campo”, e que, depois, na segunda parte do desafio, passados mais quarenta minutos do jogo, “tudo se mantém inalterado”. Ou seja, quando o guarda-redes “lança” a bola “com as forças que lhe restam” para o seu colega adiantado no terreno de jogo, este está ainda no seu meio campo. Dessa forma, o golo tem de ser validado.
Ora, se o golo é válido e o árbitro decidiu acertadamente, apenas poderão estar corretas a alínea C ou a alínea D. Mas, como o guarda-redes forasteiro não cometeu nenhuma falta, já que não há nada na Lei do Jogo que o impeça de estar adiantado, longe da baliza que lhe compete defender, não se justifica de forma alguma que seja punido. Ele ter-se-á limitado a acompanhar a corrida desenfreada do atacante adversário, correndo às arrecuas, sofrendo depois o vexame de ser alvo de um belo chapéu que levou a bola a anichar-se nas redes à sua guarda. Ou seja, só a alínea C pode estar correta, uma vez que, como já se disse atrás, o árbitro tomou a decisão acertada.
Pontuação/Classificação (após a 1ª. Prova)
A esmagadora maioria dos nossos “detetives” acabaram por não ter grandes dificuldades em sair vitoriosos neste confronto com o enigma de Daniel Gomes, que trouxe até nós uma modalidade desportiva que arrasta grandes massas de adeptos, entre os quais se contam muitos dos que fazem do policiário o seu passatempo preferido. Contudo, alguns deles não escaparam aos primeiros dissabores no torneio, como se pode constatar na tabela classificativa que se segue:
1º. Detetive Jeremias: 13 pontos;
2º. Rigor Mortis: 12 pontos; 
3º. Inspetor Moscardo (ex-Bigode): 11 pontos; 
4ºs. Airam Semog, Arc. Anjo, Bernie Leceiro, Broa de Avintes, Búfalos Associados, Carlota Joaquina, Charadista, Chico da Afurada, Donanfer II, Dragão de Santo Ovídio, Ego, Holmes, Inspetor Guimarães, Inspetor Mucaba, Mancha Negra, Ma(r)ta Hari, Pena Cova, Tempicos & Tempicas e Zé de Mafamude: 10 pontos;
23ºs. Abrótea, Beira Rio, Inspetor Madeira, Necas, Príncipe da Madalena, Santinho da Ladeira e Talismã: 9 pontos;
30ºs. Agata Cristas, Amiga Rola, Bota Abaixo, Detetive Bruno, Detetive Vasoff, Faina do Mar, Haka Crimes, Inspetor Mostarda, Martelo, Mascarilha, Mosca, Pequeno Simão, Solidário, Tó Fadista e Vitinho: 8 pontos.

CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!”       
Recordamos que a pontuação a atribuir a este enigma de Daniel Gomes pelos concorrentes do Torneio “Solução à Vista!” deve ser enviada juntamente com a proposta de solução ao enigma “Whisky Mortal”, de Rigor Mortis, publicado na passada edição. De acordo com o regulamento, os solucionistas dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir ao enigma, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade, a que se junta a pontuação atribuída pelo orientador da secção, apurando-se depois a média pontual que define a sua classificação.

CONTACTOS DO ORIENTADOR
Relembramos aos nossos leitores os endereços para os quais poderão enviar as soluções das provas do torneio de decifração, bem como as pontuações atribuídas aos enigmas que disputam o concurso de produção, ou para qualquer outro assunto relacionado com a secção: 
- correio postal: AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
- correio eletrónico: salvadorpereirasantos@hotmail.com.


 
sexta-feira, julho 05, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de julho de 2019
     INSPETOR JOÃO VELHOTE DESVENDA MAIS UM CRIME
Publicamos hoje, sem mais delongas devido a sua extensão, o enigma que constitui a segunda prova do nosso torneio de decifração, da autoria do criador do inspetor João Velhote:

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        
Prova nº. 2            
“Whisky Mortal”, de Rigor Mortis
Tomás Cerqueira era um velho azedo e sorumbático, incapaz de um gesto simpático. Mas tinha tido sempre um agudo sentido para os negócios, nem sempre limpos. Tal engenho, aliado à sua crueldade intrínseca, tinham-lhe permitido ir-se apropriando de uma apreciável fortuna. De pouco lhe valia essa fortuna. Vivendo só, sem familiares conhecidos, desprezava luxos e pouco uso fazia do dinheiro. Uma moradia grande, mas velha, com muitos móveis antigos, mas estragados com o tempo e o uso, eram os seus sinais aparentes de riqueza. Raramente saía de casa. Aí vivia também o único empregado, José Machado, que em muitos anos de serviço se tinha habituado aos humores do patrão.
Visitas, apenas duas. O seu secretário, o Santos, vinha todos os dias úteis e aos sábados de manhã. Tratava da contabilidade, do correio e de alguma carta que o patrão quisesse escrever. A outra era um amigo de antigamente, o Norberto Ávila. A amizade entre os dois já não era nada que parecesse com a desses tempos, mas o Norberto continuava a visitá-lo de quando em vez.
Tomás tinha um hábito arreigado. Sábado ao fim da manhã, quando o Santos e o Machado começavam a folga de fim-de-semana, fechava-se à chave na parte da casa onde estava o seu escritório, o quarto e uma casa de banho. Duas garrafas de whisky, uma dúzia de garrafas de água Perrier e uns iogurtes guardados num pequeno frigorífico que estava no escritório, era tudo o que precisava durante o fim-de-semana. Quando o Norberto o visitava, um domingo ou outro à tarde, encontrava-o sempre bem bebido, mas nunca ébrio.
Naquele domingo, pelas cinco horas, Norberto Ávila bateu à porta, mas ninguém lha abriu. Depois de várias insistências, perante a estranheza do facto, ocorreu-lhe que o Tomás poderia ter tido algum problema de saúde. À falta de melhor, resolveu ligar ao 112.
Minutos depois chegou ao local um carro da polícia. Norberto explicou a situação. Os agentes deram uma volta à casa, espreitando pelas janelas fechadas. Ao olhar pela do escritório do Tomás, viram um homem sentado num sofá de orelhas, que o Norberto identificou como sendo o Tomás Cerqueira. Resolveram forçar a porta de entrada. Entraram em casa e encontraram a porta do escritório fechada à chave, por dentro. Arrombaram a porta.
Tomás estava sentado, cara contorcida, vestígios de espuma e saliva nos cantos da boca retorcida, mãos enclavinhadas nos braços do seu sofá preferido. Morto, seguramente envenenado. Na mesinha ao lado, um telefone, uma garrafa fechada de whisky e outra aberta, ainda com um dedo de álcool, uma colher e um copo, menos de meio com um líquido claro, aparentemente mistura de whisky e gelo derretido. Do outro lado do sofá, em cima do pequeno frigorifico, uma dúzia de garrafas de água Perrier e duas cuvetes de gelo de plástico branco, umas e outras vazias.
O inspetor João Velhote entrou na moradia e dirigiu-se ao escritório. Certificando-se da morte do Tomás Cerqueira, mandou os agentes fazer uma busca pela casa e interrogou o Norberto:
- Amigo do falecido? Qual era o nome dele? E o deu? Costumava visitá-lo com frequência?
- Chamo-me Norberto Ávila. Sim, sou amigo do Tomás Cerqueira desde há muitos anos. Costumo visitá-lo aos domingos à tarde, uma ou duas vezes por mês, não mais. Sei que ele costuma passar o fim-de-semana sozinho em casa, sempre lhe fazia um pouco de companhia.
Regressando a casa, José Machado entrou nessa altura no escritório.
- E você, quem é?
- José Machado, empregado do senhor Cerqueira. Acabo de gozar a minha folga de fim-de-semana. O que aconteceu?
- O seu patrão morreu envenenado, parece que com o whisky que esteve a beber.
- Não pode ser! – exclamou o Machado – As duas garrafas estavam seladas de fábrica quando as trouxe ontem ao fim da manhã! Como sempre, era uma exigência do senhor Cerqueira! Bem como as garrafas de Perrier!
- Perrier no whisky?... – perguntou o Velhote.
- Não exatamente. O senhor Cerqueira apenas põe gelo no whisky, mas esse gelo é feito com água Perrier, aqui mesmo, naquele frigorífico. Trago-lhe as garrafas seladas de whisky e de água e é ele mesmo que enche – enchia, desculpe – as cuvetes e as punha no frigorífico. Era também ele que lavava sempre as cuvetes e o copo…
- Ele costumava beber todos os dias?
- Bebia só no fim-de-semana, mas aí eram sempre duas garrafas de whisky…
O inspetor espreitou dentro do frigorífico: seis iogurtes intocados, no congelador quatro cuvetes de gelo, uma delas meio vazia.
- Quando é que deixou o falecido, este fim-de-semana?
- Saí por volta das onze e meia da manhã. Trouxe-lhe os iogurtes e as garrafas de whisky e de Perrier, que deixei aqui, despedi-me e saí. O senhor Cerqueira ficou ainda com o senhor Santos, que deve ter saído pouco depois, como de costume.
Mandado buscar a casa, o Santos chegou uma meia hora depois. Entretanto, os agentes terminaram a busca, sem encontrarem nada de relevante. Informado da morte do Tomás Cerqueira, o Santos foi também submetido ao interrogatório do inspetor João Velhote.
- A que horas deixou ontem o senhor Cerqueira?
- Minutos depois do Machado. O senhor Cerqueira tinha ido lavar as cuvetes à casa de banho e veio pô-las em cima do frigorífico. Informei-o de que na próxima semana tínhamos de tratar do IMI, despedi-me e saí, enquanto ele foi novamente à casa de banho lavar o copo e a colher. Quando estava a vestir o casaco, no vestíbulo, ouvi-o a fechar a porta do escritório à chave, como sempre fazia.
- Gostava do seu patrão?
- Bem… A verdade é que ninguém gostava dele…
João Velhote mordiscou o lábio superior, expondo os incisivos inferiores por baixo do bigode grisalho, como sempre fazia quando mentalmente resolvia algum caso.
- Isto foi tudo bem imaginado, sem dúvida! Mas não o suficiente… Leve este senhor detido para a esquadra!

DESAFIO AO LEITOR 
Caro leitor, até ao próximo dia 30 de julho, responda a estas três questões: Quem mandou o inspetor João Velhote deter? Como foi executado o homicídio do Tomás Cerqueira? Que provas poderá o inspetor apresentar para consolidar a acusação?
Recordamos entretanto que, juntamente com a solução desta prova, deve enviar a pontuação atribuída ao enigma que constituiu a prova inaugural do torneio, da autoria de Daniel Gomes. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado).
 
quinta-feira, junho 20, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de junho de 2019
O DESAFIO DOS ENIGMAS NO XVI CONVÍVIO DA TLP 
O restaurante Sabores de Sintra, em São Pedro de Sintra, foi palco da entrega dos prémios das nossas competições (torneio “Solução à Vista!” e concurso “Mãos à Escrita!”) iniciadas em maio de 2018 e concluídas em fevereiro último. A “cerimónia” decorreu no âmbito do XVI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade (TPL), que reuniu, no passado dia 19 de maio, 29 membros da família policiária nacional oriundos de Leiria, Santarém, Grande Lisboa, Almada e Setúbal. Antes da consagração dos “detetives” que se destacaram pela sua performance como solucionistas e produtores, assistiu-se a alguns momentos de grande emoção e sã camaradagem.
Cerca de trinta minutos antes da hora marcada para a concentração dos policiaristas, já os primeiros convivas trocavam cumprimentos e abraços à porta do restaurante. Lá dentro, alguns dos membros do “núcleo duro” da TPL ultimavam os preparativos do evento. Na cozinha, a chef Deolinda dava as indicações necessárias à sua laboriosa equipa para que à hora prevista começasse a ser servido o repasto. E, como sempre, não podia ser melhor: entradas várias, arroz de tamboril, espetada de carne à madeirense, fruta e doces variados, águas, vinho tinto e branco, café e... uma “poncha à maneira”! E as conversas à mesa escorriam de forma natural e saborosa. 
Após a sobremesa, a TPL começou por evocar os seis meses do desaparecimento do confrade Pedro Paulo de Faria, cabendo ao seu companheiro e amigo António Raposo ler o que chamou de “Ladainha em memória de Pedro de Faria”: “Este é o primeiro e não será o último convívio onde falta a presença do nosso saudoso amigo e confrade Pedro de Faria, que para nós foi sempre o NOVE, mesmo quando mais recentemente alterou [o pseudónimo] para Verbatim. Este foi o primeiro a que ele faltou, dos quinze já efetuados, e por isso a sua cadeira está vazia, marcando a ausência saudosa. A nossa homenagem será breve mas sincera.” De seguida, o ator Rui Mendes passou a ler uns versos inspirados num conhecido poema de David Mourão Ferreira:

Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Em que se veja a mesa o seu lugar vazio. 
Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Que o irão lembrar de um modo nítido. 
Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Em que alguém, em voz alta, o recordará saudoso. 
Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Em que se ponha em livro os escritos do Pedro. 
Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Em que só a saudade ficará connosco. 
Há-de vir um convívio e será o primeiro 
Em que só as palavras amigas façam sentido.

Após este emotivo momento, que muito sensibilizou amigos e familiares do homenageado, procedeu-se à distribuição por todos os convivas de uma publicação, em quatro volumes, com os problemas policiários produzidos por Nove/Verbatim entre 1997 e 2018. Esta edição da TPL, coordenada por Fátima Correia/Detetive Jeremias, recorda ainda o riquíssimo palmarés do saudoso policiarista, que se destacou como decifrador e produtor, conquistando o título de campeão nacional nas duas vertentes, nos anos 2001/2002 e 2003-2004 (decifração) e 2013 (produção), para além de outras distinções alcançadas em diversos torneios e concursos. 
Sob a mesma “chancela” (Edições Fora da Lei) e também com mesma coordenação editorial, foi depois distribuído pelos convivas a edição de 2019 do “Borda d’Água do Conto Curto”, que reúne um conjunto de micronarrativas inspiradas em cada um dos doze meses do ano da autoria de um grupo de doze “escritores” da tribo policiária nacional (A.B.Rótea, Filipa Wilson, Cris, Peter Pan, A. Raposo, Rigor Mortis, Inspetor Moscardo, Búfalos Associados, Zé, Inspetor Boavida, Jartur e Detetive Jeremias). Com esta publicação, em forma de separata, foi possível conhecer uma saudação poética ao convívio e aos convivas do (ausente) João Artur Mamede (o veterano Jartur!), que mereceu uma divertida resposta (também ela) rimada da TPL. 
Foi já num ambiente mais descontraído (e de festa!) que o confrade setubalense Ricardo Azevedo, mais conhecido no meio policiário e literário como A.B.Rótea, brindou os convivas com a oferta de um exemplar do seu livro “O Desafio ao Inspector Rick”, recentemente editado pela Chiado Books, que pode ser adquirido nas Lojas Fnac e nas livrarias Bertrand. O livro esteve, entretanto, também à venda na Feira do Livro de Lisboa, que este ano decorreu entre 29 de maio e 16 de junho, no Parque Eduardo VII (no dia 11 de junho, o autor marcou presença num dos stands do certame para autografar a obra e conversar com os seus potenciais leitores).
A última etapa do XVI Convívio da TPL viria a ser preenchida, quando a tarde já ia longa, com a entrega dos prémios das competições realizadas pela secção O Desafio dos Enigmas. Antes, porém, o orientador da secção (há três anos presente no jornal AUDIÊNCIA GP!), começou por recordar que as iniciativas levadas a cabo podem também ser seguidas através do blogue Local do Crime (localdocrime.blogspot.com) e do site Clube de Detetives (clubededetectives.pt), e convidou os presentes a alargar o pelotão de participantes que animarão a edição de 2019 do torneio de decifração “Solução à Vista!”, que arrancou no dia 5 de junho.

CLASSIFICAÇÕES E PRÉMIOS DE 2018-2019 
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” 
1º. Detetive Jeremias: Taça Audiência GP. 
2º. Daniel Falcão (1): Taça Natércia Leite. 
3º. Bernie Leceiro (2): Taça Severina. 
4º. Airam Semog (2): Taça MedVet.
5º. Inspetor Mucaba (3): Medalha. 
6º. Zé de Mafamude (3): Medalha. 
7º. Madame Eclética (3): Medalha. 
8º. Ma(r)ta Hari (3): Medalha. 
9º. Rigor Mortis: Medalha.
10º. Bigode: Medalha.

Concurso de Produção “Mãos à Escrita!” 
1º. Búfalos Associados: Taça M Constantino. 
2º. Bernie Leceiro (2): Taça Zé da Vila.
3º. Verbatim: Taça Mário Campino. 

(1) – prémio a entregar em Braga; 
(2) – prémios a entregar em Leça da Palmeira; 
(3) – prémios entregues em Gaia.
 
quarta-feira, junho 05, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de junho de 2019
ARRANCA HOJE O TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA! – 2019”
Expirado o prazo de receção de originais, o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita! - 2019” registou a participação de nove autores. A estes junta-se um problema extraconcurso de Inspetor Boavida, pelo que, desta forma, são dez as provas que constituem o torneio de decifração “Solução à Vista! - 2019”, durante o qual serão decididos os problemas vencedores dos prémios de produção em disputa (Troféu Pedro Paulo Faria, Taça Nove e Taça Verbatim). Essa decisão será tomada em função da média pontual atribuída pelos participantes do torneio de decifração e pelo orientador da secção, que dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir a cada enigma concorrente, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade. 
Os enigmas em avaliação são da autoria de Daniel Gomes, Rigor Mortis, Bigode, A. Raposo, Búfalos Associados, Daniel Falcão, Abrótea, Bernie Leceiro e Detetive Jeremias, com publicação no dia 5 de cada mês, por esta ordem, a partir de hoje, no jornal Audiência GP, no blogue Local do Crime (localdocrime.blogspot.com) e no sítio Clube de Detectives (clubededetectives.pt). A avaliação dos enigmas será feita pelos “detetives” da seguinte forma: na apresentação da solução da segunda prova do torneio de decifração, atribuirão a pontuação da primeira prova; na apresentação da solução da terceira prova, atribuirão a pontuação da segunda prova; e assim sucessivamente. Ou seja: os pontos a atribuir ao enigma que constitui a primeira prova, que hoje publicamos, acompanharão as propostas de solução relativas à segunda prova.

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        
Prova nº. 1            
“Abílio Vai à Bola”, de Daniel Gomes
O agente Abílio nunca foi um grande apreciador de futebol, tanto como espectador ou como praticante. É certo que chegou a dar alguns toques na bola quando era miúdo, mas com a idade foi perdendo o gosto pelas peladinhas entre amigos e há muito que não entra sequer num estádio de futebol. Mas hoje é um dia muito especial. O clube da sua terra natal conseguiu ultrapassar várias eliminatórias da Taça de Portugal e recebe agora, no seu velhinho estádio, uma das grandes equipas do futebol luso. O jogo começou há poucos minutos e ainda está muita gente a entrar no estádio, que se encontra quase à pinha. O ruído é ensurdecedor. As bandeiras agitam-se. O povo grita.
(…) 
A equipa da casa está a ser completamente esmagada por um ataque demolidor da turma adversária, que a remete totalmente para o seu meio campo. Porém, miraculosamente, a bola não entra. Bolas na trave já foram mais de dez! O guarda-redes defende tudo. Com os pés, com os ombros, com a cabeça, com as mãos abertas e de punhos de cerrados. O ponta-de-lança dos visitantes acabou agora mesmo de cabecear para o canto superior direito da baliza e o guardião foi lá desviar a bola com a ponta dos dedos, deixando a sua claque em delírio. Os cânticos não cessam. Abílio também está eufórico. Tenta falar com os seus parceiros do lado, mas mal se ouve. E grita: Quanto falta para o intervalo? 
(…)
Ouve-se o apito do árbitro e as equipas rumam então aos balneários, no meio de um coro de assobios, vaias e insultos. Nem a mãe do juiz de campo escapa à frustração dos adeptos da turma visitante! O agente Abílio aproveita a pausa na partida para se refrescar com uma garrafa de água fresca. A seu lado, um rapaz da terra comenta o jogo com vários amigos e afirma que a sua equipa tem de ganhar, nem que seja preciso invadir o campo. Um sujeito mais velho acerca-se dos jovens e pede-lhes contenção, apesar de perceber a importância da passagem à próxima eliminatória da Taça para os cofres do clube, defendendo porém que a verdade desportiva deve ser preservada.
(…) 
O jogo recomeça e tudo volta a ser como antes, com a equipa visitante a massacrar a turma adversária, com todos os jogadores dentro do meio campo dos locais, à exceção do guarda-redes contrário. As boas jogadas junto à baliza sucedem-se mas a bola não entra, por intervenção direta dos defesas ou por qualquer capricho dos deuses do futebol. Os cruzamentos em chuveirinho para a pequena área repetem-se e o resultado dos cabeceamentos terminam invariavelmente na barra, nos postes ou nas mãos do guardião. Os remates rasteiros, a meia altura, com mais ou menos efeitos, de trivela ou em arco, têm sempre o mesmo desfecho. E as redes mantêm-se invioladas!
(…)
Passaram mais de quarenta e cinco minutos e tudo se mantém inalterado, como até aqui. A bola é rematada já dentro da pequena área e só não entra por um qualquer milagre, que só os crentes podem explicar, e acaba invariavelmente nas mãos do guarda-redes da casa. Este levanta-se, com esforço, vê um seu companheiro de equipa completamente isolado, não existindo qualquer jogador entre ele e o guarda-redes adversário, e lança-lhe a bola com as forças que lhe restam. A receção do atacante não é a melhor, mas, a custo, lá consegue dominar a bola. E depois de uma correria desenfreada, faz um belo chapéu ao guarda-redes, que se encontra adiantado, anichando-se a bola nas redes.
Instala-se um tremendo sururu, com as claques defendendo pontos de vista opostos, perante a hesitação manifesta do árbitro. Os adeptos da equipa da casa gritam “golo”, a plenos pulmões, pulam e agitam bandeiras e cachecóis. Os apoiantes da turma adversária clamam esbaforidos por “fora de jogo”. E o juiz da partida mantém-se indeciso, desnorteado, sem saber o que fazer. O árbitro toma finalmente a decisão acertada, o que faz com que os ânimos se exaltem ainda mais, acabando quase tudo à pancada nas bancadas. E só não há invasão de campo porque o agente Abílio, apoiado por colegas da GNR local, salta para o relvado e evita várias tentativas nesse sentido. 
O que decidiu, afinal, o árbitro?
A – Invalidou o golo.
B – Invalidou o golo e puniu o atacante com cartão amarelo. 
C – Validou o golo. 
D – Validou o golo e puniu o guarda-redes com cartão amarelo.

DESAFIO AO LEITOR 
O que se pede é que o leitor não se limite a indicar a alínea que considera certa, mas que justifique a sua escolha através de relatório o mais circunstanciado possível a enviar para o orientador da secção até ao próximo dia 30 de junho, através de um dos seguintes meios:
- por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
- por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.
E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado).


 
segunda-feira, maio 20, 2019
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de maio de 2019
   APROXIMA-SE O DIA DO ARRANQUE DO TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”
Ontem foi dia de festa da família policiária, que se reuniu num restaurante de São Pedro de Sintra para mais um convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade. Para que todos os leitores fiquem por dentro de tudo o que lá se passou, publicaremos em próxima edição uma reportagem do evento. Entretanto, quando estamos apenas a 16 dias do arranque do torneio de decifração “Solução à Vista! - 2019”, damos a conhecer a última parte do conto que temos vindo a publicar.

CRUZEIRO NO DOURO, de Rigor Mortis
            III – Parte (conclusão)
- Já me disseram que estavam os seis no salão, mas que o Vassili não jogou esta noite. Mas, que eu saiba, uma mesa de Bridge joga-se com quatro jogadores… Que fazia o quinto?
Ângela tomou a deixa:
Jogamos quatro róberes esta noite. Em cada um deles rodámos os parceiros e um de nós ficou de fora, a ver, sentado num dos cantos da mesa. A coube-me a vez no primeiro róber, o Miguel ficou de fora no segundo, a Erika no terceiro e Marcelo no quarto. Esta noite foi a Teresa que fez todos os róberes.
- E ninguém saiu do salão?
- Quando fiquei de fora saí por uns minutos para o deck, para fumar um cigarro – respondeu o Marcelo – tal como a Erika tinha feito, de resto. Mas não foram mais de cinco minutos.
- Bom… – Teresa hesitou – Pelas onze horas, no inicio do terceiro róber, saímos todos até ao deck, para ver o principio do fogo de artifício que tinha começado na outra margem do rio. Mas voltámos logo, porque as cartas já tinham sido dadas para o jogo seguinte.
- Ah! – disse o inspetor.
Nesse momento entrou na saleta o médico-legista. Secamente, dirigiu-se ao inspetor:
- Não é grande novidade, mas para já o que lhe posso dizer é o seguinte. O homem morreu de um tiro disparado à queima-roupa, logo debaixo do olho direito. Morte instantânea. O orifício de entrada corresponde ao calibre da pistola que estava em cima da cama, entre a mão direita e a cabeça. Para já, posso colocar a hora da morte entre as onze e a uma hora da madrugada.
- Ah! – repetiu o inspetor.
- Comandante – continuou, após alguns segundos de reflexão – estes cinco não saem do navio sem que eu dê autorização. Arranje um camarote aqui para a menina Erika. Os outros quatro podem ir para as suas cabinas.               
ooooooooooooooooo /// ooooooooooooooooo
Caro leitor, este é o momento de fazer uma pausa, refletir sobre o que sabe. Todos os dados estão expostos… Falta apenas juntar as peças do puzzle para poder ver o que se terá passado.
ooooooooooooooooo /// ooooooooooooooooo
         O inspetor Rogério Marques deixou-se ficar na saleta, sozinho, ruminando sobre o que tinha visto e ouvido. Minutos depois entrou novamente o comandante Sousa.
            - Inspetor! Não me diga que tem dúvidas sobre o que aconteceu! O russo, no meio de toda a sua insegurança, ficou desfeito quando a Erika lhe disse que o ia deixar. Nem sequer quis jogar à cartas esta noite, ele que era um dos mais entusiastas pelo jogo! Já no camarote, violento como era, pegou na pistola e matou-se…
            - Acha? – a pergunta foi ácida e sarcástica – Homens violentos como seria o Vassili muito raramente se matam por amor… Mais facilmente daria um tiro na mulher…
            O comandante Sousa ficou atónito, mas não conseguiu deixar de reconhecer o senso da afirmação.
            - Mas então quem o matou? Só poderá ter sido um daqueles cinco, e eles estavam todos no salão, a jogar ou a ver os outros jogar!
            - Ah! – a exclamação do inspetor começava a ser repetitiva.
            - Pense bem, comandante! Você, que diz ter talento para mistérios policiais, pense bem! Dos cinco, qual ou quais poderia ter motivos para matar Vassili?
            - Bem… O Marcelo pode ter querido ver-se livre do russo, para ficar com a diva da Erika, bem mais bonita que a mulher dele… E poderá ter forjado a sua oportunidade quando ficou de fora, a ver, no quarto róber. Fumar um cigarro no deck? Sim, talvez, mas os tais cinco minutos eram mais do que suficientes para ir até ao camarote e matar o Vassili!
            - Pense melhor, comandante! – o sarcasmo era evidente na voz do inspetor – Ele poderá ter estado fora do salão mais do que cinco minutos, mas dificilmente mais do que dez… Ou a sua ausência seria notada pelos outros, apesar de estarem enfronhados no jogo e nas discussões. Talvez ele soubesse que a porta do camarote estaria apenas no trinco, já que sabia que a Erika tinha perdido a sua chave, mas poderia não saber onde estava a pistola exatamente. Talvez tivesse apanhado o Vassili a dormir, mas dificilmente o russo não acordaria com alguém a mexer-lhe na mala onde a pistola estava normalmente guardada. E se o Vassili acordasse, seria o Marcelo que levaria uma sova… Acha que mais ninguém poderia ter motivos para matar o Vassili?...
            - Er… Bom… A Erika parecia já não gostar muito dele…
            - Além disso, comandante, ninguém no barco deu pelo tiro, pois não?... Isso não lhe diz nada?... 
            - Ah! – disse agora o comandante, levantando a mão direita com o indicador espetado para cima – O tiro foi disparado enquanto decorria o fogo de artifício! Por isso ninguém deu por ele! Num barco relativamente pequeno, como este, confundiu-se perfeitamente com algum dos estoiros lá fora!
- Pois foi… –  concluiu o inspetor – e isso ocorreu pelas onze horas, precisamente quando eles começaram o terceiro róter, aquele em que foi a Erika que ficou de fora… 
- Mas então!?...
- Pois é… Essa foi uma bela oportunidade. Mesmo que a Erika se demorasse um pouco a regressar ao salão, todos imaginariam simplesmente que ela se teria deixado ficar no deck a ver o fogo de artificio até ao fim, já que não estava a jogar nessa altura. E, ao contrário do Marcelo, a Erika sabia exatamente onde estava guardada a pistola. E mesmo que o Vassili não estivesse a dormir, não estranharia que ela viesse ao camarote. Era mesmo uma excelente oportunidade para se livrar de Vassili, lançando as suspeitas sobre o pobre do Marcelo. Até porque nunca poderia estar segura que ele a deixaria “ir-se embora”… Vamos ver isso amanhã, mas acho que a Erika disse ao Marcelo onde estava a pistola… Se calhar disse-lhe mesmo que, conhecendo o Vassili como ela o conhecia, quando ele fosse para o camarote vestiria o pijama deixando a pistola à vista na mala aberta, se deitaria e adormeceria rapidamente num sono muito profundo…
- Ah! – continuou – e que o que o Vassili lhe deixou em testamento não será assim tão pouco…
- Ah! – desta vez a exclamação parecia um tiro – E aposto o que você quiser em como ela nunca terá dito ao Vassili que iria deixá-lo!
Por uma razão ou por outra, todos os que tinham partilhado aquele cruzeiro iriam lembrar-se dele por muito tempo…
 
enigmas e contos policiais

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