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Wednesday, December 05, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de dezembro de 2018 COM O NATAL NO HORIZONTE, O POLICIÁRIO NÃO PÁRA Com a proximidade de mais um Natal no horizonte, as nossas atenções centram-se na preparação das festividades, na compra de presentes para os amigos e familiares, na montagem do presépio e da árvore de natal e na organização da noite da consoada, onde reunimos os membros do núcleo central da nossa família para um momento de convívio e de partilha de emoções único. Mas no meio de toda esta azáfama, haverá ainda tempo para dedicar à decifração de mais uma prova do torneio de decifração “Solução à Vista!”, da autoria do confrade Bernie Leceiro, que nos convoca para a audição de um dos discos mais importantes da história do rock português, da dupla Rui Veloso e Carlos Tê, que se debruça sobre a forma dura como nos é apresentada a vida durante a fase da adolescência. Este álbum histórico, que integra canções como “Não Há Estrelas no Céu”, “O Prometido é Devido”, “Baile da Paróquia”, “Mago do Bilhar” ou “A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)”, entre outras, nas quais são abordados temas como a política ou a critica à globalização do rock, pode ser facilmente repescado do youtube. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 8 “O Dia em que Méno Rock Morreu”, de Bernie Leceiro Esta é a estória de lenhas e lumes, de nomes e lugares comuns. É a estória banal de Mingos & os Samurais, banda de reconhecido insucesso, que se arrastou sem glória – mas com alegria e sedução – por diversos palcos durante os primórdios dos anos setenta, animando recintos dançantes. Esta é a estória imortalizada em disco por Rui Veloso e Carlos Tê no início dos anos 90. Esta é a estória que se tornou uma lenda mas da qual nunca foi conhecido o verdadeiro epilogo. Arménio Marmita, imortalizado como Méno Rock vocalista de Mingos & os Samurais, um famoso bilharista da Areosa, estucador de profissão, foi incorporado no regimento de atiradores de Tavira. No fim do Inverno de 1972 recebeu guia de marcha para Moçambique. Reza a lenda que morreu em missão, perto do quartel, quando a mina rebentou. Vinha em pé na Berliet com a G3 em forma de guitarra a cantar Satisfaction dos Rolling Stones. Nunca se soube ao certo se foi assim. No velório de corpo ausente em casa dos pais de Méno Rock, descobre-se afinal que Méno é casado com uma moça de Águas Santas, legítima viúva e da qual até tem um filho. Zira sua madrinha de guerra fica destroçada. Lau, guitarrista da banda e amigo de ambos, convence-a que não importa a legalidade das uniões, porque Zira é que foi a eleita. Zira fica muito triste pois Méno Rock tinha-lhe prometido ir a Lisboa no dia dos seus anos e afinal o prometido é devido… De promessas quebradas percebe Lau. Anos antes Berto convence Lau da Viola que estava em curso uma cruzada universal contra a música foleira. Lau tenta converter Mila que só gosta de Fernando Farinha e Roberto Carlos. Leva-a ao Rivoli ver os Vinegar Joe de Elkie Brooks, Mila vem embora por causa do barulho. Algum tempo antes Nicolau, troca toda a coleção de Mundo de Aventuras, por uma viola empenada, tudo para conquistar a sua amada Mila. Falta ao emprego numa drogaria e perde o Portugal-Coreia em direto no Mundial de 66. Tudo por uma visão mais ousada da sua musa. Mila falta ao prometido e deixa Lau destroçado. Quero ser um marinheiro sulcar o azul do mar/Vaguear de porto em porto até um dia me cansar/Quero ser um saltimbanco, saber truques e cantigas/Ser um dos que sobe ao palco e encanta as raparigas. Assim respondeu Berto quando a professora o mandou fazer uma redação sobre o que queria ser quando fosse grande. Berto não sabia dançar, dedicava-se ao culto das paixões secretas e inevitavelmente ao culto das poesias. Tinha por hábito escrever poemas românticos ás suas paixões, das quais Zira não estaria excluída, que contrastavam com os aerogramas militares cheios de erros de ortografia de Méno. Ficou batizado de Berto Poeta e escrevia as letras da banda. Gastão Santos, fuzileiro regressado do Ultramar, melómano sem emenda, andava perturbado pelos gases de guerra e pelas águas de África. É o empresário de Mingos & os Samurais e fica conhecido por Gastão Psicadélico. Gastão era famoso por ser o rei do twist e da sedução. Terá sussurrado várias vezes ao ouvido de Zira algumas das letras das músicas com quem calorosamente dançava. Conta-se na cidade que Zira finalmente cumpriu o seu sonho e casou no dia dos seus anos, na igreja de Santo António na última das cerimónias patrocinada pelo Diário Popular, antes do interregno provocado pela revolução dos cravos, tendo dado a morada de uma prima afastada casada em Lisboa com um funcionário da Carris. Zira casou com um dos membros dos Samurais, no entanto perdeu-se na memória popular qual foi o privilegiado, Berto Poeta, Lau da Viola ou Gastão Psicadélico. Poderá o leitor reviver o prazer de ouvir esta obra de referência da música portuguesa dos anos 90 e ajudar a clarificar de vez quem poderá ter casado com Zira? DESAFIO AO LEITOR O que se pede é que o leitor dê resposta à questão suscitada pelo autor do enigma, justificando de forma pormenorizada o seu raciocínio, através de relatório a enviar para o orientador da secção, até ao próximo dia 15 de janeiro, por um dos seguintes meios: - por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores; - por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Bernie Leceiro (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção.  
Tuesday, November 20, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de novembro de 2018 ALGUMAS ESCORREGADELAS ENTRE OS MELHORES Nesta edição começamos por desvendar as mentiras constantes do enigma da Prova nº. 6 do torneio de decifração “Solução à Vista!”, de autoria do confrade Abrótea, que provocaram algumas alterações nos dez primeiros lugares da classificação geral. E, a fechar, publicamos a segunda parte (e conclusão) do conto “O Aluguer”, do mesmo autor, iniciado na passada edição. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Solução da Prova nº. 6 “Um Regresso do Outro Lado”, de Abrótea A primeira mentira de meu Pai: aeroporto da Portela na altura, hoje Humberto Delgado [e não aeroporto Francisco Sá Carneiro]. [As mentiras de Sir Aldra:] - Angola fica no polo Sul, logo a estrela guia é CRUZEIRO do SUL; - Lourenço Marques, hoje Maputo, é capital de Moçambique [e não capital de Angola]; - LUA NOVA não tem luar, escuridão; - Mata do MAIOMBE, tem o mato cerrado, nem as estrelas se conseguem ver. Atenção: Angola fica no hemisfério Sul. A parte norte do país tem latitudes sempre superiores a 5ºS, o que em teoria permite observar, ao nível do mar, estrelas do hemisfério Norte com declinações até aos 85º. Mais a sul, conseguem-se observar estrelas com declinações máximas inferiores a este valor. A estrela polar tem uma declinação de aproximadamente 89º, pelo que não será visível de Angola. No entanto, parte das estrelas da Ursa Menor podem ser observadas em certas épocas do ano, o que permite adivinhar a posição da Polaris. Pontuação e Classificação (após a 6ª. Prova) A “caça às mentiras” do problema do confrade Abrótea trouxe dissabores a “detetives” que têm ocupado os dez primeiros lugares da classificação geral desde a prova inicial, cedendo agora terreno aos seus mais diretos opositores. Foi o caso de Inspetor Mucaba, Madame Eclética e Zé de Mafamude, que perderam dois preciosos pontos num enigma aparentemente acessível. 1º. Daniel Falcão (59+13): 72 pontos; 2º. Detetive Jeremias (59+12): 71 pontos; 3º. Bernie Leceiro (52+10): 62 pontos; 4ºs. Inspetor Mucaba (52+8), Madame Eclética (52+8) e Ma(r)ta Hari (50+10): 60 pontos; 7ºs. Ariam Semog (49+10) e Rigor Mortis (48+11): 59 pontos 9º. Zé de Mafamude (50+8): 58 pontos; 10º. Bigode (46+10): 56 pontos; 11ºs. Abrótea (45+10), Carlota Joaquina (45+10), Gomes (45+10), Inspetor Guimarães (45+10): 55 pontos; 15ºs. Charadista (44+10), Chico da Afurada (45+9), Holmes (44+10), Necas (45+9) e Pena Cova (45+9): 54 pontos; 20ºs. Arc. Anjo (43+10), Beira Rio (44+9), Broa de Avintes (44+9), Chico de Laborim (44+9), Inspetor Madeira (45+8), Santinho da Ladeira (44+9), Solidário (45+8) e Talismã (45+8): 53 pontos; 28ºs. Bota Abaixo (43+9), Detetive Bruno (44+8) e Haka Crimes (43+9): 52 pontos; 31ºs. Martelo (43+8) e Mascarilha (42+9): 51 pontos; 33º. Vitinho (40+9): 49 pontos. TORNEIO “MÃOS À ESCRITA!” As avaliações feitas pelos solucionistas e pelo orientador da secção ao enigma “Um Regresso do Outro Lado”, de Abrótea, concorrente aos prémios em disputa no torneio de produção policiária “Mãos à Escrita!”, resultaram na seguinte pontuação média final: 6,60 pontos. Com esta pontuação, o confrade Abrótea ocupa o lugar de lanterna vermelha na classificação geral do torneio, que se encontra assim ordenada: 1º. “A Lógica não é uma Batata”, de Búfalos Associados: 7,90; 2º. “Contas Desajustadas”, de Verbatim: 7,40 pontos; 3º. “As 3 Poltronas”, de Rigor Mortis: 7,10 pontos; 4º. “Camarada Tempicos”, de A. Raposo: 6,90 pontos; 5º. “O Enforcamento do Vigilante”, de Daniel Gomes: 6,80 pontos; 6º. “Um Regresso do Outro Lado”, de Abrótea: 6,60 pontos. “O Aluguer”, conto de Abrótea II – Parte (conclusão) Com tanta gente lá dentro até fiquei assustado, quase que apetecia dar meia volta e… ouvi chamar o meu nome, aguentei-me à bronca. Uma menina, seio farto, maior que uma elefanta, (ainda mais vontade de fugir tive) foi essa mesmo que tinha chamado, gritado o meu nome, empurrou-me para dentro do escritório onde em cima da secretária amontoavam-se folhas, resmas de folhas. Também já tinha comigo todos os documentos pedidos, menos dois. Entreguei recibos de vencimento, fotocópias do CU, ai, desculpem cartão de cidadão, NIB e NIF, faltava água e luz, mas isso o sogro pagava, não podia entregar. Para mim a “Ursa” já me assustava e com tudo isto ainda mais, até parecia estar em qualquer repartição de finanças, num banco, ou num assalto… aos bolsos meus!!! A “Baleia” começa a debitar palavras, e a mostrar o contrato, como não tinha as lentes de contacto, nem os contactos no velho “telelé”, nem sequer as lunetas, pedi-lhe para traduzir tudo por miúdos. Parecia aquelas velhas “IBM” a debitar letras: ponto 1- isto é um velho T0 e a renda é de 375 euro mês; ponto 2 - obrigatório pagar três meses de renda; ponto 3 - fico com as fotocópias dos seus documentos (caraças, a “Javali fêmea” tinha fotocopiadora); ponto 4 - o doutor Leve Twitter, que é o dono, irá analisar todos estes documentos, não só o seu como deve verificar. Terminou com isto por agora é tudo, e é o que se pode arranjar, depois ”telofone-me”. Estava quase a pensar alto, mas parei, uma bolachada daquela Fera mandava-me janela fora ao outro lado da rua. Só pedi, quando tiver alguma notícia telefone-me a senhora, tenho de trocar o cartão, os sogros não gostam de mim e este ainda tem os números… Dois dias passados e recebo uma chamada da “T-Rex”, falei o que antes tinha dito, apenas depois do meu horário laboral. Sim senhor pode vir, temos notícias. Eu esfregava as mãos de contente, afinal já não ia para debaixo da ponte. Chegado ao escritório, desta vez nem esperei muito, estava vazio, vazio não, a “Godzilla” estava lá. Cumprimentei a “Dona” educadamente e estendi a mão para receber a chave. Sente-se – falou ela com aquele vozeirão que acordava um quarteirão inteiro – o doutor analisou os seus documentos, e como ele é um homem bom, até tem pena de si tendo em conta o seu vencimento… Já estava com vontade de dar saltos, vocês sabem como é, mas dançar a (à) lambada com aquilo nunca na vida, eu é que perdia a minha. Relaxei e naquela calma que prenuncia algo nunca bom, pedi: pode continuar minha boa senhora. O senhor doutor gosta mesmo de si, o senhor trabalha, sabe o que faz no seu emprego, mas se pagar os três meses como o senhor vai comer? Foi o fósforo em cima da gasolina, muito calmo e ainda sentado, com o contrato perto de mim, agarrei-o e rasguei e só então disse: diga ao seu chefe que durante o dia eu trabalho, nas HORAS LIVRES ASSALTO VELHOS COMO ELE, E MULTIBANCOS!  
Monday, November 05, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de novembro de 2018 UM PROBLEMA DE SANTARÉM E UM CONTO DE SETÚBAL A sétima prova do torneio de decifração “Solução à Vista”, da autoria do confrade escalabitano Bigode, vem acompanhada da primeira parte de um conto do confrade Abrótea, autor do problema anterior e cujo prazo de envio de soluções expira no dia 15 de novembro. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 7 “Ida ao Teatro”, de Bigode Beltrão apanhara o comboio precisamente à tabela. Sentado na carruagem, rumo a Lisboa – para ver a revista “Passa por mim no Rossio” – lia avidamente, um livro policial, no frenesi de descobrir o criminoso. Trazia debaixo de olho uma bonita e distinta senhora, e não sabia agora onde estaria sentada. Fez uma pausa na leitura e mirou discretamente em volta à sua procura. – Ah! Ei-la ali, de perna traçada – pensou para si próprio. Encontrava-se outra vez embrenhado no enredo do livro, quando anunciaram a chegada à estação de Santa Apolónia. Desceu da carruagem e foi até ao bar, tomar um café retemperador. Saiu, e porque se estava a aproximar a hora, chamou um táxi que o levou até ao Politeama. No fim do espetáculo encontrou à saída a dama – esteticista – que tinha visto no comboio. Companheiros de viagem, trocaram impressões sobre a revista. – Foi esplêndido – disse Beltrão. – Sim – concordou a senhora. E cantarolou, com voz melódica: – Quando o pano sobe… Respondeu Beltrão num tom desafinado: –… e o espetáculo começa… Cada um se fazendo de “surdo” à sua maneira prosseguiram. O cavalheiro achou conveniente mudar de assunto, e perguntou se a senhora gostava de futebol. – Detestava futebol senhor… – como é o seu nome? – Beltrão. – Respondeu. – Maria – retorquiu a senhora. E continuou: – Mas desde que este ano assisti à final do Mundial de Futebol de Juniores, entre os rapazes de Portugal e os do Brasil, em que fomos campeões pela segunda vez, que me rendi à magia desse desporto. – Que alegria os putos nos deram – retorquiu Beltrão. Neste momento dobravam uma esquina, quando, saídos de um vão de escada, dois delinquentes aparecem a barrarem-lhes o caminho, e a ameaçarem-nos. Maria assustada deu um berro estridente, e Beltrão aproveitou o momento para aplicar uns golpes de karatê e neutralizar os assaltantes. Uma patrulha da polícia estava perto, ao ouvir o grito da senhora e o barulho da escaramuça, acudiu também. Foram todos para a esquadra. Apresentada a queixa, Beltrão e Maria seguiram em paz. Novamente de Táxi viajaram até ao hotel. Fora de horas para jantar, mas com apetite para a ceia. Degustando um portuguesíssimo bacalhau à Zé do Pipo, acompanhado com um não menos português tinto do Cartaxo, chegou-lhes ao ouvido uma conversa na mesa ao lado. – Amigo, lhe estou dizendo, seu Ayrton, dobrou, bicampeão de Fórmula 1. – É isso aí, cara, no sábado. Acabada a refeição, chegou a hora de Beltrão acender o seu charuto e saboreá-lo, beberricando o whisky enquanto Maria bebia também o seu. Disfarçava a perturbação que a mulher loira lhe causava, e que Maria intuiu naturalmente. Sem assunto uma vez mais, Beltrão indagou à colega sobre literatura. – Gosta de ler? Quais os autores preferidos? – Sou fã como você, de literatura policial, Agatha Christie. Gosto também de Eça, Tolstoi, Saramago, Érico Veríssimo, John Dos Passos…. “As Palavras” é agora o meu livro de cabeceira. – Ainda não ouvi falar – confessou Beltrão. – É do Nobel deste ano. Perceberam ao mesmo tempo que bocejavam. Foram-se deitar. O vale dos lençóis recebeu-os para o merecido descanso. DESAFIO AO LEITOR Caros Sherlocks, o problema contém quatro erros de palmatória. E que tal encontrar quais? Ficamos a aguardar a resposta, através de relatório circunstanciado, a enviar até ao próximo dia 15 de dezembro pelos meios habituais. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Bigode (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção. “O Aluguer”, conto de Abrótea I – Parte Sabia que isto mais tarde ou mais cedo tinha de acontecer, a casa nem sequer era minha, o sogro é que a pagava, e nesse assunto nem eu podia abrir a boca e se piasse, (as vezes com um bom vinho de Pias ainda chegava lá) passava a noite no barraco de praia. Duas semanas para retirar a tralha, duas apenas. Como não era “biolento”, talvez lento mas não chegava a lentinho, decidi começar a procurar de imediato o meu palacete. Começar ou recomeçar do princípio até que não é difícil, o pior é apanhar com cada uma que até parece anedota… e foi, aconteceu, acontece a muito boa gente. Com a trouxa às costas lá saí de casa, uma trouxa “bem piquena”, ainda não podia levar muita coisa, o resto ficava para mais tarde, e se quisessem mandar fora, menos trabalho eu tinha, e assim ainda podia dormir nos braços da Luísa Tody, para nos dias seguintes recomeçar a procura, o que só acontecia depois do horário laboral. Entrei num café, uma imperial, enquanto fingia procurar moedas ou o porta-moedas, (na altura bolso roto), pedi desculpas e bebi a fresquinha na mesma, depois polidamente pedi o jornal da terra. Percorri a página dos anúncios só para verificar se havia algo de novo. Peguei no ”telelé”, (como sempre teso de saldo como eu) e a senhora, dona da loja, ao reparar, muito atenciosa emprestou-me o dela. Disse-lhe apenas por descargo de consciência que andava a procurar um quartinho, nem que fosse um vão de escadas. Ficou marcada uma entrevista para o dia seguinte, disse que apenas podia chegar depois das 19 horas, e na hora aprazada lá fui eu. (quase a caminho de Viseu, mas era em Setúbal ou arredores, ou ainda um pouco mais longe) A morada, essa, um escritório! E eu a pensar que já tinha quarto, ora bolas. (conclusão na próxima edição)  
Saturday, October 20, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de outubro de 2018 A LUTA AQUECE NA FRENTE DA CLASSIFICAÇÃO No momento em que se conclui o processo de classificação das soluções apresentadas ao problema que constituiu a transição da primeira para a segunda metade do torneio, acentua-se a luta de dez concorrentes pelos lugares cimeiros da classificação geral do torneio de decifração “Solução à Vista!” com direito a prémio. Os detetives Daniel Falcão e Detetive Jeremias mantêm-se no topo da tabela, agora com os mesmíssimos pontos, mas têm no seu encalce oito concorrentes de peso que não estão dispostos a baixar os braços nesta maratona policiária que só termina em fevereiro de 2019, a avaliar pela qualidade das soluções produzidas até ao momento. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Solução da Prova nº. 5 “A Lógica Não é Uma Batata”, de Búfalos Associados Trata-se de dois desafios diferentes mas muito conhecidos. A história da soma de 1 a 100 é atribuída a Carl Friedrich Gauss, matemático, astrónomo e físico alemão nascido nos finais do século XVIII, e terá acontecido, segundo a lenda, quando ele teria uns 10 anos de idade. Posto perante o problema, o menino terá dividido mentalmente a série de números de 1 a 100, em duas séries, uma de 1 a 50 e outra de 51 a 100. Então verificou que a soma de 1 mais 100 era 101. Da mesma forma, 2+99=101, 3+98=101, 4+97=101, 5+96=101, e por aí fora até 49+52=101 e 50+51=101. Ou seja, sempre mentalmente, verificou que eram 50 somas com resultado de 101, e portanto bastava multiplicar 101 por 50 para obter a resposta pretendida. Assim, 101 vezes 5 dá 505, agora vezes 10 igual a 5.050. Tudo isto não é difícil de fazer mentalmente. O mais difícil terá sido imaginar o processo inicial. Aí residiu o génio do menino Gauss. Não foi por acaso que o nome daquele jovem veio mais tarde a ser muito importante na história da matemática. Se quiserem uma forma mais simples de aplicar o truque, pensem na soma dos números de 1 a 10. Como 1+10=11, basta multiplicar agora por 5 para obter 55. Confiram. Mas atenção. O que Garrett propôs aos garotos foi que retirassem da série inicial os números 20 e 30, para complicar um pouco. Será que isso nos atrapalha? Claro que não. Basta aplicar o processo completo incluindo esses números, e depois retirar 50 (ou seja 20+30) do resultado. O processo é correto. Ou seja, o nosso resultado é: 5.000. Vamos agora ao caso das bolas. A resposta é: basta tirar uma bola da caixa marcada "Preto e Branco" para ficarmos a saber o conteúdo das três caixas. Parece estranho? Vejamos. A caixa "Preto e Branco" é a única, neste momento, de que podemos ter a certeza de que terá de ficar com duas bolas iguais. Assim sendo, se tirarmos uma bola, ficamos a saber qual a cor da outra que lá ficou. Imaginemos que a bola é preta. Portanto, nessa caixa estão agora duas bolas pretas. Sobra só uma bola preta. Agora, na caixa que tinha duas bolas brancas, não podem continuar duas brancas. E duas pretas também não, já sabemos porquê. Portanto, agora essa é a nova caixa "Preto e Branco". Logo, é na caixa que tinha marcado "Preto e Preto", que estão agora as duas bolas brancas. Fácil como água. Claro que se a bola retirada for branca e não preta, o processo é exatamente o mesmo. E quais serão os poetas portugueses que o texto sugere? Miguel Torga, Cesário Verde, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Elmano Sadino (Bocage), Bernardim Ribeiro, Fernando Pessoa e... claro, Almeida Garrett. Pontuação e Classificação (após a 5ª. Prova) A esmagadora maioria dos “detetives” respondeu acertadamente aos dois desafios propostos pelo inspetor Garrett aos seus dois amiguinhos Cesário e Eugénio. Porém, alguns esqueceram-se de indicar quais os nomes de todos os poetas portugueses que o texto sugere ou pecaram por defeito nessa indicação. Tal facto leva-nos a repetir o conselho de… leituras atentas. 1ºs. Daniel Falcão (46+13) e Detetive Jeremias (47+12): 59 pontos; 3ºs. Bernie Leceiro (43+9), Inspetor Mucaba (42+10) e Madame Eclética (42+10): 52 pontos; 6ºs. Ma(r)ta Hari (40+10) e Zé de Mafamude (40+10): 50 pontos; 8º. Ariam Semog (38+11): 49 pontos 9º. Rigor Mortis (38+10): 48 pontos; 10º. Bigode (37+9): 46 pontos; 11ºs. Abrótea (35+10), Carlota Joaquina (38+7), Chico da Afurada (36+9), Gomes (38+7), Inspetor Guimarães (37+8), Inspetor Madeira (38+7), Necas (38+7), Pena Cova (36+9), Solidário (36+9) e Talismã (38+7): 45 pontos; 21ºs. Beira Rio (36+8), Broa de Avintes (36+8), Charadista (36+8), Chico de Laborim (37+7), Detetive Bruno (37+7), Holmes (36+8) e Santinho da Ladeira (35+9): 44 pontos; 28ºs. Arc. Anjo (36+7), Bota Abaixo (33+10), Haka Crimes (36+7) e Martelo (36+7): 43 pontos; 32º. Mascarilha (34+8): 42 pontos; 33º. Vitinho (33+7): 40 pontos. TORNEIO “MÃOS À ESCRITA!” As avaliações feitas pelos 33 solucionistas e pelo orientador da nossa secção ao enigma “A Lógica não é uma Batata”, de Búfalos Associados, concorrente aos prémios em disputa no torneio de produção policiária “Mãos à Escrita!”, resultaram na seguinte pontuação média final: 7,90 pontos. Com esta pontuação, o enigma da dupla Búfalos Associados assume a liderança da classificação, que tem neste momento a seguinte ordenação: 1º. “A Lógica não é uma Batata”, de Búfalos Associados: 7,90 pontos; 2º. “Contas Desajustadas”, de Verbatim: 7,40 pontos; 3º. “As 3 Poltronas”, de Rigor Mortis: 7,10 pontos; 4º. “Camarada Tempicos”, de A. Raposo: 6,90 pontos; 5º. “O Enforcamento do Vigilante”, de Daniel Gomes: 6,80 pontos. QUEM É O ATOR DA DUPLA BÚFALOS ASSOCIADOS Aqui fica a resposta à questão colocada por alguns dos nossos leitores sobre a identidade do ator que integra a dupla Búfalos Associados, curiosamente dada por eles próprios depois da leitura de uma resenha biográfica publicada na passada edição. E nenhum deles falhou na resposta. Alguns, os mais “velhos” na modalidade, já sabiam de quem se tratava, mas os que só agora chegaram ao policiário através da nossa secção não faziam a mínima ideia de qual seria a identidade do ator em questão. Isso não impediu, porém, que todos os que responderam a este desafio o fizessem acertadamente. Para uns, bastou ler as primeiras linhas da sua biografia; para outros, tudo se terá desvendado apenas quando se fez referência à série televisiva “Duarte e Companhia”, que fez sucesso na RTP, onde estreou em 1985. Falamos de Rui Mendes, claro!  
Thursday, October 04, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de outubro de 2018 UM PROBLEMA A DECIFRAR E UM ATOR A DESCOBRIR De terras do Sado, mais precisamente de Setúbal, cidade natal de Bocage e Luísa Tody, chega o enigma que constitui a prova nº. 6 do torneio de decifração “Solução à Vista!”. E não vem só. Com ele chega também a resposta ao esclarecimento solicitado por alguns leitores sobre a identidade do ator que integra a dupla Búfalos Associados, autora da prova nº 5. Mas...a satisfação dessa curiosidade será feita em forma de passatempo, deixando que sejam os próprios “detetives” a descobrir o nome do ator através de uma breve resenha biográfica, pedindo-lhes que façam a sua respetiva identificação na solução do enigma daquela dupla, cujo prazo de envio expira no dia 18. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 6 “Um Regresso do Outro Lado”, de Abrótea Sempre gostei de acompanhar as conversas de meu Pai, o “Velho inspetor Rick”. Mal imaginava eu que um dia mais tarde seguir-lhe-ia as pisadas, apesar de estar a tirar um curso de montador eletricista… Cadê isso?, já não serve p’ra nada. Invariavelmente o “blá-blá” começava sempre pela noite de lua nova, com chuva torrencial. Isto quando se juntavam todos os “velhos”, já com os pés quase para a reforma. E como não me deixavam ir ao cinema ver “daqueles” filmes, apenas acompanhava as conversas… mas fixava. Com estas recordações aprendi, e posso dizer que aprendi muito, tanto que nem precisava de estudar, só cabular (o que só por si já é estudar). E como recordar é “biber” vamos lá… Reunidos meu Pai, Smaluco, Mister Ioso e Flo, que grande POKER. Era eu “puto”, meu Pai, claro, estava ainda para as curvas. Acabara de chegar de Angola. Em Lisboa, como era de madrugada e sem transporte decidiu “dorminhar” no aeroporto Sá Carneiro. Ele que nunca conseguia dormir em qualquer que fosse o transporte. Mal tinha fechado os olhos, mesmo com os “ólicos” para sonhar a cores, sentiu um abanão. Quase lhe saiu um palavrão e meio estremunhado reconheceu o seu “velho amigo Artur” ou Sir Aldra sénior. - Para aonde se dirige o meu caro amigo Inspetor – pergunta Sir Aldra. - Não me dirijo, cheguei há vinte minutos de Angola, e nem me deixas dormir c’a porra (tradução literal) – resmungou. Entretanto meu Pai expunha aos seus companheiros o resto da interessante conversa. - Que coincidência, também cheguei agora de lá, mas se calhar numa outra companhia aérea. Cheguei faz cinco minutos – respondeu Artur – detestei aquilo e tu? Só de viagem cinco horas, dá para ficar com calos no rabo. - Bem, (acho que foi precisamente o que respondeu meu Pai) eu fui lá tirar um curso, estive na cidade, e ali vive-se noite e dia apesar de ser uma cidade cara, tens mulheres frias, carros quentes e cervejas (cucas) rápidas. - Sabes, amigo Rick, cheguei lá a 12 de Setembro, e daí a pouco era o feriado da nossa santa terrinha, então saí de Lourenço Marques e, não sei como, dei comigo numa mata cerrada. Mais tarde é que soube, e foi pelo meu filho que me mandou mensagem no telélé, (já depois do feriado do Bocage, para aqui também nem consegui ligação) que era a Mata do Maiombe. Já de noite, ali perdido no meio do nada, só a lua brilhava, o céu com suas estrelas, eis que cai uma daquelas trovoadas e uma tromba d’água como só acontece nos países asiáticos. Valeu o luar, noite de lua nova, via perfeitamente a nossa estrela guia, a Estrela Polar, foi assim que consegui… Imediatamente foi mandado calar o Artur, mais conhecido por Sir Aldra, e com razão. DESAFIO AO LEITOR “Quais as gaffes cometidas pelo Artur, e uma pelo menos pelo meu Velho”? – pergunta o autor. Envie a resposta para o orientador, até 15 de novembro, através dos meios habituais: por correio postal, para AUDIÊNCIA GP/ O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel/Açores; por e-mail, para salvadorpereirasantos@hotmail.com. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Abrótea (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador da secção. QUEM É O ATOR DA DUPLA BÚFALOS ASSOCIADOS? Nasceu em Coimbra em 1937, filho de pais lisboetas. Lisboa seria, aliás, a cidade onde iniciaria a sua carreira artística. Em 1955, após terminar o curso dos Liceus, cria os cenários para o espetáculo fundador do Grupo de Teatro da Faculdade de Direito de Lisboa, em colaboração com o pintor Rafael Calado. No ano seguinte, inscreve-se na Escola de Belas Artes para tirar o curso superior de Arquitetura. Paralelamente estreia-se nos palcos profissionais como ator, no Teatro da Trindade, integrando o elenco da peça “A Ilha do Tesouro”, com produção do Teatro do Gerifalto, grupo onde se manteve durante cinco anos como ator e cenógrafo. Neste período, participou igualmente em diversos espetáculos nas companhias do empresário Vasco Morgado e na companhia de Teatro Nacional Popular, iniciando-se também no teatro radiofónico. Em 1961, abandona o curso superior de Arquitetura, que nunca viria a concluir, para cumprir o serviço militar, não sem antes desempenhar pequenos papéis nos filmes “Raça” (1961) e “Dom Roberto” (1962), que marcam a sua estreia cinematográfica. Em 1965, após o seu regresso de Angola, onde combateu na guerra colonial, integra o elenco de algumas peças do Teatro Moderno de Lisboa, tendo fundado em 1966, em conjunto com os colegas João Lourenço, Irene Cruz e Morais e Castro, o Grupo 4, um dos embriões do teatro independente português. Esteve depois ligado à renovação do teatro de revista, primeiro no Teatro ABC e mais tarde no Teatro Adoque. Nos derradeiros anos do Estado Novo, o SNI – Secretariado Nacional da Informação distingue-o com os Prémios de Melhor Ator do Ano e Melhor Ator em Teatro Musical, que recusa receber em protesto contra a Censura e contra a falta de apoio ao teatro. Após abril de 1974, exerce as funções de professor da Escola Superior de Teatro e Cinema (ex-Conservatório Nacional), onde fica até atingir a idade máxima permitida legalmente para o exercício da docência superior. A sua primeira experiência como encenador aconteceu em 1968 com a peça “O Mestre” de Ionesco, no Grupo de Teatro da Philips Portuguesa, criando mais tarde, nessa mesma qualidade, os espetáculos “Três Irmãs” de Anton Tchekov, para o Teatro da Cornucópia (1988), e “Sonho de Uma Noite de Verão” de William Shakespeare, para o Teatro da Malaposta (1991), entre muitos outros. No cinema, deixou ainda o seu cunho como ator em filmes como “A Caçada do Malhadeiro” (1969), “Francisca” (1981) e “Os Abismos da Meia-Noite” (1983). Na televisão, participou em inúmeras peças de teatro, telenovelas e séries, sendo inesquecível o seu protagonista na icónica “Duarte e Companhia”. Será preciso mais para descobrir o nome do ator?  
Thursday, September 20, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de setembro de 2018 O POLICIÁRIO ESTÁ MAIS POBRE: VERBATIM DEIXOU-NOS! A notícia chegou-nos através de amigos comuns, seus parceiros na Tertúlia Policiária da Liberdade: “O Nove morreu!” (havia mudado há algum tempo o seu pseudónimo para Verbatim, mas ficou sempre Nove para os confrades mais próximos). Foi como se tivéssemos levado um soco no estomago! Tínhamos conversado com ele duas semanas antes, quando tivera alta do hospital onde viria a falecer. E pareceu-nos muito esperançado em conseguir vencer este novo combate contra mais um ataque da maldita doença que o atormentava há anos. Estava muito frágil, mas animado por uma tal força interior que nos convenceu de que sairia vitorioso de mais este desafio. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. O Nove partiu! Esteve connosco desde a primeira edição da nossa secção e deixou-nos quando os nossos leitores estavam a decifrar o seu último enigma, de que publicamos hoje a respetiva solução. Fica dentro de nós a saudade! TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Solução da Prova nº. 4 “Contas Desajustadas”, de Verbatim O Inspetor estagiário preparou o seguinte texto para apresentar aos três amigos que haviam feito a viagem até Nova Iorque: “Meus caros senhores, agradecendo a vossa presença, vou tentar mostrar-vos que, por não terem dado ou requerido explicações entre vós e em devido tempo, acabaram por se enredar em mal-entendidos na sequência de um engano inicial. 1 – Assim, em primeiro lugar, deverá notar-se que dos 2000 euros entregues por Afonso Sena, pertencem 1600 a João Liberto, e não apenas 1200, e a Carlos Guimarota pertencem somente 400 euros e não tanto como 800. Com efeito, cada um de vós gastou 2000 euros do total de 6000 euros. Como, para este total, João Liberto contribuiu com 3600 euros, ele terá de receber o que pôs a mais para além dos 2000 euros da sua despesa. Terá portanto de receber 3600 – 2000 = 1600 euros. Por seu lado, Carlos Guimarota, que contribuiu para o bolo com 2400 euros, terá a receber 2400 – 2000 = 400 euros. A sugestiva proporção de 3 para 2 entre as contribuições do João e do Carlos, ao ser aplicada nestas contas para as quais não tinha de entrar, conduziu a um engano. Portanto, João Liberto reclamou a quantia de 1600 euros com toda a razão. 2 – João Liberto, contudo, não explicou por que motivos estavam errados os quantitativos apurados por Afonso Sena. Teve oportunidade para o fazer e não o fez, gerando desse modo a revolta de Carlos e o distanciamento de Afonso, ambos aparentemente convencidos da inteira bondade das contas efetuadas anteriormente. Quer dizer, João Liberto, embora certo quanto á correção a fazer, não a soube apresentar e provocou, sem qualquer necessidade, a irritação dos seus dois amigos. 3 – Carlos Guimarota, por seu lado, não foi capaz de pedir uma explicação sobre os cálculos feitos por João Liberto. Preferiu dar a entender, a partir de certa altura, que João Liberto estaria a querer acusá-lo de ser capaz de ficar com dinheiro de outrem. Terá sido por isso que se encostou ao João para o intimidar e até apelidar de eventual gatuno. 4 – Afonso Sena também não ajudou a esclarecer a situação criada. Não estando em causa a totalidade do dinheiro que devia aos amigos nem a rapidez com que liquidou a sua dívida, bem podia ter-se esforçado para tentar compreender a pretensão de João Liberto quanto à divisão do dinheiro. Deixou que os ânimos azedassem entre João e Carlos, quando estava em posição privilegiada para moderar a questão surgida. 5 – Como se depreende do atrás exposto, que se fundamenta nas vossas declarações, nenhum de vós esteve inteiramente bem neste caso, tendo cada um contribuído, a seu modo, para a desastrada confusão gerada. Por isso, o melhor será talvez cada um esquecer alguma razão de protesto para, sobretudo, reconhecer os mal-entendidos que terá ajudado a criar, retirar qualquer queixa, aceitar a regularização das contas e cumprimentar os outros dois. Que vos parece?” Como o Inspetor estagiário, segundo sabemos, se saiu muito bem da sua incumbência conciliatória, podemos concluir que os três reconheceram não terem estado bem, se cumprimentaram entre si e que a queixa foi retirada. Quanto às feridas abertas, talvez nem todas tivessem ficado completamente saradas. Nota: A ilusão da sugestiva repartição que conduziu ao engano nas contas foi colhida no interessante livro de recreação matemática “O Homem que Sabia Contar” de Malba Tahan (pseudónimo de Júlio César de Mello e Souza), Editorial Presença, 2001. Pontuação e Classificação (após a 4ª. Prova) Detetive Jeremias (Santarém), Daniel Falcão (Braga) e Bernie Leceiro (Leça da Palmeira) voltaram a dividir entre si os “pontos especiais” destinados às melhores soluções, ocupando os lugares do pódio. No seu encalce, destacam-se os gaienses Inspetor Mucaba e Madame Eclética. 1º. Detetive Jeremias (35+12): 47 pontos; 2º. Daniel Falcão (33+13): 46 pontos; 3º. Bernie Leceiro (32+11): 43 pontos; 4ºs. Inspetor Mucaba (33+9) e Madame Eclética (32+10): 42 pontos; 6ºs. Ma(r)ta Hari (30+10) e Zé de Mafamude (30+10): 40 pontos; 8ºs. Ariam Semog (28+10), Carlota Joaquina (28+10), Gomes (28+10), Inspetor Madeira (28+10), Necas (28+10), Rigor Mortis (28+10) e Talismã (28+10): 38 pontos; 15ºs. Bigode (27+10), Chico de Laborim (27+10), Detetive Bruno (27+10) e Inspetor Guimarães (27+10): 37 pontos; 19ºs. Arc. Anjo (28+8), Beira Rio (27+9), Broa de Avintes (27+9), Charadista (26+10), Chico da Afurada (26+10), Haka Crimes (26+10), Holmes (27+9), Martelo (28+8), Pena Cova (27+9) e Solidário (27+9): 36 pontos; 29ºs. Abrótea (28+7) e Santinho da Ladeira (26+9): 35 pontos; 30º. Mascarilha (25+9): 34 pontos; 32ºs. Bota Abaixo (23+10) e Vitinho (26+7): 33 pontos. TORNEIO “MÃOS À ESCRITA!” As avaliações feitas pelos 33 solucionistas e pelo orientador da secção ao enigma “Contas Desajustadas”, concorrente aos prémios em disputa no torneio de produção policiária “Mãos à Escrita!”, resultaram na seguinte pontuação média final: 7,40 pontos. Com esta avaliação, o enigma do confrade Verbatim assume a liderança da classificação, que tem a seguinte ordenação: 1º. “Contas Desajustadas”, de Verbatim: 7,40 pontos; 2º. “As 3 Poltronas”, de Rigor Mortis: 7,10 pontos; 3º. “Camarada Tempicos”, de A. Raposo: 6,90 pontos; 4º. “O Enforcamento do Vigilante”, de Daniel Gomes: 6,80.  
Wednesday, September 05, 2018
  MISSA DO SÉTIMO DIA – FALECIMENTO DE NOVE/VERBATIM A missa de sétimo dia do falecimento do nosso saudoso confrade NOVE / VERBATIM realiza-se na próxima sexta-feira, dia 7 de setembro, pelas 18h30, na Igreja da Divina Misericórdia, em Alfragide (junto ao Estado Maior da Força Aérea).  
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 5 de setembro de 2018 UM DESAFIO LÓGICO DA DUPLA BÚFALOS ASSOCIADOS Surgem pela primeira vez na nossa secção, mas são dois dos mais ativos policiaristas da atualidade. Membros da TPL - Tertúlia Policiária da Liberdade (Lisboa). São marido e mulher. Ele nasceu em Coimbra, está desde há muito radicado na Grande Lisboa e é um dos mais conceituados atores portugueses. Ela nasceu no Porto, mudou-se para Lisboa muito jovem e foi uma das nossas mais destacadas produtoras de televisão, atualmente aposentada da RTP, onde se iniciou no Centro de Produção do Monte da Virgem (Vila Nova de Gaia). Formam a dupla Búfalos Associados, conquistaram a Taça de Portugal da modalidade na vertente de decifração no passado ano e perfilam-se como principais candidatos à conquista daquele troféu em 2018 e ao título de campeões nacionais desta temporada, ocupando neste momento um dos primeiros lugares da tabela classificativa da principal prova nacional. Por aqui, na nossa secção, fazem a estreia como produtores, vertente em que se destacaram com a conquista do campeonato nacional da categoria em 2014, submetendo à apreciação dos leitores do AUDIÊNCIA GP e em particular aos concorrentes do Torneio “Solução à Vista!” um enigma que apela ao raciocínio lógico e à “descoberta” dos nomes de alguns dos nossos maiores poetas sugeridos no enunciado. TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” Prova nº. 5 “A Lógica Não é Uma Batata”, de Búfalos Associados Toda a vida desgostoso por não ter tido netos, o inspetor Garrett substituía-os afetivamente por dois amiguinhos do prédio em que morava, netos de Miguel, um amigo também inspetor da PJ, e a quem gostava de dar muita atenção por serem dois rapazes espertos e encantadores. E como os miúdos tinham uma curiosidade inesgotável, passavam sempre as horas disponíveis em bate-papos de lógica ou matemática com o vizinho. O mais velho tinha 12 anos e chamava-se Cesário, o mais novo dava pelo nome de Eugénio e tinha 11 anos. “Nomes de poetas...”, como costumava dizer Garrett. – “Foi em homenagem à avó, explicava o pai. Ela chamava-se Florbela. Passou a ser uma tradição da família, mas já o pai dela se chamava Elmano. E o avô Bernardim.” Um dia, ao fim da tarde, o Cesário vinha entusiasmado com uma coisa que aprendera na aula de matemática. O professor tinha falado numa história que se conta ter-se passado há mais de duzentos anos. Nesse tempo, numa escola em que a disciplina não andaria a ser muito praticada, o professor, para castigar os alunos, ordenou-lhes que fizessem a soma de todos os números de um a cem e que aquele que o fizesse mais depressa teria um prémio. Todos se atiraram com entusiasmo ao papel e ao lápis na ânsia do conseguirem o prémio. Apenas um garoto ficou quieto, pondo-se a pensar e ao fim de alguns minutos levantou o braço no ar e perguntou se já podia dizer o resultado. O professor aceitou e ficou espantado por o miúdo ter feito a conta de cabeça em tão pouco tempo. E foi a vez de o mestre acorrer ao lápis e ao papel. Espanto: o resultado estava correto! - “Pois é, Cesário, essa é uma história muito conhecida e interessante. E ficou para sempre na história episódica da matemática. Mas olhem, agora vou propor-vos aos dois, um problema também já conhecido, de pura lógica e raciocínio. Gostam de histórias para pensar?” - “Venha ela!” - gritaram os dois entusiasmados. - “Sabemos que há três caixas, contendo cada uma delas duas bolas. Na primeira estão duas bolas pretas, na segunda duas bolas brancas e na terceira uma preta e uma branca. As bolas são todas iguais em tamanho e em peso, bem como as caixas. Por fora, as caixas dizem as cores das bolas que lá estão dentro: a primeira “Preto e Preto”, a segunda “Branco e Branco” e a terceira “Preto e Branco”. - “Muito bem, e agora?” - “Agora, longe das vistas dos assistentes, alguém muda o conteúdo de todas as caixas de forma a que nenhuma delas fique igual ao que tinha sido antes. Mas por fora nada se alterou, os dísticos é que estão agora todos errados. E a pergunta é: Qual será o menor número de bolas que é preciso tirar para ver a cor, e de quantas caixas e quais, para poder dizer com segurança que bolas estão agora dentro de cada caixa? Mas atenção que só se pode tirar uma bola de cada vez.” - “Oh, o vizinho só nos põe problemas difíceis. Acha que nós somos génios?” - “Meus amiguinhos, lembrem-se do que disse Einstein: Um génio é uma pessoa como toda a gente, só que nem toda a gente consegue ser um génio. Nada se faz sem trabalho. E já agora, além de responderem à minha pergunta, digam lá também qual é a soma dos números de um a cem inclusive, e qual a forma de o saber apenas por cálculo mental e em poucos minutos. Mas vou colocar-vos uma condição: desta vez, nessa sequência de 0 a 100 não podem estar os números 20 e 30. E não se esqueçam de que é preciso, num problema e noutro, descrever qual foi o raciocínio que seguiram.” - “Oh, senhor Garrett! E essas contas todas têm de ser feitas de cabeça e em pouco tempo?” - “Tentem. Vale sempre a pena. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Foi mais ou menos o que disse um poeta que se chamava Fernando, como o vosso pai. E se pensarem um bocadinho vão ver que é mais fácil do que parece.” DESAFIO AO LEITOR Além de responder integralmente aos dois desafios do inspetor, indique quais os nomes de todos os poetas portugueses que o texto sugere, através de relatório a enviar para o orientador da secção, até dia 18 de outubro, através de um dos seguintes meios: - por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores; - por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com. E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pela dupla Búfalos Associados (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção. Nota: este texto já tinha sido enviado para impressão do jornal AUDIÊNCIA GP quando soubemos do falecimento do nosso confrade NOVE / VERBATIM, pelo que só faremos menção a esta triste notícia na próxima edição da secção O DESAFIO DOS ENIGMAS.  
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